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Fábio Assunção brinca com os contos de fadas

Ator foi convidado a dirigir as cenas não musicais de ‘Fantasy’, reunindo 18 personagens muito conhecidos das crianças, como Cinderela, Pinóquio, Jafar, Rapunzel e Malévola

Por Dib Carneiro Neto

Uma aventura pelo universo dos contos de fadas, com direção geral de Fábio Assunção? Isso mesmo. O nome é Fantasy, Uma Viagem Musical. A superprodução, que estreia sábado no Teatro Procópio Ferreira, reúne nada menos do que 18 personagens icônicos das histórias infantis, como Aladdin e Gênio, Cinderela, Pinóquio, Bela e a Fera, Bela Adormecida, Rapunzel, Branca de Neve, Ariel, Fada Madrinha, Malévola, Jafar e Rainha Má.

Tudo na mesma peça? Sim, todos na mesma peça. E com direito a 30 efeitos especiais diferentes, 60 figurinos e 12 trocas de cenário. Quem assina idealização e roteiro é Sandro Chaim, e a direção musical é de Charles Dallas, que compôs 6 canções originais. E, claro, não faltarão as clássicas, que as crianças vão querer cantar junto. Mas como será que o Fábio Assunção foi parar nessa viagem?.

“Fui convidado pelo Sandro Chaim, um produtor com longa história em espetáculos adultos, musicais, infantis, um amigo que já produziu de tudo nos palcos e já levou muita alegria para as crianças investindo no gênero”, conta Fábio. “Na verdade, o convite, feito há apenas duas semanas, foi para que eu colaborasse na direção de atores, nas cenas. Não participei da concepção do espetáculo, não escolhi o elenco, não dirijo propriamente a montagem. Entrei para auxiliar na marcação das cenas não musicais e para dar uma assinatura.”

O elenco do espetáculo Fantasy, uma Viagem Musical. Foto Bruno Lemos

Encantado pela missão incomum em sua carreira, Fábio completa, sem falsa modéstia: “Minha participação é despretensiosa e colaborativa. Estou curtindo muito participar dessas duas semanas de trabalho.”  Ele, Chaim e também Drica Morais estão juntos como parceiros produtores em um espetáculo adulto, em fase de ensaios: Férias, de Jô Bilac, com direção de Enrique Diaz e Débora Lamm. “Foi em função dessa proximidade que veio o convite para o Fantasy, que aceitei prontamente.”

Fábio Assunção tem seu jeito muito especial e carinhoso de lidar com o teatro feito para crianças. Ele explica: “Gosto de musicais infantis que não são restritos a crianças e que não tratam o público de uma maneira infantil. Prefiro pensar que a qualidade é o que vai encantar a todos, não importa a idade, e seguir por esse caminho. Mas, claro, um espetáculo infantil deve ter um tom mais lúdico, ser menos ‘a vida como ela é’. Vejo o teatro infantil como fantasiar a vida com as personagens que amamos, mas sem perder a vida de vista.” 

O numeroso elenco de Fantasy teve de encarar a ampla aceitação dos personagens dos contos de fadas e explorar em cena as peculiaridades de cada um deles, sob a batuta atenciosa de Assunção, que reconhece o enorme desafio de lidar com histórias tão conhecidas. Ele comenta: “Os contos de fadas clássicos carregam contextos que hoje são impensáveis. A história da Cinderela, por exemplo, traz discriminação e crueldade com uma jovem. Mas não podemos esquecer da função da dramaturgia: provocar e questionar a sociedade. O olhar do público mudou e ninguém acha normal que Cinderela seja tratada daquele jeito.”

Prossegue: “Para além disso, há um encanto e uma magia, que, mesmo no século 21, permanecem nesses contos e alimentam o imaginário de todos, inclusive dos adultos. Vale dizer também que, com o passar dos avanços sociais, novas personagens foram surgindo em outras histórias, mais atuais, com maior diversidade, com personagens mais cientes de seus direitos, e, assim, o contemporâneo e o clássico hoje se misturam e emocionam as plateias.”

Cena do espetáculo Fantasy, Uma Viagem Musical. Foto Bruno Lemos

Ele completa: “O contemporâneo é um lugar onde o público e os criadores experimentam o senso crítico, e é exatamente por isso que não há mais consenso absoluto, nem nos contos de fadas. Há a arte, e dentro dela, sempre haverá o olhar individual de cada um de nós, olhares diferenciados – e isso é muito positivo.” 

Outro tópico analisado por Fábio Assunção: o uso do teatro como ferramenta educativa na formação das crianças. Ele discorre: “O teatro só apresenta o argumento, o conflito. A formação de uma criança se dá em casa, com bons diálogos, escuta, serenidade, espaço para as congruências e liberdade para as divergências. Uma criança livre se desenvolve lindamente. Não creio que o teatro cumpra essa função. O teatro espelha a sociedade, os seres humanos. Nesse espelhamento nos vemos. Cada um, com sua formação, vai absorver a peça com suas próprias ferramentas. A arte é a vida, e retrata a forma como olhamos para as nossas.”

Para Fábio, a experiência de levar crianças ao teatro é impagável. Como pai, ele conta que fez muito isso: “E o que eu via nos olhos dos meus filhos era a catarse que eles sentiam e sentem com as personagens. Olhar no palco e se ver ali retratado é uma forma de adquirir conhecimento e desenvolver crítica social.” No caso de Fantasy, Uma Viagem Musical, as mensagens prometidas são: o bem sempre vence o mal, devemos preservar a pureza no coração das crianças e devemos nos unir para enfrentar situações difíceis.

Serviço

Fantasy, Uma Viagem Musical

Teatro Procópio Ferreira – Rua Augusta, 2823. Tel.: (11) 3083-4475

Sábados e domingos, 15h. R$ 110 / R$ 130

Até 26 de maio

Dib Carneiro Neto

Dib Carneiro Neto

Jornalista, dramaturgo e crítico teatral. Começou a escrever críticas sobre teatro infantil em 1990 na revista Veja São Paulo. Foi editor-chefe do caderno de cultura do jornal O Estado de S. Paulo, o Caderno 2, de 2003 a 2011. Atualmente, edita o site e canal do youtube Pecinha É a Vovozinha, que ganhou o Prêmio Governador do Estado em 2018, na categoria Artes para Crianças, além de menção honrosa no Prêmio Cbtij (Centro Brasileiro de Teatro para Infância e Juventude). Por sua peça Salmo 91 , adaptação do livro Estação Carandiru, ganhou o Prêmio Shell de dramaturgo em 2008. Em 2018, ganhou o Jabuti pelo livro Imaginai! O Teatro de Gabriel Villela.

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