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Obsessão pela perfeição: um tema que também é de palhaço; peça tem entrada grátis

Sinopse

Em “O Violinista Mosca Morta”, Seu Cocó (Pedro Caroca), tentando ser certinho e elegante, enche o palco de erros e trapalhadas, a essência da arte de palhaçaria

Por Dib Carneiro Neto

“Seu Cocó é um palhaço muito certinho, bem-vestido, cheio de manias, parece ter sido arrumado pela avó para um passeio no parque no final de tarde. Muito simpático e elegante.” Assim o artista de Brasília Pedro Caroca descreve o seu palhaço, que despenca do Planalto Central diretamente para a sede do Espaço Sobrevento, em São Paulo, para quatro sessões muito especiais e gratuitas do espetáculo O Violinista Mosca Morta.

Em cena, o palhaço quer que tudo funcione bem no seu concerto de violino, mas eis que surge…uma mosca inconveniente. Até o fim, vamos descobrir qual a verdadeira intenção do inseto naquele concerto tão atrapalhado. O tema do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) ganha corpo na trama, o que é incrível em um espetáculo tão divertido para crianças, com direção de Mafá Nogueira.

Pedro Caroca como Seu Cocó em O Violinista Mosca Morta. Foto Matheus Alves

“O tema veio a partir das cenas criadas, que sempre revelavam uma característica minha de ter manias, ter rituais para fazer as coisas, quase que obsessões, que às vezes atrapalham uma atividade simples”, explica Pedro Caroca. “E isso no Seu Cocó é potencializado, pois ele potencializa o melhor e o pior de mim. É querer tudo simétrico, tudo no seu devido lugar, fazer a mesma coisa repetidas vezes. Os adultos reconhecem mais e se identificam com isso. Para as crianças, passa o jeito atrapalhado do palhaço, e elas vão se conectando com o tema por outras vias, principalmente quando percebem que não temos controle de tudo, e ainda assim precisamos seguir.”

Música traz surpresas e vivências

Importante enaltecer também no espetáculo a forma como a música aparece e contribui para a cena, já que o personagem é um violinista. “A música é uma desculpa para o palhaço estar ali”, admite Caroca. “Eu estudei violino na Escola de Música de Brasília, mas não me considero violinista, seria um desrespeito com quem é. E Mafá Nogueira, o diretor do espetáculo, é músico, violoncelista. Ele quem me apresentou ao violino, foi meu primeiro professor. Fiquei anos com o violino dele emprestado, até quebrar em um dos ensaios do espetáculo e tomar vergonha e comprar o meu. Quis colocar essa vivência do violino em cena, talvez mais o que vem antes do tocar. As preliminares. Tudo o que acontece no espetáculo é para, no final, Seu Cocó tocar sua música no violino. É o elemento que une todas as pontas da obra, principalmente a plateia que fica ansiosa para isso acontecer, e quando acontece canta e vibra junto. E antecipando uma surpresa, também une o palhaço à mosca.”

Pedro Caroca como Seu Cocó em O Violinista Mosca Morta. Foto Matheus Alves

Por onde passam, Seu Cocó, a mosca e o violino encantam. Caroca relata, com alegria: “Eu tenho tido muita sorte com esse espetáculo, participando de festivais. E é sempre uma alegria o retorno positivo que ele me proporciona. Um vez, em Cajazeiras, na Paraíba, um garoto veio falar comigo no final, a mãe pediu pra ele contar um segredo pra mim, e ele disse que também conversava com moscas, que até dava comida pra elas. As crianças torcem muito para a mosca, ficam do lado dela, adoram quando ela aparece e desestrutura o palhaço, se deleitam com o palhaço se dando mal em cena. E os adultos curtem muito, muitas coisas chegam pra eles mesmo não sendo proposital, mas sempre com a consciência de que o espetáculo foi feito pra todos, afinal criança não vai sozinha ao teatro, o adulto vai junto e contempla junto.” 

Como nasce um palhaço

Seu Cocó, conforme conta Caroca, nasceu em 2016 durante uma imersão de iniciação à arte do palhaço com José Regino e assistência de Ana Flávia Garcia e Micheli Santini, em Brasília. “Foi ele quem deu nome à figura no último dia de trabalho, quando eu já tinha escolhido a roupa e estava de nariz”, relata o intérprete. “Na realidade ele pediu para eu me apresentar como Senhor Clóvis, ou Seu Cocó. Acabou que Seu Cocó pegou mais.”

“Minha formação é no Teatro, mas desde sempre convivi com artistas que eram palhaços”, prossegue ele. “Muitos foram crias de José Regino do Celeiro das Antas, João Porto Dias do Galpão do Riso, Denis Camargo do BR SA Coletivo de Artistas e de oficinas que a Mostra Zezito de Circo promovia trazendo nomes referências do Brasil e do Mundo. Mesmo muito antes de fazer teatro, eu era apaixonado pelo Rowan Atkinson, o Mr. Bean, um palhaço sem nariz que me seduz, me inspira. O diálogo que ele estabelece com o olhar, a boca, o corpo todo de uma maneira geral é fascinante. E tem alguns nomes que têm me ensinado isso, o próprio Mafá Nogueira, José Regino e Ricardo Puccetti com quem trabalhei em criação.”

De Brasília para São Paulo. Qual a expectativa? Ele responde, encerrando a entrevista: “É uma expectativa de celebração. Conheci o diretor, que é paulista, em Brasília, fazemos parte do mesmo grupo Cia Burlesca. Atualmente ele mora na Bahia e está vindo para acompanhar ensaios e a temporada. Além disso, temos muitas amizades aqui e vai ser um grande reencontro. Aqui na capital eu já apresentei meus dois números de palhaçaria em Cabarés, ainda que solos, dividindo o palco com outros artistas. Agora é sozinho em cena, mesmo com a equipe operando som, luz, produção e direção, é diferente. O frio na barriga é maior. É uma nevasca na barriga!” 

Serviço

O Violinista Mosca Morta

Espaço Sobrevento. Rua Coronel Albino Bairão, 42, Belenzinho (Metrô Bresser-Moóca)

15 e 16 de junho de 2024, sábado e domingo, 11h e 16h

Entrada gratuita (retirada de ingressos pelo Sympla)

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Ficha Técnica

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Serviço

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