Uma fábula operística, uma mistura de circo com dança e um casamento de palhaçaria com música são opções de bom teatro para as famílias: ‘Enreduana – O Musical’, no Sesc Pinheiros, ‘Amálgama’, no Itaú Cultural, e ‘O Violinista Mosca Morta’, no Teatro B32
Por Dib Carneiro Neto (publicada em 22 de maio de 2026)
A diversidade de que o teatro se alimenta não se restringe a temáticas, mas também a linguagens cênicas. Temos a chance, neste fim de semana em São Paulo, de prestigiar três espetáculos que mesclam o teatro e o circo com outras vertentes da arte: a ópera, a dança e a música. Aproveitem e desfrutem. As crianças na plateia terão a sorte de conviver com a pluralidade e saber que, pela vida afora, conhecerão múltiplas formas de se comunicar pela arte.

Enreduana – O Musical
Roger Mello, um nome que – não é de hoje – engrandece o Brasil com seus prêmios internacionais de literatura infanto-juvenil, adaptou ele mesmo e dirigiu o espetáculo baseado em seu livro premiado Enreduana, lançado em 2018, sobre a vida da primeira escritora da História, uma pensadora da antiga Mesopotâmia, que viveu há cerca de 4.300 anos. E como ele fez isso? Criando uma fábula operística.
A peça utiliza música, teatro narrativo e recursos visuais para contar a saga dessa mulher que escreveu poemas, atuou politicamente na cidade de Ur e enfrentou o exílio antes de reconquistar seu lugar como alta sacerdotisa. Recheada de canções originais, a peça, de quebra, ainda apresenta às crianças a sonoridade de uma harpa de Ur, instrumento milenar reconstruído especialmente para o espetáculo. A narrativa é curiosamente conduzida por um grão de areia do deserto.

Amálgama
O espetáculo mistura malabares e acrobacias com dança, isso mesmo, coreografias. Artur Faleiros, Laura Faleiros, Gui Bressane e Marina Viski são quatro artistas em cena, da companhia que leva o mesmo nome do espetáculo e foi fundada em 2018. Nesse jogo de composição, as técnicas circenses e os movimentos coreográficos se entrelaçam de forma equilibrada e harmoniosa.
O trabalho parte da ideia de “amálgama” – a fusão perfeita entre elementos diversos – para construir cenas que exploram as possibilidades do encontro. O grupo sempre foi interessado na hibridização das artes.

O Violinista Mosca Morta
Em cena, o palhaço Seu Cocó, interpretado por Pedro Caroca e dirigido por Mafá Nogueira, conduz o público por uma jornada cômica e musical. Sim, humor de palhaçaria e conceitos de música erudita, tudo junto e misturado para falar dos conhecidos erros de palhaço e suas tentativas frustradas de alcançar a perfeição.
Na trama, um excêntrico violinista prepara-se para realizar um concerto, mas seu jeito atrapalhado sabota a própria performance. A figura do músico concertista, ligada à disciplina e ao virtuosismo, aparece desconstruída, .para revelar, com leveza, sua dimensão mais humana e falível. Entre partituras, surge uma insistente mosca. Ainda assim, Cocó persiste até o último compasso, a última nota, o último zumbido.
“A música é uma desculpa para o palhaço estar ali”, costumar dizer Pedro Caroca, que dá vida a Seu Cocó desde 2016, quando fez curso de palhaçaria em Brasília. “Eu até estudei violino na Escola de Música de Brasília, mas não me considero violinista, pois seria um desrespeito com quem de fato é.” Caroca sempre relembra que, certa vez, ao final de um espetáculo, uma criança veio até ele e falou ao seu ouvido, como se fosse contar um segredo, que também conversa com moscas.
Serviço
Enreduana – O Musical
Sesc Pinheiros – Auditório – R. Paes Leme, 195
Domingo, dias 24 e 31 de maio, 15h e 17h. R$ 40. Crianças de até 12 anos não pagam
Amálgama
Itaú Cultural. Avenida Paulista, 149
Dia 23/5 no Bulevar do Rádio (entre o Itaú Cultural e o Sesc Avenida Paulista). Dia 30/5 no térreo do Itaú Cultural, 11h30. Grátis.
O Violinista Mosca Morta
Teatro B32 – Sala Experimental (Av. Brigadeiro Faria Lima, 3732
Dias 23 e 24 de maio, 15h. R$ 80
