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Teatro Eva Herz reabre com a comédia “Adultério Involuntário”; veja vídeo

Sinopse

Escrito pelo francês Jean-Pierre Martinez, espetáculo dirigido por Elias Andreato ocupa espaço inaugurado em 2007 e que foi sempre marcante pelas experimentações

Por Ubiratan Brasil

Os atores e produtores Karla Mandro e Ken Kadow buscavam um texto que pudessem montar e protagonizar. Algo com uma narrativa que conduzisse o espectador para caminhos surpreendentes. Depois de várias pesquisas, encontraram a comédia Adultério Involuntário, que estreia nesta sexta-feira, dia 23, reabrindo o Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

Escrita pelo francês Jean-Pierre Martinez, a peça é uma típica comédia de erros. O enredo começa quando a advogada Eva (Karla), ao voltar para casa depois de um dia no tribunal, é surpreendida pela confissão de seu marido, Albano (Ken), que não só assassinou o melhor amigo como ainda o corpo continua na cozinha. Surgem vários malentendidos até a chegada de Cris (Bella Tortato), melhor amiga de Eva e agora, aparentemente, uma viúva recente.

“O espetáculo não brinca, mas discute o tema da traição, tão representado em comédias e dramas nos palcos do mundo”, diz o diretor Elias Andreato. “É possível rir de nossas mazelas e mentiras. Vivemos o tempo do discurso público, mas assumimos outro discurso na vida privada.”

Cena da peça Adultério Involuntário. Foto Freddy Cerdeira

“Acontecem tantas coisas absurdas ao longo da peça que o espectador não apenas ri do inusitado da situação, mas também provocado pelo constrangimento vivido por aqueles personagens”, comenta Karla. “É quase uma peça de vaudeville.”

Trata-se de uma característica da dramaturgia de Martinez, que começou a carreira artística como baterista de diversos grupos de rock, antes de se tornar publicitário semiólogo. Depois de um período como roteirista para televisão, regressa aos palcos agora como dramaturgo.

“Para que possamos rir dos personagens da comédia (como os de Molière) e dos infortúnios que lhes acontecem, eles têm que ser caricaturáveis ​​e, consequentemente, detestáveis”, afirmou Martinez ao blog Dramatur(x)ia. “Por outro lado, para que o público se identifique com esses personagens, eles devem permanecer humanos, ou seja: ambíguos, complexos e frágeis. O espectador tem que amar e odiar esses personagens que, de alguma forma, representam a todos nós. Não estou longe de pensar que o mesmo acontece em relação aos personagens trágicos, mas ao contrário: o espectador odeia ter que amá-los. Portanto, conseqüentemente, a intenção de ambiguidade é deliberada.”

Cena da peça Adultério Involuntário. Foto Freddy Cerdeira

A escolha de Adultério Involuntário aconteceu depois de uma seleção. “Descobrimos vários textos dele e optamos por esse por se adaptar muito bem à nossa realidade”, conta Kadow, pilotando, ao lado de Karla, uma aventura artística. “Não tínhamos teatro, nem diretor e, como nossa ansiedade era grande, decidimos também não participar de nenhum edital, pois queríamos montar logo”, emenda Karla, que entrou em contato com o autor francês e expôs as limitações. “Ele entendeu perfeitamente e liberou o texto de forma conveniente, pois gostaria de vê-lo montado em São Paulo.”

O texto bem urdido também convenceu o diretor Elias Andreato a entrar no projeto, assim como a atriz Bella Tortato. Já a confirmação do teatro aconteceu de forma inesperada. “Faço treinamentos físicos no mesmo lugar que o Sergio Herz (atual CEO da Livraria Cultura) e, em um determinado dia, ele me perguntou se não teria um projeto que pudesse reabrir o Eva Herz”, conta Ken.

O espaço fechou em junho do ano passado quando foi decretada a falência da Livraria Cultura. Uma liminar do STJ suspendeu a decisão, ainda que a continuidade de uma ordem de despejo sobre o imóvel no Conjunto Nacional fosse autorizada nesta sexta-feira, 23.

Inaugurado em 15 de setembro de 2007, o Teatro Eva Herz foi o primeiro teatro no país dentro de uma livraria e foi palco de valiosas experimentações – tornou-se um marco a temporada de mais de uma década do monólogo A Alma Imoral, interpretada por Clarice Niskier, que estreou em 2008. O alto nível da programação foi garantida pela criteriosa direção artística de André Acioli, que participou desde a abertura do espaço (quando então auxiliava Dan Stulbach) até seu fechamento no ano passado.

O espírito de experimentação pode ser retomado agora, com Adultério Involuntário. “A peça trata de um assunto muito atual, como o cancelamento, o ato das pessoas apontarem o dedo para outras sem muito critério. O texto ajuda a refletir sobre como isso é prejudicial”, diz Karla.

Serviço

Adultério Involuntário

Teatro Eva Herz. Livraria Cultura. Conjunto Nacional. Avenida Paulista, 2073

Sexta e sábado, 20h. Domingo, 18h. R$ 80

Até 14 de abril

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Ficha Técnica

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Serviço

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