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“Poemas” conversa sobre dualidades da vida

Sinopse

Dirigido por Duda Maia, os atores André Torquato e Marcos Pitombo interpretam texto de Gabriel Chalita em que personagens revelam como a poesia tem a possibilidade de salvar o mundo

Por Ubiratan Brasil (publicada em 22 de abril de 2026)

Durante uma conversa com o ator André Torquato, o escritor Gabriel Chalita revelou a existência de um texto teatral há muito engavetado e que gostaria de ver encenado. Inicialmente intitulada O Poema e o Vento, a peça era um monólogo, mas suas palavras imagéticas, poéticas, permitiam um desdobramento.

Com a chegada do ator Marcos Pitombo, que comemora 20 anos de carreira, o projeto ganhou força e agora intitulado Poemas estreia no dia 24 de abril, no Teatro Multiplan, em São Paulo.

Para dirigir um texto em que a palavra reverbera no físico dos atores e também no espaço, Torquato sugeriu Duda Maia, diretora artística reconhecida por sua assinatura que integra corpo, música e palavra. O resultado é plenamente satisfatório – em cena, com delicada atuação, Torquato e Pitombo não contam uma história linear, mas, a partir do interesse comum em terminar um poema, representam dois seres que apresentam fragmentos do que seria o encontro com o outro e com o universo próprio de cada um.

André Torquato e Marcos Pitombo em Poemas. Foto Gustavo Arrais

“O objetivo da peça é construir um poema que pretende salvar o mundo”, conta Pitombo. “Com isso, o texto ganha volume e promove a conversa entre palavra e corpo para falarmos sobre o que nos inspira, sobre nossas dores e também sobre o que nos move.”

Torquato concorda: “A poesia é imagética e, com isso, a direção da Duda traz o poema para a existência. São dois personagens tentando escrever o poema que falta, mas talvez o que mais interessa não seja o poema em si, mas esse processo de busca. Às vezes é no mistério que a gente se salva”.

Duda percebeu a importância do vento no texto de Chalita, tanto como ar em movimento como representação da passagem do tempo. Para isso, colocou ventiladores nas laterais do palco, acionados em momentos em que o “espetáculo cria um espaço de escuta, de silêncio, de vento, onde o que parece escuro pode, de repente, acender pequenas luzes”, no entendimento de Torquato.

Também um precioso jogo de luz de Gabriele Souza permite uma alternância entre claro e escuro, permitindo o surgimento repentino dos atores em cena e também detalhes de mãos e pernas. Para completar, a trilha sonora composta por Dessa Ferreira contribui para o ritmo da encenação.

Marcos Pitombo e André Torquato em outra cena de Poemas. Foto Gustavo Arrais

Poemas é o casamento de duas linguagens muito fortes: a escrita do Chalita junto com a corporeidade de minhas direções”, conta Duda. “O espetáculo fala de desejos e memórias, da ambiguidade do ser humano. Em cena, essa dualidade aparece no texto, nos corpos, na trilha sonora, no cenário, no figurino e na iluminação.”

Segundo ela, a peça recorre à memória e às lembranças boas e ruins, aquelas difíceis de viver e também as mais alegres. “Lembranças de infância, de cheiro de comida, de histórias de vó, memórias profundas de dores, despedidas, mas também fala do colo da mãe.”

Para Chalita, o texto se divide entre a leveza iluminadora da poesia e a dureza de cotidianos muitas vezes erráticos. “É um espetáculo sobre a beleza e sobre o lavar as mágoas. O texto fala de um poema que falta. Que poema é esse? O que nos falta? Somos humanos. O ser humano tem dois lados, um animal e um simbólico. E a dramaturgia explora essas duas dimensões. E esse vento que venta a vida.”

Serviço

Poemas

Teatro Multiplan – MorumbiShopping. Avenida Roque Petroni Júnior, nº 1.089, Piso G2 (acesso por meio das escadas rolantes em frente à Renner)

Sexta-feira, 20h30. Sábado, 18h e 20h30. Domingo, 18h. R$ 50 / R$ 120

Até 7 de junho (estreia 24 de abril)

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Ficha Técnica

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Serviço

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