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Musical recupera a poderosa poesia das canções de Belchior

Sinopse

Inspirado em entrevistas do cantor e compositor, “Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro” volta em cartaz em São Paulo, agora no Teatro Bravos

Por Ubiratan Brasil

Em sua música Sujeito de Sorte, o cantor e compositor Belchior (1946-2017) fala de superação, de deixar para trás as dores do passado e encarar o futuro com otimismo. O refrão “Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro” é uma metáfora poderosa para a capacidade humana de se reinventar e superar adversidades. É justamente esse verso que inspira o título de um musical que voltou em cartaz em São Paulo, Belchior – Ano Passado Eu Morri, Mas Esse Ano Eu Não Morro, agora no Teatro Bravos.

Sob a direção de Pedro Cadore, a peça mergulha no universo do compositor cearense, apresentando não apenas uma biografia, mas uma imersão na mente de um dos artistas mais misteriosos do cenário musical brasileiro.

Pablo Paleólogo e Bruno Suzano em cena do musical Belchior. Foto Kaio Caiazzo

Segundo o encenador, o espetáculo não se limita a uma mera celebração musical, “é também um chamado à reflexão sobre a atualidade política brasileira, retomando o discurso transformador que Belchior acreditava ser intrínseco à arte. Em meio à incerteza do futuro, a voz e a filosofia deste poeta se tornam mais relevantes do que nunca”.

A trama, escrita por Cadore e Cláudia Pinto, foi criada a partir de trechos de entrevistas do próprio Belchior, especialmente nas que ele falou sobre sua juventude e suas reflexões sobre um mundo em constante desconcerto. Em cena, Pedro Paleólogo interpreta o cantor cearense, enquanto Bruno Suzano dá vida ao “Cidadão Comum”, uma presença constante nas canções de Belchior, representando, de certa forma, seu alter ego.

Pablo Paleólogo em Belchior – Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro. Foto Kaio Caiazzo

Acompanhando a atuação dos artistas, uma banda ao vivo recria sucessos marcantes como Alucinação, Apenas Um Rapaz Latino Americano, Coração Selvagem e outros clássicos que permeiam a vasta obra de Belchior.

Em texto publicado no Jornal da Unesp, Renato Coelho observa que, “embora não dispusesse de um cabedal tão primoroso de palavras e rimas, Belchior foi dando singularidade às suas canções também usando recursos como sua voz anasalada e o canto que forçava tônicas em certas sílabas”. E acrescenta: “ele também dialogava com a literatura nacional e estrangeira do século 20, e lutou fortemente para fugir dos rótulos, sobretudo daqueles que insistiam demasiadamente em reduzi-lo a sua região e ao seu estado natal”.

Bruno Suzano em cena de Belchior – Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro. Foto Ivana Mascarenhas

Ao citar Thiago Vieira, autor do trabalho de doutorado Delírios Por Coisas Reais: Uma Introdução sobre Belchior, Coelho afirma que, “se há algo duradouro na trajetória de Belchior, é esse lugar de se fazer canção. Essa postura permitiu que ele acontece como fenômeno na segunda metade dos anos 1970, gerando desconforto por sua acidez em refutar o desbunde, por vezes não desfrutando do reconhecido da crítica ou mesmo dos seus pares. Belchior não era benquisto por quem historicamente fez defesas do nacional popular e nem encontrou alguém semelhante nas fileiras que deram continuidade ao tropicalismo”.

Serviço

Belchior – Ano Passado Eu Morri, Mas Esse Ano Eu Não Morro

Teatro Bravos. Rua Coropé, 88. Telefone (11) 99008-4859.

Quintas, sextas e sábados, 21h. Domingos, 19h. R$ 39 / R$ 120

Até 21 de julho

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Ficha Técnica

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Serviço

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