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“A Vedete do Brasil” conta as dores e as glórias de Virginia Lane

Sinopse

Comédia musical com Suely Franco, Flavia Monteiro e Bela Quadros homenageia a atriz que marcou época como vedete no apogeu do teatro de revista

Por Ubiratan Brasil

Uma das mais famosas vedetes brasileiras (artistas que cantavam com roupas insinuantes e pernas de fora), Virginia Lane (1920-2014) pedia a amigos e parentes que sua história não fosse esquecida. Seu desejo é realizado com a comédia musical A Vedete do Brasil, que chega a São Paulo, no teatro Faap, no dia 8 de março, depois de uma bem sucedida temporada no Rio.

“Estreamos no Dia Internacional da Mulher, data apropriada para se homenagear a Virginia”, observa Claudia Netto, uma das melhores intérpretes do musical brasileiro e que agora estreia como diretora. Escrito por Renata Mizhari e Cacau Hygino, o espetáculo relembra momentos brilhantes e outros nem tanto da mulher que ganhou a alcunha de Vedete do Brasil do ex-presidente Getúlio Vargas.

“Virginia contava de que tinha sido amante do Getúlio durante dez anos e de que estaria inclusive na cama com ele, no dia em que foi assassinado. Sim, não teria sido suicídio, mas um crime”, diverte-se Suely Franco, que vive Virginia nos últimos anos de vida.

Suely Franco e Bela Quadros em A Vedete do Brasil. Foto Dalton Valerio

A trama mostra quando ela prepara uma ceia de Natal com a filha única, Marta (Flávia Monteiro), e aguarda a chegada de um amigo, Alex. Ao longo do dia, ela relembra episódios que marcaram a sua trajetória, cenas interpretadas por Bela Quadros, responsável por dar vida à Virgínia no auge de sua juventude.

Momentos como quando enfrentou a Igreja para conseguir se casar no Outeiro da Glória após o veto de um padre, ou ainda memórias divertidas de seus trabalhos na televisão, como apresentadora infantil, ou de suas turnês pelo Brasil e países vizinhos.

Também a relação com a filha Marta é um caso interessante. “Marta era filha adotiva, mas Virginia tinha muito ciúme dela, limitando muito suas ações”, comenta Flavia Monteiro. “Acho que a jovem Marta se iludia com as plumas e o paetês e queria ser como a mãe. Só depois de mais adulta é que ela mudou de atitude e passou a viver em função da mãe.”

Durante a preparação, Claudia pediu a Flavia que interpretasse uma mulher mais doce, enquanto para Bela Quadros a indicação era outra: menos glamourosa. “Virginia era esplendorosa quando vestida de vedete, mas era uma mulher com o pé no chão, sabendo quando precisa ser uma pouco grossa”, conta Bela, que brilha quando vai à plateia conversar com os espectadores.

Flavia Monteiro e Suely Franco em A Vedete do Brasil. Foto Dalton Valerio

“Decidi incluir esse número porque se trata de um teatro de revista, onde isso era muito comum”, conta Claudia, que conta com a direção musical de um especialista, Alfredo Del-Penho. Foi para ele, aliás, que a verdadeira Marta cantarolou no telefone uma música inédita de Virginia, intitulada justamente A Vedete do Brasil, e que ela nunca conseguiu gravar – a canção agora está no musical.

O espetáculo traz ainda canções como a famosa Sassaricando, gravada pela primeira vez por Virginia Lane, em 1951, Barracão (da chanchada É Fogo na Roupa), Ninguém me Controla e muitas marchinhas de letras maliciosas e com o duplo sentido bem-humorado que a consagrou, como Marcha da Pipoca.

A produção contou com a colaboração da verdadeira Marta Lane, que emprestou figurinos e joias do acervo de Virginia, e de Alex Palmeira, o amigo pelo qual Virgínia espera na noite de Natal. Ele foi seu maquiador, figurinista e anjo da guarda nos últimos anos de vida.

Nascida no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro, em 1920, Virgínia Lane iniciou sua carreira artística aos 15 anos no teatro do Cassino da Urca. Aos 18, fez sua estreia no cinema no filme Banana-da-Terra, dirigido por Ruy Costa. No total, foram dezenas de peças e 32 filmes, incluindo Laranja da China (1940), também de Ruy Costa, e Carnaval no Fogo (1949), de Watson Macedo.

Suely Franco em A Vedete do Brasil. Foto Dalton Valerio

Intérprete de célebres papeis de grandes nomes do rádio – como Lindinha Batista, em Somos Irmãs, de 1998 -, Suely Franco mantém, aos 84 anos, uma invejável vitalidade. “Ela exibe uma excelente saúde vocal e mental”, atesta Claudia Netto. “Tenho paixão pelo meu trabalho”, diz Suely, que deverá retornar à peça Três Mulheres Altas, quando encerrar a temporada de A Vedete do Brasil. No caminho ainda, a rodagem de um filme.

O segredo, segundo ela, está em um pensamento do filósofo Confúcio: “Trabalhe com o que você ama e nunca mais precisará trabalhar na vida”.

Serviço

A Vedete do Brasil

Teatro Faap. Rua Alagoas, 903.

Sextas, 20h. Sábados, 19h. Domingos, 17h. R$ 50 / R$ 140

Estreia dia 8 de março. Até 28 de abril

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Ficha Técnica

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Serviço

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