O melhor do teatro está aqui

topo

“Dibuk – O Musical” recupera o “Romeu e Julieta” do teatro ídiche; veja vídeo

Sinopse

Inspirado em lenda judaica do século XVI, espetáculo une canções e ilusionismo para contar a história de um amor proibido marcada ainda por possessão de corpos

Por Ubiratan Brasil (publicada em 28 de abril de 2026)

No folclore judeu, Dibuk é um espírito humano que, graças aos pecados cometidos, é obrigado a vagar incansavelmente até encontrar refúgio no corpo de uma pessoa viva. Tal figura inspirou O Dibuk, de Sch. An-Ski, considerado um dos textos teatrais judaicos mais famoso e encenado do século XX. E agora é ponto de partida para Dibuk – O Musical, em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso.

Com direção de Marcelo Klabin e texto de Alberto (Gingi) B. Worcman e Paula Targo, com consultoria de Luís Alberto de Abreu, o espetáculo reúne 31 atores em cena para retratar um amor trágico e impossível entre dois jovens, trama semelhante ao clássico Romeu e Julieta de Shakespeare, mas ambientado no universo do folclore, da cabala e do mundo espiritual judaico.

Ambientada no leste europeu no século XIX, a história acompanha Hanan, um estudante pobre que se apaixona (e é correspondido) por Leah. O pai dela, no entanto, promete a filha a outro homem, de uma família com muitas posses. Com isso, Hanan morre em desespero e retorna como um dibuk, que entra no corpo de Leah na véspera do casamento, levando a um poderoso exorcismo.

Dagoberto Feliz, Verônica Goeldi e Nábia Villela em Dibuk – O Musical. Foto Priscila Prade

“Sempre trabalhei com elencos numerosos em musicais, especialmente em O Rei Leão, o que me deu experiência. Aqui, o tema não é fácil por mostrar mais de um mundo. Será que Leah foi realmente apossada por um espírito ou sofre um ataque de nervos?”, questiona Klabin, que encontrou referências psicanalíticas sobre o tema. “Li em um artigo que Freud se inspirou na lenda de Dibuk para estudar sobre a histeria. Para ele, era o caminho encontrado pela menina se rebelar.”

Segundo ele, apesar da tradição judaica, o texto trata de questões universais. “Em linhas gerais, é um confronto dramático entre o amor, o destino e o sobrenatural”, afirma. “Hanan é um menino brilhante, com história difícil por não ter conhecido o pai. Ele sai em busca de um propósito e encontra no amor por Leah”, diz o ator Luis Vasconcelos. “Dibuk não é um demônio, mas um espírito descontente que fica preso por uma dor.”

A ideia de transformar a lenda em um musical nasceu depois que Alberto Worcman e Paula Targo assistiram a uma montagem de O Violinista no Telhado, um musical clássico. “Começamos a escrever há 15 anos e fizemos 49 versões do texto”, conta Worcman. “O original aponta que são dois mundos, mas decidimos não especificar para que o público. Afinal, que mundos são esses. Tanto que, no início, o menestrel anuncia isso.”

Cena de Dibuk – O Musical, em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso. Foto Priscila Prade

Depois de morar 25 anos na Alemanha, Paula lembra que a disposição de mudar uma peça de 1560 estava focado principalmente nos personagens femininos. “As mulheres ou não existiam ou não tinham importância na história original. Decidimos desenvolver o que não era, ou seja, revelar os sentimentos das personagens, especialmente Leah”, conta.

Segundo ela, a possessão da menina pode ser algo real ou mesmo uma questão psicológica extremada. “Não queremos definir exatamente o que acontece para alimentar a imaginação dos espectadores.”

Com direção musical de Gustavo Kurlat, o espetáculo também trata com delicadeza de sexualidade. “No início do espetáculo, conhecemos dois rapazes que são tão amigos que se pode levantar a suspeita de um amor. Também o noivo destinado a Leah cria uma afeição por ela que não sabemos ao certo se é realmente pela menina ou pelo dibuk de Hanan. Por isso que falo que são muitos mundos, incluindo um apresentado no final, que é surpresa”, comenta Worcman. “Mas não importa, o que interessa é como a gente vê as coisas.”

Como Leah, Verônica Goeldi passa por emoções diversas. “Ela criou uma relação com a mãe morta por meio do sonho, o que é comum na cultura judaica e é muito bonito”, diz ela, muito crível nas cenas de possessão. “Leah tenta quebrar o padrão do casamento arranjado.”

A montagem de Dibuk – O Musical traz ainda outra novidade que contribui para a sensação de conviver com mundos paralelos, que são efeitos de ilusionismo criados por um especialista, Alicio Zimmermann. “Meu trabalho parte de uma abordagem dramatúrgica do ilusionismo, em que a mágica não surge apenas como efeito visual, mas como linguagem cênica integrada à história”, conta.

Ele criou uma série de efeitos mágicos que dialogam diretamente com a história e com os estados emocionais dos personagens. Com isso, espetáculo reúne desde efeitos sutis até momentos de maior impacto visual, sempre interligados à narrativa. “Ao final do show, acontece um quadro entre o casal protagonista concebido como uma imagem poética de suspensão e encontro”, conta Zimmermann, que ensaiou os atores a executarem mágicas de nível profissional com todo o rigor técnico.

Ele faz parte do elenco, que conta ainda com Dagoberto Feliz, Rafael Pucca, Romis Ferreira, Nábia Villela, Heitor Goldflus, Lilian Blanc, Gustavo Waz, Fernanda Melém, Rodrigo Miallaret, Gabriela Melo, Lucas Marques, Eduardo Leão, Mateus Torres, Victor Froiman, Thiago Ledier, Éri Correia, Juliana Ferretti, Bel Nobre, Chiara Lazzaratto, Erick Carlier, Natalia Presser, Gui Boranga, Tamara Figueiredo, Geisa Helena, Luara Bolandini, Diego Oliveira, Juliano Alvarenga e Will Kreff.

Serviço

Dibuk – O Musical

Teatro Sérgio Cardoso. Rua Rui Barbosa, 153

Quinta a sábado, 20h. Domingo, 16h. R$ 80 / R$ 300

Até 31 de maio (estreou 23 de abril)

[acf_release]
[acf_link_para_comprar]

Ficha Técnica

[acf_ficha_tecnica]

Serviço

[acf_servico]