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Um circo que resgata o tempo em que se fazia teatro sob a lona

Sinopse

Palhaço Tubinho, um dos poucos praticantes de circo-teatro no Brasil, está em temporada com uma peça diferente por noite – e a  preços populares

Por Dib Carneiro Neto

Eis uma notícia alvissareira: até 22 de outubro, o Circo de Teatro Tubinho (@teatrotubinho) realiza uma grande temporada com uma lona montada na Vila Jaraguá, Zona Norte de São Paulo. O Tubinho é um circo diferente, sem apresentações de malabares, trapézio, acrobacias e globo da morte. Ele faz parte de uma tradição de circos itinerantes de lona, que apresentam um espetáculo teatral diferente a cada noite.

Serão seis semanas de temporada, totalizando 36 apresentações de espetáculos a preços populares (R$ 20 em média). Às quartas-feiras, o ingresso é gratuito. As apresentações acontecem todas as noites às 20h30. Peças que passam  de geração em geração, em sua maioria comédias de censura livre, algumas consideradas chanchadas, pelo uso de improvisos e excessos. As quintas-feiras serão reservadas para os dramas tradicionais ou as comédias não indicadas para menores de 16 anos.

Para quem não sabe, houve um tempo em que os circos brasileiros, comandados por grandes palhaços, hoje chamados de mestres, como Piolim, Arrelia e Carequinha,  apresentavam espetáculos teatrais completos sob a lona, o que se convencionou chamar de circo-teatro. Hoje, bem pouco disso ainda é praticado – e um dos bravos resistentes é o Circo de Teatro Tubinho, desde 2001 comandado por José Hamilton Pereira França Neto, o Tubinho. Atualmente, ele integra também o elenco do humorístico televisivo “A praça é nossa”, como o personagem Cucurucho ou na pele do próprio Tubinho.

Palavra de acadêmico

Duas vezes vencedor do Prêmio Governador do Estado de SP, o Circo de Teatro Tubinho possui cerca de 115 mil seguidores no Instagram e 158 mil inscritos no canal do Youtube (YouTubinho).  No repertório, mais de 100 peças. Um elenco de mais de 30 artistas. E quase 20 carretas para equipamentos, fora trailers para moradia dos artistas. “Um caso a ser muito estudado”, com diz o acadêmico Walter de Sousa Junior, professor dr. da Universidade de São Paulo (USP), na Escola de Comunicações e Artes (ECA), especializado em circo-teatro e autor de 12 livros.

Cena do Circo de Teatro Tubinho. Foto Diego Soares

“Não há cidade paulista que não conheça o Tubinho”, garante Walter, que também preside a Associação de Amigos do Centro da Memória do Circo. “Ele conseguiu isso fazendo circo-teatro, o que é muito louvável. As pessoas vão para ver o palhaço contar e encenar uma história, não para ver os números tradicionais de circo ou de palhaçaria. O Tubinho pega as peças do nosso acervo do Centro da Memória do Circo e faz os seus arranjos, suas adaptações. Ele gosta das peças que têm fantasmas, Frankensteins, caubóis. Eu acho o Tubinho muito engraçado, ele é impagável, sabe tudo de improviso. Ao mesmo tempo, trilha com competência esse espírito genuíno do circo tradicional, e é sempre a essência de seus espetáculos, mesmo quando leva convidados famosos que atraem púbico, como já levou Nany People e Dedé Santana.”

Tradicional e atrapalhado

Pouco antes de estrear a temporada, Tubinho reservou um tempo para conversar com o Canal MF e começou nos contando um pouco como ele vê o palhaço que o consagrou: “Ele é um palhaço bem tradicional, de maquiagem grande, gravata grande, sapato grande, terno xadrez – e muito atrapalhado. Como temos mais de 100 comédias em nosso repertório, fica difícil ele ter uma personalidade só. É um palhaço que se adapta à história que está sendo contada. Pode ser covarde ou corajoso, pode ser o patrão que briga com o empregado, ou o empregado que é humilhado pelo patrão, e muito mais. O palhaço que faço no circo é um, o palhaço que faço na televisão é outro, mas ambos se adaptam ao lugar onde estiverem, à trama da vez. Ou seja, o Tubinho é mesmo um camaleão. Vai se adequando às situações para as quais é requisitado.”

Resistir fazendo circo-teatro leva a muitas alegrias, mas também a enfrentar dificuldades. “Se eu fosse listar as dificuldades maiores de hoje, haveria de cara dois pontos: a burocracia e os terrenos”, comenta ele. “Está cada vez mais difícil achar terrenos que sejam próprios para levantarmos nossa lona. Porque precisamos de uma localização boa. O circo precisa ser visto pela comunidade, precisa influenciar no dia a dia da cidade, na paisagem da cidade. Ele precisa ser montado onde as pessoas passem e vejam. A burocracia, porque cada dia há uma lei nova, cada cidade tem uma lei diferente, é muito difícil. São as duas coisas com as quais a gente mais sofre.” 

E as maiores alegrias de Tubinho? “Eu diria que, neste mundo cheio de tecnologia, em que tudo se modificou muito rapidamente em poucos anos, a gente ainda consegue ter público nos visitando, rindo das mesmas piadas que eram contadas há 60 anos. Isso é muito legal: ver o público se divertindo a cada história que a gente conta.” 

O desafio da proibição de animais

Outro assunto bom de falar com Tubinho são os rumos que o circo tomou no Brasil, ao longo das décadas. Ele diz: “Uma grande mudança foi a proibição dos animais adestrados. Isso modificou os circos. Não estou dizendo que foi certo ou foi errado, mas mexeu muito, porque o público gostava bastante de ir ao circo para ver os animais. Número de animal sempre atraiu muito público. Foi uma medida que forçou o circo a mais uma vez se reinventar, porque ele sempre se reinventou. Na minha avaliação, o circo ainda não se resolveu direito totalmente com relação a isso. Estamos numa transição, talvez na fase final da transição, mas muitos  donos de circo não sabem ainda o que fazer sem os animais. Estão ainda entendendo como suprir essa falta, como trazer o mesmo público sem os animais como atração. Nosso circo não se afetou, porque nunca usamos animais mesmo. Já nascemos como circo-teatro”.

Cena do Circo de Teatro Tubinho. Foto Diego Soares

Outra curiosidade é entender por que foi escolhida a Vila Jaraguá para esta temporada. Tubinho responde com segurança e clareza: “Eu queria muito que fosse num bairro, para ficar o mais perto possível dos moradores, da população de donas de casa, de operários. Estar próximo a eles é muito mais fácil do que levá-los a uma área central. Depois dessa temporada na Vila Jaraguá, vamos seguir em turnê pelo Interior de São Paulo. Então, outro motivo foi que sair da Zona Norte será mais fácil logisticamente para alcançar as estradas que nos levarão às próximas cidades.” 

O público que é fiel às temporadas do Circo de Teatro Tubinho já sabe que a peça a ser apresentada raramente é decidida com muita antecedência. O elemento surpresa faz parte desse mito criado em torno do nome do palhaço. Mas Tubinho explica na maior tranquilidade de quem não tem medo de errar: “Como são muitas peças, a gente consegue mudar o repertório conforme percebe o gosto do público da região onde estamos. Alguns preferem as chanchadas, outra praça pode preferir as comédias mais oficiais, que não permitem improvisos. Há cidades que adoram paródias de filmes famosos, em que o Tubinho entra na trama do filme e se adapta também a ela. Então a gente começa a temporada, mas não com um repertório já totalmente fechado, pois vai depender do gosto do público daquela região”.

Que venham as surpresas.   

SERVIÇO

Temporada do Circo de Teatro Tubinho 

Estrada Turística do Jaraguá, 840, Vila Jaraguá, 31º  Subdistrito Pirituba, São Paulo . Ponto de referência: em frente ao Posto Ipiranga.

As apresentações acontecem todas as noites às 20h30, com exceção dos dias 27 de setembro e 11 de outubro

R$ 20 (arquibancada) e R$ 25 (cadeira numerada) – que poderão ser adquiridos na bilheteria do circo ou no site www.megabilheteria.com.  Grátis às quartas. 

Até 22 de outubro

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Ficha Técnica

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Serviço

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