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“Helena Blavatsky, a Voz do Silêncio” traz a noite derradeira da polêmica autora russa do século 19

Sinopse

Monólogo estrelado por Beth Zalcman é um inventário minucioso dos pontos mais importantes de sua vida e das ideias revolucionárias que espalhou pelo mundo

Por Sérgio Roveri

A filósofa e professora Lúcia Helena Galvão resolveu conceder a Helena Blavatsky uma noite, a última de sua vida, para que a famosa pensadora e escritora russa pudesse promover, sozinha em um quarto mal iluminado no inverno londrino, um inventário minucioso dos pontos mais importantes de sua vida, das ideias revolucionárias que espalhou pelo mundo, dos livros que escreveu e, não menos importante, das injustiças das quais ela e sua vasta obra foram vítimas. É por esta trilha confessional que caminha o monólogo Helena Blavatsky, a Voz do Silêncio, estrelado pela atriz Beth Zalcman, que volta ao cartaz no no Teatro Itália Bandeirantes, marcando a estreia de Galvão, também poetisa e palestrante, na escrita teatral. 

Madame Blavatsky, como passou a ser mundialmente conhecida Helena Petrovna Blavatsky, nascida em 1831 numa região do antigo império russo que hoje faz parte da Ucrânia, não é uma figura estranha aos palcos brasileiros. Ela já foi levada à cena em 1980 pela atriz Walderez de Barros, na peça Madame Blavatsky, escrita por Plínio Marcos. Em 2003, sob o comando do diretor Iacov Hillel, a atriz Eliana Guttman explorou o lado místico e paranormal da escritora no espetáculo O Enigma Blavatsky, texto de José Rubens Siqueira que abria espaço para levitação e movimentação de objetos sozinhos.

Cena de Helena Blavatsky, a voz do silêncio , com Beth Zalcman. Foto Andréa Menegon

Mais recentemente, foi a vez da atriz Mel Lisboa dar voz à personagem no solo Madame Blavatsky – Amores Ocultos, texto da dramaturga Claudia Barral. A escritora russa, morta em 1891 aos 59 anos, que foi um dos pilares da teosofia moderna e uma das fundadoras da Sociedade Teosófica, deverá ser retratada ainda em um documentário a ser conduzido pelo cineasta e diretor de tevê Pedro Carvana

“Eu acredito que o público atual começa finalmente a entender quem foi Helena Blavatsky, uma pensadora bastante injustiçada e caluniada pelos seus contemporâneos”, diz Lúcia Helena Galvão que, ao ser convidada para escrever Helena Blavatsky, a Voz do Silêncio, pela atriz Beth Zalcman e pelo diretor da montagem, Luiz Antonio Rocha, entregou a eles um calhamaço de textos que necessitou de cortes e ajustes para chegar aos 60 minutos da montagem. “É natural que comecemos a entender a importância dela como compiladora de tantas tradições, como uma visionária que descrevia os rumos que a ciência tomaria no futuro. Ela oferece uma contribuição fora do comum para quem quer conhecer um pouco sobre as tradições mais profundas de vários povos ao longo da história. Isso agora tem vindo à tona e ela tem sido cada vez mais reconhecida como uma pensadora séria que foi vítima de muitas injustiças no seu tempo”.

Beth Zalcman no monólogo Helena Blavatsky, a voz do silêncio. Foto Andrea Menegon

A dramaturga explica que a solidez do trabalho de Madame Blavatsky começou a ser resgatada ainda na metade do século passado, quando um parecer emitido por várias sociedades de pesquisas psíquicas assegurou que era totalmente falso um laudo, divulgado quando ela ainda era viva, que a acusava de impostora. “Existe algo bastante comum na história: quando uma pessoa é caluniada, ainda que depois haja um desmentido, o que fica na memória das pessoas é a calúnia, e não o desmentido”, diz Galvão. “Lendo as obras de Blavatsky, encontrei um patrimônio de pesquisa sobre tradições com uma profundidade impossível de encontrar em qualquer outro autor. Mas havia os que a caluniavam, as que enxergavam nela uma figura folclórica e polêmica. Polêmica ela tinha de ser mesmo, porque era impossível ter pontos de vista tão fortes sem ser polêmica”. Ainda de acordo com a professora, “de folclórico ela não tinha nada, era uma pessoa dotada de poderes paranormais e que eventualmente os usava como uma forma de divulgar o seu trabalho, mas era sobretudo uma pensadora séria e dedicada à busca da verdade”.

O diretor Luiz Antonio Rocha afirma que acalentava o desejo de imprimir sua digital cênica sobre Blavatsky desde os 30 anos de idade, quando conheceu a obra da autora russa por intermédio da terapeuta que frequentava na época. “Passaram-se 22 anos até que eu finalmente tivesse a chance de mostrar no palco a história desta visionária do século 19 que influenciou tantos artistas, cientistas e intelectuais”, diz ele. “Minhas peças são muito simples, e se concentram na palavra e no trabalho do ator. Acredito num teatro espiritual, acredito na conexão direta com o sagrado. As minhas escolhas no teatro têm sido pautadas na existência humana, morte e vida me fascinam e saio de cada processo transformado e mais vivo”.

O monólogo Helena Blavatsky, a voz do silêncio, com Beth Zalcman. Foto Andréa Menegon

Antes de encomendar o texto à professora Lúcia Helena Galvão, Rocha explica que ele mesmo tentou, ao lado de Beth Zalcman, dar conta da dramaturgia. “Eu tinha uma pasta com uma pesquisa pessoal pronta, alimentada ao longo de vários anos com livros, revistas e recortes de jornais, além da própria peça escrita pelo Plínio Marcos”, diz ele. “Mas o texto do Plínio, por focar apenas nos poderes paranormais de Blavatsky, não correspondia exatamente ao que eu imaginava. Eu e a Beth tentamos então escrever, mas foi impossível para nós em função da dificuldade do tema”.

O diretor acrescenta que a chegada de Lúcia Galvão ao projeto mudou bastante o entendimento equivocado que ele, a atriz e a maioria das pessoas tinham a respeito da escritora, lembrada sempre como uma grande bruxa. “Lúcia Galvão trouxe uma visão filosófica, da Blavatsky como grande pensadora, desmistificando o mito e facilitando a compreensão de seu legado através da filosofia.”

Serviço

Helena Blavatsky, a Voz do Silêncio

Teatro Itália Bandeirantes, Av. Ipiranga, 344, República.

Quintas, sextas e sábados, 20h. Domingos, 19h. R$ 100

Ingressos: R$ 100 e R$ 50

Até 22 de outubro

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Ficha Técnica

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Serviço

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