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“Eddy” se constrói a partir de três livros do escritor Édouard Louis

Sinopse

O fim de Eddy”, “História da violência” e “Mudar: método”, obras emblemáticas do escritor francês, estão no espetáculo que chega a São Paulo depois de grande sucesso no Rio de Janeiro

Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 23 de junho de 2026)

Desde sua primeira visita ao Brasil em 2024 na Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, o autor francês Édouard Louis tem marcado presença por aqui. No início deste ano, voltou ao país não apenas como escritor, mas como ator em Quem Matou Meu Pai, uma adaptação dirigida por Thomas Ostermeier, baseada em sua própria obra autobiográfica, dentro da programação da Mostra Internacional de Teatro, em São Paulo. 

Não bastasse ter se consolidado como um fenômeno de vendas no Brasil, há um grande interesse em produções teatrais na realização de adaptações de seus livros para o teatro. O núcleo de pesquisa e criação teatral Polifônica juntou em apenas um espetáculo três obras de Édouard: O fim de Eddy, História da violência e Mudar: método.

Com direção de Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky, Eddy – violência & metamorfose chega a São Paulo para uma temporada no Teatro FAAP após grande sucesso na capital carioca onde foi indicado ao Prêmio APTR 2025 nas categorias de melhores direção, ator protagonista e direção de movimento.  

João Côrtes e Julia Lund em cena de em Eddy. Foto Elisa Mendes

O espetáculo aborda temas urgentes como violência de classe, de gênero e sexual, homofobia, machismo e xenofobia e dá continuidade à pesquisa da Polifônica a respeito da violência e da dominação masculina nas relações humanas e suas devastadoras consequências. 

“Ao longo dos últimos dez anos de trabalho, buscamos, através de cada obra, propor uma reflexão coletiva acerca das consequências da desmedida ânsia masculina por poder, controle, dominação e submissão; sobre como isso produz danos nos mais diferentes corpos – humanos, além de humanos e de toda a Terra —, mas, principalmente, em tudo aquilo que se aproxima ou é identificado como feminino”, elabora o diretor Luiz Felipe Reis.

A montagem gira em torno de um episódio real vivido por Édouard Louis no Natal de 2012, em Paris. Após um jantar com amigos, ao voltar para casa, o escritor é abordado por um jovem de origem argelina, chamado Redá, e, então, os dois seguem para o apartamento do escritor, mas após uma noite de amor, na manhã seguinte, Édouard é violentado por este homem e quase assassinado. 

Este episódio traumático é elaborado no livro História da Violência. Ao longo do espetáculo, essa narrativa se expande para outras duas obras do autor e a dramaturgia é atravessada por trechos de O fim de Eddy, culminando na recriação de fragmentos de Mudar: método, obra em que Édouard reconta sua trajetória de emancipação social e intelectual, desde a saída da sua cidade natal, Hallencourt, até a sua chegada e estabelecimento em Paris.

Eddy também dá sequência à pesquisa estética da Polifônica acerca da noção de polifonia cênica, em que busca estabelecer uma relação criativa e não hierárquica entre o teatro e diferentes linguagens e formas de arte, como o cinema, a literatura e o som — pesquisa elaborada desde o primeiro espetáculo da companhia. O espetáculo traz no elenco João Côrtes, Julia Lund e Erom Cordeiro.

Serviço

Eddy

Teatro Faap. Rua Alagoas, 903

Terças, quartas e quintas-feiras, 20h. R$ 130

Até 6 de agosto (estreia 23 de junho)

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Ficha Técnica

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Serviço

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