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“Nasci para ser Dercy” volta em cartaz em São Paulo após mais de dois anos de sucesso

Sinopse

Ganhadora dos Prêmios APCA e Shell de Melhor Atriz interpretando Dercy Gonçalves, Grace Gianoukas retoma temporada em São Paulo para firmar o legado de umas das artistas brasileiras mais irreverentes do país

Por Redação Canal Teatro MF

Dercy Gonçalves (1907-2008) talvez tenha sido a atriz mais longeva do teatro brasileiro. Com uma verve afiada e um humor debochado, viveu até os 101 anos e, quando tinha 84, foi homenageada e desfilou pela escola de samba Unidos de Viradouro no carnaval do Rio de Janeiro, exibindo os seios no alto de um carro alegórico.

Era uma mulher que tinha muita história pra contar e fazia isso sem a menor dificuldade. E, se ela não está mais aqui pra seguir relatando seus ‘causos’, o teatro lhe presta uma homenagem. Após mais de dois anos de sucesso, o espetáculo Nasci para ser Dercy volta em temporada no Teatro Itália, em São Paulo. 

O monólogo estrelado pela atriz Grace Gianoukas, criadora do cultuado projeto Terça Insana no início dos anos 2000 e referência no humor brasileiro contemporâneo, revisita a trajetória de uma das artistas mais transgressoras e influentes da cultura brasileira. 

Grace Gianoukas em Nasci para ser Dercy. Foto Heloisa Bortz

Em cena, a atriz revive momentos marcantes da trajetória de Dercy, destacando não apenas sua faceta cômica, mas também seu papel pioneiro na transformação da comédia brasileira e na ampliação do espaço das mulheres nos palcos. A montagem combina humor, emoção e crítica social, com participação em voz off de Miguel Falabella

Escrita e dirigida por Kiko Rieser, a peça acompanha Vera, uma atriz que, durante um teste para interpretar Dercy Gonçalves, questiona os estereótipos presentes no roteiro e passa a revelar a verdadeira essência da artista. Influenciada desde a infância pelo legado de Dercy, Vera mergulha na trajetória de uma mulher irreverente, autêntica e à frente de seu tempo, trazendo à cena uma reflexão sobre liberdade, feminilidade e arte.

“No final dos anos 1980, a partir de uma sugestão da atriz Christiane Tricerri, fui convidada pelo Jornal da Tarde para, ao lado de outras atrizes comediantes, assistir ao show de Dercy no teatro e conversarmos com ela no final. Foi ótimo! Ela nos tratou com muito carinho e disse uma coisa que eu nunca mais esqueci: ‘Evitem ficar tirando a roupa em qualquer trabalho. Enquanto vocês são jovens, muitas vezes a nudez é só exploração da imagem feminina, é só chamariz, não tem nada de arte. Deixem pra ficar nuas quando tiverem a minha idade. Uma velha nua é uma transgressão, traz questionamento, e isso é arte'”, lembra Grace.

Grace Gianoukas em outra cena de Nasci para ser Dercy. Foto Heloisa Bortz

“Convivi com várias mulheres de sua geração e sei dos horrores de moralismo, machismo e opressão social que elas passaram, e por isso admiro Dercy profundamente, pela força, inteligência, empreendedorismo e extraordinário talento como atriz, autora e produtora”, conclui a atriz.

Desde a estreia, o espetáculo já foi assistido por mais de cem mil pessoas em circulação nacional e rendeu à Grace Gianoukas os prêmios APCA e Shell de Melhor Atriz em 2024, além do prêmio I Love PRIO de Melhor Performance. Já Rieser recebeu o Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Dramaturgia Original.

Serviço

Nasci para ser Dercy

Teatro Itália. Avenida Ipiranga, 344 – Subsolo.

Em junho: sábados e domingos, 17h. Em julho: sábados, 20h. Domingos, 19h. R$ 100

Até 26 de julho (reestreou 6 de junho)

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Ficha Técnica

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Serviço

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