Baseado em documentos reais, espetáculo de Raissa Gregori e Alexandre Dal Farra convida o público a refletir sobre amor, poder, heranças familiares e os modos pelos quais a violência continua a se reproduzir nas relações contemporâneas
Por Redação Canal Teatro MF (publicado em 14 de julho de 2026)
Raissa Gregori e Alexandre Dal Farra se uniram na dramaturgia para criar Divórcio, em cartaz no Complexo Cultural Funarte SP. O ponto de partida foram duas questões: o que aproxima uma mulher da elite paulistana em processo de separação nos anos 1980 de uma migrante nordestina presa a sucessivos relacionamentos abusivos? E o que conecta essas histórias às dúvidas, contradições e experiências de mulheres e homens que vivem relacionamentos hoje?
A peça se estrutura em quatro narrativas. Em cena, Maria Helena tenta compreender o fim de um casamento marcado pelo patriarcado. Já Maria Sansão busca escapar de uma estrutura opressora que parece se repetir a cada novo relacionamento. E outras duas mulheres contemporâneas compartilham inquietações sobre amor, trabalho, maternidade e autonomia.

Ao mesmo tempo, dois homens tentam entender seus próprios comportamentos e o lugar que ocupam dentro de uma sociedade ainda marcada pelo machismo.
O ponto de partida para a pesquisa e criação da peça foi a descoberta de um conjunto de cartas que documenta um doloroso processo de divórcio em uma família de classe média alta, em São Paulo, na década de 1980.
A partir dessa correspondência, a psicóloga Cecília Galvani descobriu um registro histórico das dinâmicas de poder que atravessam as relações de gênero e se perpetuam através de gerações. As cartas desencadearam uma ampla pesquisa sobre expressões do patriarcado e sua ressonância em diferentes classes sociais. A investigação envolve o público e o convida a refletir sobre facetas desta forma de violência social que oprime não apenas mulheres, mas pessoas de todos os gêneros – inclusive os homens.

A dramaturgia criada por Raissa Gregori e Alexandre Dal Farra foi construída a partir do encontro entre ficção, pesquisa documental e testemunhos reais de mulheres vítimas de violência.
“Queríamos retratar a violência de gênero em diferentes épocas e condições sociais, mas também encontrar uma forma de dialogar com os homens e convidá-los a se implicarem nessa discussão”, afirma Raissa, que dirige a montagem e divide a cena com Dina Alves, atriz e ativista.
Serviço
Divórcio
Complexo Cultural Funarte SP – Sala Carlos Miranda. Alameda Nothmann, 1058
Sextas e sábados, 20h. Domingos, 18h. R$ 50
Até 26 de julho (estreou em 3 de julho)
