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“Língua” reflete sobre a nossa dificuldade de comunicação

Sinopse

Encenado em português e em libras, espetáculo ganhador do Prêmio Shell de dramaturgia parte dos obstáculos enfrentados na comunicação em uma festa que reúne um aniversariante surdo rodeado de pessoas ouvintes

Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 8 de junho de 2026)

Do desejo de construir uma ficção em que espectadores surdos pudessem se reconhecer emocionalmente em cena e não apenas acessar uma obra por meio do recurso da acessibilidade, ou seja, de uma tradução, o dramaturgo e diretor Vinicius Arneiro e o ator Felipe Codeço se propuseram a criar um espetáculo em duas línguas: a portuguesa e a LIBRAS.

O texto escrito a partir deste intuito resultou no espetáculo Língua, ganhador do Prêmio Shell no Rio de Janeiro na categoria dramaturgia no ano de 2025. Após uma breve passagem no ano passado por São Paulo dentro da programação da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, o espetáculo estreia no Teatro Anchieta do Sesc Consolação.

Na trama, uma mãe prepara uma festa de aniversário para seu filho surdo que cresceu rodeado de pessoas ouvintes. O encontro, que reúne um pequeno grupo de amigos do rapaz, revela afetos, mas também dilemas e a diferença cultural entre eles. O tema, aparentemente simples, se desdobra em uma investigação sobre linguagem, tradução e afeto.

Cena do espetáculo Língua. Foto Renato Mangolin

Durante a celebração, os personagens estão apenas tentando conversar normalmente. O público ouvinte acompanha a narrativa a partir do olhar de Félix, personagem que não domina LIBRAS e depende da mediação dos outros para compreender as conversas. “A peça fala justamente desse descompasso entre sentir algo e conseguir expressar”, afirma o diretor e dramaturgo Vinicius Arneiro. “Percebi que a peça não era apenas sobre LIBRAS e português. Ela começou a tocar numa questão mais profunda: a dificuldade humana de comunicação”, comenta.

“Nosso trabalho promove a inclusão no sentido mais pleno da palavra, porque promovemos a equidade linguística. Não usamos intérpretes de LIBRAS em cena, porque o espetáculo é encenado em duas línguas. Ouvintes e não ouvintes conseguem prestar o mesmo nível de atenção nas cenas: não precisam escolher entre olhar para o intérprete ou para a ação. Ou seja, o envolvimento emocional é muito maior”, coloca o diretor.

Ao mesmo tempo, Língua não tem a surdez como seu tema principal. Aos poucos, a festa revela camadas mais profundas da relação entre mãe e filho, marcada por afeto, superproteção e atitudes capacitistas muitas vezes involuntárias. “A peça também olha para essas relações atravessadas por dependência emocional e pelo desejo de proteção”, completa Arneiro. 

Serviço

Língua

Sesc Consolação – Teatro Anchieta. Rua Dr. Vila Nova, 245

Quinta a Sábado, 20h. Domingo, 18h. Sessões extras dias 12 e 26/6, Sextas, 15h. Não haverá sessões dias 13 e 19/6 (Jogos do Brasil na Copa). R$ 60

Até 28 de junho (estreou em 5 de junho)

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Ficha Técnica

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Serviço

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