Musical com versão e direção de Tadeu Aguiar ganha montagem mais vibrante e humanizada, estrelada por Sara Sarres
Por Ubiratan Brasil (publicada em 13 de maio de 2026)
Quando assistiu ao musical Diana no exterior, o diretor e produtor Tadeu Aguiar gostou da ideia mas não da realização. “O original me pareceu exagerado na produção, com muito dourado, cenários com móveis pesados. Isso desviou a atenção da profundidade dos personagens. Era um visual estético, mas personagens vazios”, disse ele que, ao comprar os direitos do espetáculo, remodelou-o para um trabalho mais humanizado.
O resultado é Diana – A Princesa do Povo, requintado musical que chega a São Paulo, no Teatro Liberdade, depois de uma temporada no Rio de Janeiro. O espetáculo acompanha Diana Francis Spencer (1961-1997) a partir de 1980, quando conheceu o então príncipe Charles, até sua trágica morte na madrugada do dia 31 de agosto de 1997, quando o carro que a transportava perdeu o controle e se chocou violentamente contra uma parede em um túnel em Paris.
“Diana tornou-se um ícone, um símbolo de nobreza, de humanidade, de amor, de afeto, de caridade”, comenta Aguiar, que convidou Sara Sarres, uma das mais importantes intérpretes do musical brasileiro, para viver Diana. E, ao contrário do original, investiu em nuances mais próximas da realidade emocional da princesa, abordando sua humanidade, complexidade e força.

“Diana traz uma humanidade, um calor, um desejo de transformar as coisas que é muito afim ao brasileiro e esse é o tom do espetáculo. Era preciso trazer essa Diana humana, transformadora, vencedora, aquela que consegue trazer o conforto não só para ela, mas também para a população”, comenta Eduardo Bakr, que assina a produção geral. “A montagem traz referências da realeza nos figurinos, na construção de cada personagem, na questão da distância que a própria realeza impõe ao povo e a Diana sendo a transgressora, a que vai romper com isso e, de certa forma, transformar a realeza.”
Com música e letras de David Bryan (tecladista do Bon Jovi) e Joe DiPietro, também autor do libreto, o espetáculo nacional ganhou um tom mais forte no rock, o que também refletia o espírito indômito da princesa. “Diana era Elton John, Fred Mercury, The Purple, músicos que ela gostava. Logo no início, há uma cena em que Charles a leva para um concerto que, na cabeça dela, se transforma em um concerto de rock. Isso dá o tom também do espetáculo”, comenta Bakr.
É nesse concerto que ela conhece Camilla Parker Bowles, que já era amante de Charles e hoje é a atual Rainha Consorte do Reino Unido e dos demais Reinos da Commonwealth. “O grande diferencial de Diana foi ser um membro da realeza que tocava o povo e permitia ser tocada. A realeza britânica não tem esse costume de abraçar o povo, o que ela justamente fazia. Diana também abraçava causas sociais em uma época em que era difícil para uma mulher ter a própria voz”, comenta Sara Sarres.

Já Giselle Prattes, intérprete de Camilla, vê sua personagem como uma mulher destemida em seus objetivos. “Ela sempre amou muito o Charles e tinha tudo para a relação acontecer caso ele não fosse membro da família real. Ela era uma menina quando se apaixonou por ele e viveu à espera desse amor até finalmente acontecer. Com a morte da Diana, ela passou por momentos difíceis, sofrendo acusações, mas resistiu. Sempre foi uma mulher determinada, com foco”, afirma.
A terceira figura feminina decisiva na história é a Rainha Elizabeth II, mulher que dedicou sua vida à coroa britânica. “Como rainha, ela precisava seguir protocolos, não revelar empatia, aparentar a dureza de uma rocha”, afirma a atriz Simone Centurione. “Ela precisa manter uma rigidez que foi quebrada pela Diana. Imagino que foi um turbilhão de obrigações para uma mulher que precisava se manter sempre dura e ainda não se render ao pedido dos outros. Daí a demora dela em reagir à morte da Diana.”

“Lady Di e rainha Elizabeth eram mulheres icônicas e a ausência delas tira o brilho da família real. Eram duas personalidades muito fortes, elas sabiam o que queriam. E a peça se passa durante um período muito conturbado na Inglaterra, entre os anos 1980 e 1990, quando Margaret Thatcher era a primeira-ministra e entrou em um confronto político e ideológico com o Partido Trabalhista, o que resultou em greves. Ao contrário da versão americana, que ignora tais fatos, a nossa faz referências a esses momentos históricos”, comenta Aguiar.
E, em meio a esse turbilhão, o então príncipe e hoje Rei Charles III desponta na trama como um homem fragilizado, no entender de seu intérprete Claudio Lins. “Um vilão normalmente não se vê como tal. Charles não foi um homem sensível às questões relacionadas a Diana, mas não devemos buscar uma vilania nesse personagem. Ao contrário, temos de encontrar a humanidade, até porque todo vilão é humano”, acredita. “Um dos grandes desafios desse papel é buscar a fleuma britânica e ao mesmo tempo manter uma naturalidade, uma verdade, uma sinceridade para que o público não estranhe o personagem.”
Serviço
Diana – A Princesa do Povo
Teatro Liberdade. Rua São Joaquim, 129
Sextas, 20h. Sábados, 16h e 20h30. Domingos, 15h e 19h30. R$ 50 / R$ 340
Até 6 de julho (estreia 15 de maio)
