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“Gil – Andar com Fé” retrata o artista que inspira gerações

Sinopse

Musical acompanha a trajetória de Gilberto Gil, especialmente o período em que viveu exilado em Londres ao lado de Caetano Veloso

Por Ubiratan Brasil (publicado em 25 de agosto de 2026)

Cerca de 800 candidatos participaram da seleção do elenco do musical Gil – Andar com Fé, em cartaz no Teatro Santander, em São Paulo. O maior objetivo era definir o ator que interpretaria o protagonista e, entre três finalistas, o escolhido foi o mineiro Gui Ventura. “Sempre apresentei as canções do Gil graças à semelhança física e também de voz”, conta ele.

Escrito por Newton Moreno e dirigido por Miguel Falabella, o musical acompanha a trajetória de Gilberto Gil a partir do período do exílio em Londres, momento decisivo em que sua vida e obra ganham novas camadas de significado. A partir desse ponto, o espetáculo conduz o público por lembranças que resgatam sua formação no sertão de Ituaçu, a efervescência de Salvador, os palcos do Rio de Janeiro e de São Paulo e episódios marcantes como o histórico show de despedida Barra 69, que antecedeu sua partida forçada do país.

Henrique Zamith (Caetano) e Gui Ventura (Gil) no musical Gil – Andar com Fé. Foto Caio Gallucci

“Não me interessava criar uma biografia convencional, em que a trajetória da pessoa é contada cronologicamente”, conta Moreno. “Daí a importância de um personagem fictício, o Tempo Rei, que conduz a narrativa e tem o poder de avançar e recuar no tempo”, continua o dramaturgo, que tem outras duas obras em cartaz em São Paulo, o monólogo A Última Cova, com precisa interpretação de Marco França, e Piaf – Eu Não me Arrependo, biografia de Édith Piaf defendida com maestria por Laila Garrin.

Para criar a concepção de Gil – Andar com Fé, Falabella baseou-se na força da geração na qual o cantor estava inserido, especialmente nos anos 1960 e 1970, marcados por turbulência na política provocada pela ditadura militar. “Eu imaginei, conceitualmente, um espetáculo que homenageasse uma geração que foi de suma importância para as artes brasileiras. E que é exatamente a de Gil e Caetano, e que se estende pelas artes plásticas. No início do processo, eu me inspirei no trabalho da Lygia Clark (1920-1988), pensando em como as articulações de suas esculturas poderiam ser traduzidas no palco.”

Cena do musical Gil – Andar com Fé. Foto Felipe Menezes

“Gil é um compositor, um cantor muito rítmico. Além de ser um letrista incrível, um pensador, ele tem uma complexidade na música com a qual eu não estava acostumado a trabalhar”, comenta o diretor musical Thiago Gimenes. “O som vem da guitarra, enquanto sou pianista. Minha pesquisa foi entender seus vários arranjos, porque ele mudou ao longo das décadas a maneira com que escutava as próprias canções.”

Em seu trabalho de criação, Gui Ventura planejou fazer uma homenagem e não uma cópia. “Busquei primeiro as interseções, o que eu tenho que talvez ele tenha, quais são essas características e trabalhar isso a favor. Depois foi o mergulho para ficar impregnado de gestos, ritmos e a melodia porque Gil é um cara muito musical, até na fala. Sem querer copiar para que flua naturalmente”, conta.

Trabalho semelhante o realizado por Henrique Zamith, intérprete de Caetano Veloso. “É muito delicado, porque são figuras com fases muito distintas que são retratadas nos momentos certos. Minha maior dificuldade é não ficar caricato ao retratar um homem baiano”, conta ele, que não tem nenhuma relação com o trabalho do Caetano, mas sempre ouviu comentários sobre seu timbre de voz, semelhante ao do músico.

“O maior desafio de fazer Caetano é colocar a militância, porque Gil sempre foi o cara que assentava as situações com sua positividade. Busco tanto a tranquilidade do Caetano como sua militância porque é um cara que sempre bateu de frente. Busco esse balanceamento sem extremismos.”

O portentoso cenário criado por Natália Lana promove uma viagem às artes plásticas brasileiras daquele período, com referências tanto às bandeirinhas de Volpi como o trabalho engajado de Helio Oiticica e de Hélio Eichbauer, um dos principais renovadores da cenografia brasileira moderna. O resultado é um cenário eficiente e belo.

Serviço

Gil – Andar com Fé

Teatro Santander – Complexo JK Iguatemi. Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2041

Quintas e sextas, 20h. Sábados, 16h e 20h. Domingos, 15h e 19h. R$ 50 / R$ 400

Até 11 de outubro (estreou 20 de agosto)

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Ficha Técnica

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Serviço

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