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Um cosmonauta russo no sertão do Cariri: que brincadeira é essa?

Sinopse

E se Yuri Gagarin caísse com sua nave no quintal de uma numerosa família cearense? Esse é o mote do espetáculo “O Kosmonauta: Um Pagode Russo”, em cartaz no Sesc Bom Retiro – um musical infantil cheio de surpresas, com humor físico de circo, canções divertidas e diálogos inteligentes

Por Dib Carneiro Neto (publicada em 24 de julho de 2026)

Magnífico é constatar, a cada novo espetáculo de teatro para crianças, o quanto não há limites para os voos de imaginação dos dramaturgos, encenadores e seus elencos. Essa gente tem cada ideia… Passaram pela fila de criatividade, saíram carregados de consistência e conteúdo e vivem nos inundando com seus achados luminosos e insuspeitados. Falo isso a propósito da estreia, na semana passada, no Sesc Bom Retiro, do infanto-juvenil O Kosmonauta: Um Pagode Russo, do Grupo Carraspano, que vai seguir em temporada até 23 de agosto. Sabe qual o enredo? Yuri Gagarin, quem diria, foi parar no Cariri. O primeiro homem a viajar pelo espaço despenca lá do alto, em pleno sertão cearense, e é ‘adotado’ por uma numerosa família nordestina. O que será que vai se passar com ele, um russo descobrindo as peculiaridades de um Brasil profundo?

No material de imprensa, lê-se que é um espetáculo que balança “entre brincadeiras, teatro físico e momentos de ternura”.  A diretora convidada, Fernanda Castello Branco, excelente atriz da premiada Companhia Delas, conta que a família da Costa, retratada na história, é uma família numerosa, com 10 filhos. “Nem todos estão em cena, mas essa atmosfera das crianças com as brincadeiras entre irmãos está na narrativa e no jogo entre os atores”, explica ela. “É um elenco multitalentoso, todos cantam, tocam, se revezam entre os instrumentos, personagens e narradores, executam a trilha sonora ao vivo e estão sempre em cena, como uma trupe contando e cantando a história. Há também alguns números circenses. Procurei aproveitar todas essas habilidades, mesclando uma dinâmica mais física com momentos mais poéticos na cena.”

No transcorrer do espetáculo, aparecem temas como Pangeia, Corrida Espacial e Guerra Fria. A diretora explica o motivo dessas escolhas. “Eu acredito que podemos falar de quase todos os temas nas peças infantis, o desafio é em que dose e como”, declara. “Esses temas específicos que você citou aparecem dando um contexto do momento histórico em que a peça se passa. O que estava acontecendo no mundo enquanto a família da Costa vivia sua história no seu quintal. E essas realidades se encontram com uma chegada inesperada. Mas são temas que estão mais como pano de fundo e são abordados de maneira lúdica e leve na peça.” 

Ela conta que a estreia, no domingo passado, não poderia ter sido melhor. “Foi uma delícia! O público estava muito junto, se divertiu, riu, aplaudiu, se emocionou. Ficamos surpresos e felizes com as reações. Teatro acontece mesmo com o público, né? É o último elemento que entra e o que faz a magia acontecer para que a história seja contada.”

O elenco do infantil O Kosmonauta: um pagode russo. Foto Karina Consani

A peça é um musical. “A música é o que dá o tom da peça, é o fio condutor da emoção na história”, diz Fernanda. A direção musical é de Alex Huszar e as composições são dele e Leo Raoni, que também assinam a dramaturgia junto com Juno. O time é de feras mesmo, incluindo Marisa Bentivegna no cenário e iluminação e Chris Galvan nos figurinos. No elenco, Alex Huszar, Leo Raoni, Luan Frenk, Marina Gatti, Michelle Caprioli, Pedro Guimarães e Wesley Salatiel. 

“Dirigir é um desafio recente”, comenta Fernanda Castello Branco. “Em 2024, a atriz Juliana Araújo me chamou para dirigir um projeto dela, no qual ela fez uma adaptação para o teatro do romance A Filha Perdida, da escritora italiana Elena Ferrante. Chamei a Paula Weinfeld, minha parceira da Companhia Delas, para dirigirmos juntas e fizemos uma dupla direção para o espetáculo. Em 2018, eu fui assistente de direção da Thaís Medeiros (também parceira de Companhia Delas) no espetáculo O Dia Em Que Minha Vida Mudou Por Causa De Um Chocolate Comprado Nas Ilhas Maldivas e comecei a exercitar esse olhar de fora. Comecei a gostar desse desafio. Sinto que é um pouco como estar em outra posição do jogo. Na Companhia Delas, nós sempre participamos de tudo para além de atuar (produção, adaptação, criação de dramaturgia) e sempre tivemos uma visão mais global do processo de criação. Essa experiência com certeza me formou.” 

Ela relata que, ainda assim, sentiu receio ao ser chamada para O Kosmonauta. “Fiquei super feliz, mas com frio na barriga por ser um musical, uma história que se passa no sertão do Cariri, um elenco grande que eu ainda não conhecia. Tinha receio de cair em estereótipos, mas a dramaturgia é muito bem construída e passa longe disso. Fomos seguindo essa trilha, lapidando e encontrando como contar a história de maneira divertida, dinâmica e emocionante. Fiquei muito feliz com o resultado e tenho gostado cada vez mais de também me aventurar na direção.’’

Serviço

O Kosmonauta: um pagode russo

Sesc Bom Retiro. Alameda Nothmann, 185

Domingos, 12h. Quinta-feira, dia 13/8, 10h e 14h. R$ 40

Até 23 de agosto (estreou em 19 de julho

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Ficha Técnica

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Serviço

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