O melhor do teatro está aqui

topo

“Adorável Desgraçada” traz mulher atormentada pela solidão e conflitos internos

Sinopse

Monólogo escrito por Leilah Assumpção, peça conta com Mey Füchter em uma jornada de autodescoberta e redenção

Por Ubiratan Brasil (22 de julho de 2026)

A dramaturgia de Leilah Assumpção se destaca por um fio condutor comum em seu trabalho: a polêmica discussão do papel feminino, que questiona prazer e poder. Ela estreou em 1969 já em alto nível, com Fala Baixo Senão Eu Grito, sobre uma solteirona marcada por recalques e que inicia uma cruel viagem existencial – a montagem inicial contou com a exuberante presença de Marília Pêra no papel de Mariazinha.

Roda Cor de Roda (1975), reputada por muitos como o melhor texto dramatúrgico de Leilah Assumpção, aprofunda a análise sobre a mulher que ela desenvolvia ao longo de seu trabalho. O texto, defendido com garra por Irene Ravache, mostra a mulher que, ao descobrir que o marido tem uma amante, transforma a própria casa em um bordel.

Os temas levantados por Leilah, sempre atuais, oferecem papéis consagradores para atrizes. É o desafio bem enfrentado pela catarinense Mey Füchter, protagonista de Adorável Desgraçada, que chega ao Teatro Commune. O monólogo, originalmente estreado em 1994, traz conflitos e angústias de Guta em sua jornada de autodescoberta e redenção.

Com direção de Ricardo Eche, a montagem mostra Guta isolada em seu apartamento e presa em suas próprias crenças conflitantes. Ela se vê atormentada pela lembrança de Maribel, uma amiga de infância que de repente reaparece em sua vida. A relação entre Guta e Maribel é central na peça, simbolizando a luta entre a coragem e o medo, a confiança e a dúvida, o medo e a ousadia, a liberdade e a prisão.

A peça é ambientada em 16 de Novembro de 1993 e o cenário reproduz uma sala de estar com poltrona, TV, mesa com uma árvore de Natal e presentes, além de um crucifixo, tapetes e acessórios da época. Residentes em Munique, na Alemanha, Mey e Eche apresentam o monólogo em português também em turnê pela Europa.

Mey Füchter no monólogo Adorável Desgraçada, de Leilah Assumpção. Foto Divulgação

Citado pela Enciclopédia Itaú Cultural, o crítico Yan Michalski analisou o trabalho de Leilah, em texto presente no livro Pequena Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Segundo ele, a dramaturga é uma das personalidades mais fortes da geração de autores que veio à tona no fim dos anos 1960 – e também uma das mais censuradas, nos anos do regime autoritário.

“Leilah tem preservado, na sua trajetória, uma apreciável coerência, criando alguns dos mais fortes personagens femininos da dramaturgia nacional dessas duas décadas; personagens que defendem altivamente os seus direitos e a sua condição de mulheres, através de uma linguagem na qual a veemência, o colorido coloquial e o humor se fundem para criar uma poética muito pessoal”, observa.

Serviço

Adorável Desgraçada

Teatro Commune. Rua da Consolação, 1218

Terças, quartas e quintas, 20h. Sábados, 16h. R$ 80

Até 15 de agosto (estreou em 21 de julho)

[acf_release]
[acf_link_para_comprar]

Ficha Técnica

[acf_ficha_tecnica]

Serviço

[acf_servico]