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Único monólogo escrito por Nelson Rodrigues, “Valsa nº 6” ganha nova montagem

Sinopse

Por meio de fragmentos, dramaturgia expõe acontecimentos que marcaram o assassinato da personagem, uma jovem de quinze anos; espetáculo inicia as atividades da Cia Cães Errantes

Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 8 de setembro de 2026)

Quando Nelson Rodrigues escreveu Valsa nº 6 em 1951, provavelmente não se guiou por uma necessidade de colocar em cena temas urgentes como a questão da violência de gênero e o abuso infantil, característica muito comum da criação teatral contemporânea, preocupada em atender pautas que permeiam a sociedade.

Fato é que, independentemente de ter ou não como norte um assunto a se digladiar em cena, o dramaturgo recifense que foi para o Rio de Janeiro ainda criança escreveu em sua época uma dramaturgia atenta aos costumes de uma comunidade carioca, mas universal e atemporal. Prova disso é a presença de suas dramaturgias nos palcos. Dirigido por Gabriel Starobinas e protagonizado por Fernanda Gidali, agora é a vez do seu único monólogo escrito, Valsa nº 6, ganhar uma nova montagem no Espaço Parlapatões

Forma comumente adotada pela escrita de Nelson – apresentar a história por meio de estilhaços que vão compondo uma narrativa –, ele fez isso em 1941 com Vestido de Noiva, no qual os acontecimentos escusos de duas irmãs vão se compondo em cena.

Fernanda Gidali em cena do monólogo Valsa Nº 6. Foto Cecília Gidali

Dez anos depois ele escreveu a história de Sônia, uma jovem assassinada aos quinze anos que tenta reorganizar os fragmentos da própria história. Entre lembranças confusas e lacunas, a personagem constrói e desconstrói sua narrativa, enquanto busca compreender os acontecimentos que levaram à sua morte.

Na montagem, texto e interpretação ganham foco central. Sem cenários ou figurinos que remetam a uma época específica, a encenação reforça o aspecto atemporal da obra, aproximando-a de questões urgentes da atualidade como a violência de gênero e o abuso infantil. A proposta é partir do minimalismo para criar uma experiência em que o público participe ativamente da reconstrução da história de Sônia.

A sonoplastia assinada por Nina Darin e o desenho de luz de Gabrielle Costa contribuem para a construção desse universo vazio e fragmentado, oferecendo diferentes possibilidades de leitura e convidando o público a mergulhar na perspectiva da personagem.

O espetáculo marca o início das atividades da Cia. Cães Errantes, que surge com a proposta de desenvolver trabalhos centrados no ator e na experimentação de linguagem.

Serviço

Valsa nº 6

Espaço Parlapatões. Pç. Franklin Roosevelt, 158

Dias 12, 29 e 30/09. 20h. R$ 70

Até 30 de setembro (estreou em 2 de setembro)

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Ficha Técnica

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Serviço

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