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“Despalhaço” aborda o tempo e a função social do artista 

Sinopse

Raul Barretto parte da própria trajetória para refletir sobre o tempo, envelhecimento e a permanência do artista em cena, combinando texto e improvisação com técnicas circenses como malabares, monociclo, chicote e facas para discutir o lugar da arte na sociedade contemporânea

Por Redação Canal Teatro MF (publicado em 24 de agosto de 2026)

Próximo de completar 70 anos e com mais de quatro décadas dedicadas ao teatro e ao circo, o palhaço e ator Raul Barretto, integrante e um dos fundadores do Grupo Parlapatões, resolveu revisitar, em seu mais novo espetáculo, experiências pessoais e transformações coletivas, sem deixar de discutir o lugar da arte na sociedade contemporânea.

Com o título Despalhaço, fazendo referência a constante prática de Barretto no universo da palhaçaria, a montagem reflete sobre o tempo, o envelhecimento e a permanência do artista em cena. Para isso, ele escolheu estar sozinho em seu primeiro solo adulto.

Feito que já realizou há quinze anos, mas na ocasião em um espetáculo para o público de crianças, O Bricabraque. Barretto assina ainda o texto e a direção da montagem, que reúne teatro, circo, improvisação, malabares e recursos audiovisuais com estreia no Auditório do Sesc Vila Mariana

Raul Barretto no solo Despalhaço. Foto Luis Doro

A contagem do tempo é um dos eixos da dramaturgia, que coloca em cena questões relacionadas à longevidade, à memória e às perspectivas de futuro em uma sociedade marcada pela aceleração e pela fragmentação. Assim, o texto se organiza em três planos temporais. O passado recupera momentos da carreira do ator e de sua relação com o teatro e a palhaçaria.

O presente aborda temas como desenvolvimento, sustentabilidade, inteligência artificial e a função social do artista. E o futuro aparece como um campo de dúvida e possibilidade, a partir do qual o espetáculo investiga outros modos de relação entre os seres humanos e o planeta.

“O mais urgente é reafirmar a importância de vivermos em comunidade e em harmonia, conseguindo divergir sem transformar o outro em inimigo. O palhaço mostra o ridículo que vivemos e pode nos levar a alguma consciência”, afirma Barretto.

Raul Barretto em outro momento do monólogo Despalhaço. Foto Luis Doro

Para a pesquisa, Barretto reuniu referências de diferentes áreas do conhecimento. Entre elas estão o filósofo Diógenes, os cientistas Marcelo Gleiser e Carl Sagan e estudos sobre a formação das sociedades humanas. A criação também dialoga com o trabalho do artista Jaider Esbell, da arqueóloga Niède Guidon e dos pesquisadores Eduardo Neves e Miguel Nicolelis.

O título do espetáculo sintetiza as transformações do artista ao longo da vida, sem representar um afastamento da palhaçaria. “O palhaço é uma criança eterna. Manter esse olhar, ao mesmo tempo inocente e crítico, é algo que o ser humano não deveria perder. A permanência no palco também nasce dessa busca pelo diálogo e pelo olho no olho”, diz Barretto.

Serviço

Despalhaço

Sesc Vila Mariana – Auditório (Torre A, 1º Andar). Rua Pelotas, 141

Quinta a sábado, 20h30. R$ 50

Até 5 de setembro (estreia 27 de agosto)

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Ficha Técnica

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Serviço

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