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Miacena espera 20 mil pessoas em uma programação concebida para espaços não-convencionais

Sinopse

Na terceira edição, mostra ocupa dezenove pontos da cidade com peças gratuitas que dialogam com a memória, a arquitetura e a circulação

Por Dirceu Alves Jr. (publicada em 11 de agosto de 2026)

Com o olhar apurado de quem frequenta festivais internacionais, a produtora e diretora Dani Angelotti percebeu que as peças que mais entusiasmavam o público nestas mostras extrapolavam os limites dos teatros convencionais. Eram aquelas encenadas nas ruas, em um cemitério, em um restaurante ou que promoviam qualquer interação com as cidades que sediavam os eventos.  

O Miacena – Mostra Internacional de Artes Cênicas em Espaços Não Convencionais e Alternativos chega a sua terceira edição nesta terça, dia 11, e se estende até o domingo da próxima semana, dia 22, consolidando uma proposta que começou a ser posta em prática em 2024: a de oferecer espetáculos de teatro, dança, circo e performance que dialoguem com a arquitetura, a memória e a circulação de cada um dos 19 espaços de São Paulo em que serão exibidos gratuitamente. 

Dani se juntou ao produtor e curador André Acioli, e eles desenvolveram um festival que ocupa ruas, praças, prédios, centros culturais, cafés e outros pontos que não necessariamente seriam imaginados para um evento teatral. “Percebemos que festivais de teatro são muitos no Brasil, mas não tínhamos um que se dedicasse a espetáculos em espaços não convencionais”, explica Dani. “O público gosta de viver essa experiência que vem do inesperado.”  

A expectativa é que, nos próximos dez dias, 20 mil pessoas aplaudam as 50 apresentações que mobilizam mais de 250 artistas, números que atestam o crescimento do Miacena. No ano passado, entre 22 de outubro e 1 de novembro, foram 15 mil pessoas em 44 apresentações envolvendo 150 profissionais. Neste 2026, mais de 700 projetos foram avaliados pela curadoria, entre eles produções da Colômbia, Peru, Chile, Argentina, Bolívia, Espanha e França. 

Cena do espetáculo TrabalhaDORES, da Zózima Trupe, destaque do Miacena. Foto Christiane Forcinito

A curadoria convidada, formada por Celso Curi, Federico Irazábal, Malu Barsanelli e Wesley Kawaai, peneirou 60 destas propostas, e a grade foi fechada de acordo com as possibilidades. “Para ter uma pluralidade e um equilíbrio de linguagens fizemos uma curadoria da curadoria”, afirma Acioli. “Pela primeira vez, a programação é dominada por espetáculos concebidos para espaços não-convencionais e não criados para uma relação tradicional de palco e plateia e adaptados para a mostra, como nos anos anteriores.”

Assim, caro leitor, você poderá andar pela cidade e encontrar teatro onde menos espera. Com direção de Cristiano Cimino, quatro bailarinas da Cia. Base desafiam a gravidade da fachada do prédio da Prefeitura Municipal no espetáculo Corpo Graffiti, marcado para o domingo, 16, às 14h. Com uma proposta mais interativa, a Zózima Trupe, por sua vez, apresenta TrabalhaDORES, que coloca o público dentro de um ônibus que vai partir da Praça Roosevelt no mesmo dia 16, às 18h. 

Criada em Nova York e inédita no Brasil, a performance Anamnesis, desenvolvida por Robson Catalunha sob supervisão do encenador estadunidense Bob Wilson, será vista na frente do Centro Cultural Banco do Brasil no dia 21, às 12h30. “A peça mostra um ser enjaulado e o estranhamento da situação se complementa com a reação das pessoas que passam e observando aquilo”, comenta Acioli. 

No mesmo dia, às 17h, o grupo Panorando, do Amazonas, apresenta Aboio: O Auto do Boi Cansado, montagem que parte das tradições do Boi-Bumbá e do Bumba-meu-Boi para discutir trabalho, exaustão e sobrevivência, na Praça Ramos de Azevedo, ao redor do Theatro Municipal.

Marco França em cena de A Última Cova. Foto Caio Oviedo

Com o centro da cidade ocupado, o Miacena, nesta edição, se expande por bairros próximos, como o da Liberdade, no caso ocupando a Capela dos Aflitos, a o da Bela Vista, com vários pontos, e o do Bom Retiro, que, no Complexo Cultural Oswald de Andrade, receberá monólogos, a exemplo de Salamaleque, com a atriz Valéria Arbex, no dia 22, às 18h, e Como Todos os Atos Humanos, protagonizado por Fani Feldman, a seguir, às 19h.

Carangueja, outro solo, este com a atriz carioca Tereza Seiblitz, será visto na sexta, dia 14, às 19h, na sala de ensaios do Centro Cultural Fiesp, na Avenida Paulista, mesmo espaço que vai receber, porém no Mezanino, 1 Peça Cansada, de Natasha Corbelino, às 20h, que também vem do Rio. Com a proposta de cativar toda a família, a Trupe Trapaceiros, de Franco da Rocha, região metropolitana de São Paulo, reúne circo e música em Forró Circense, na esplanada do mesmo Centro Cultural Fiesp no domingo, 16, às 11h. 

Entre as atrações internacionais, um dos destaques pode ser considerado o grupo argentino La China, dirigido por Juan Pablo Galimberti, que vem de Buenos Aires. Em La Gravedad de las Burbujas, cartaz da Casa Farofa no dia 20, às 20h, sete personagens vivem quatro histórias simultâneas dentro de diferentes cômodos de uma mesma casa, uma hora antes de um grande apagão. Cabe ao público a escolher os espaços a observar e montar a própria narrativa.

Inspirado no Fringe, a mostra alternativa do Festival de Edimburgo, na Escócia, o Puxadinho da Miacena abre a agenda para montagens que já tem espaços próprios para as apresentações, mas desejam a integração ao festival. A Última Cova, solo com o ator Marco França, no Espaço da Cia. da Revista, é uma delas. 

Entre as ações formativas, vale ficar atento aos debates que reunirão, por exemplo, os diretores Antônio Araújo, do Teatro da Vertigem, e Ricardo Karman, do Centro da Terra, na mesa Produzir o Improvável: A Criação Teatral em Espaços Não Convencionais, mediada por Federico Irazábal, do Festival Internacional de Buenos Aires (FIBA). “Estamos conquistando um reconhecimento do público e dos investidores e pretendemos começar a receber as visitas de programadores internacionais”, afirma Dani. “A nossa intenção é estruturar um catálogo artístico com obras e experiências apresentadas na Miacena para conectar as companhias a festivais e redes de circulação no exterior.”  

Serviço

Miacena – Mostra Internacional de Artes Cênicas em Espaços Não Convencionais e Alternativos

Consulte a programação completa em www.miacena.com

De 11 a 22 de agosto. Grátis

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Ficha Técnica

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Serviço

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