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“Massapê” faz um percurso histórico-cultural de uma família em diáspora

Sinopse

Memórias da família de Antonio Chapéu, fundador do grupo Andaime, criam espetáculo marcado pela cultura popular em um trajeto migratório afetivo e poético de Minas a São Paulo

Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 25 de maio de 2026)

Se fizéssemos uma escala das migrações feitas em território brasileiro ao longo dos tempos, teríamos um mapa com muitas linhas que se atravessam a perder de vista. Migrar é bastante comum em nosso país e fundante para a nossa formação. Famílias que abandonam suas cidades de origem vão em busca de vidas melhores. No caso de Antonio Chapéu, fundador do grupo Andaime, que completa 40 anos, o traço se faz desde o interior de Minas Gerais até a cidade de Piracicaba, no interior de São Paulo.

O espetáculo Massapê, que chega ao Sesc Belenzinho, foi construído a partir da pesquisa histórico-cultural da saga da família Silva desde a sua saída do interior mineiro, onde era submetida a trabalhos análogos à escravidão, até a sua chegada no interior paulista, há mais de 60 anos, para trabalhar nos canaviais da cidade, vislumbrando um futuro melhor. 

Cena do espetáculo Massapê. Foto Thiago Altafini

A narrativa do espetáculo, com dramaturgia de Solange Dias e direção de Rogério Tarifa, se constrói a partir de memórias reais e simbólicas de Chapéu, formando em cena um território híbrido entre o quintal de sua infância, a sala de memória e o palco de resistência. O tempo é simultâneo: presente e passado coexistem, convocando vozes, cantos, sombras e gestos que moldam o barro da existência, entrelaçando episódios de sua trajetória com referências à oralidade, à ancestralidade negra e às tradições do interior paulista, como a Folia de Reis, a música caipira e os saberes do ofício artesanal. 

“Minha família foi sempre ligada à cultura popular, à catira, à congada e às festas de Reis. Então eu sempre dava um jeito de colocar alguma coisa ali no meio. Uma música, ou uma reza, ou uma dança. E agora em um espetáculo que vai tratar só disso, dessa história, para mim é um acontecimento. É como se eu juntasse tudo que fiz até agora em um espetáculo só. Quase como a realização de um sonho”, afirma Antonio Chapéu

Ainda que centrado na figura do fundador do grupo, o texto se abre para outras presenças simbólicas, criando camadas sensíveis de representação. Os objetos em cena assumem função dramatúrgica e afetiva. A linguagem mistura o coloquial ao lírico, a conversa ao canto, o real ao imaginado.

Outra cena do espetáculo Massapê, do grupo Andaime. Foto Thiago Altafini

A dramaturgia acolhe intertextualidades e incorpora musicalidades, poesias e falas populares que ecoam a trajetória do protagonista, além de canções compostas por Juh Vieira, criadas especialmente para o espetáculo. Ao final, o trabalho se desenlaça como um rito de continuidade: uma oferenda à memória e à arte como caminhos de transformação.

A peça se dá entre o cruzamento de memórias e invenções, com a utilização de vivências reais e um inventário de lembranças, como recurso disparador para a criação das cenas. E tudo isso com uma linguagem poética inspirada nas obras de Guimarães Rosa e enraizada na cultura popular, matéria prima do coletivo Andaime durante essas quatro décadas de existência. 

Serviço

Massapê

Sesc Belenzinho. Rua Padre Adelino, 1000

Sextas e sábados, 19h. Domingos, 16h. R$ 50

Até 14 de junho (estreia 29 de maio)

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Ficha Técnica

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Serviço

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