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Jogo de poder inspira “Primeiro Hamlet”, com direção de Gabriel Villela; veja vídeo

Sinopse

Peça que chega ao Sesc Vila Mariana traz versão pouco conhecida do clássico de Shakespeare, mais teatral e direta em determinados assuntos

Por Ubiratan Brasil

Uma das peças mais encenadas em todo o mundo, Hamlet, de Shakespeare, tem um histórico que poucas pessoas conhecem: existem três versões do texto, todas verídicas, segundo os especialistas, e chamadas respectivamente de Q1 (de 1603), de Q2 (de 1604) e de Fólio (de 1623). Elas diferem sobretudo em extensão, sendo que a primeira tem metade dos versos do Fólio, a mais conhecida e montada entre nós. A diferença de tamanho torna essa primeira mais ágil e menos metafísico.

É justamente essa versão que o encenador Gabriel Villela escolheu para montar, intitulada Primeiro Hamlet. “E não foi por ser menos conhecida e inédita em São Paulo, mas porque é a fonte primordial, de onde nasce água pura capaz de purificar, hidratar o rosto das almas, Hamlet“, explica. A versão utilizada é a traduzida por José Roberto O’Shea e publicada em livro pela editora Hedra em 2010.

“Ela é mais teatral e direta em determinados assuntos, como enfatizar a importância do jogo de poder entre todos os personagens”, observa Villela, que ambienta sua montagem em um cenário marcado por árvores calcinadas (ou o que sobrou de uma floresta queimada), criação de J.C. Serroni, que se inspirou na paixão do autor por florestas, facilmente identificada no protagonismo que exercem em Sonho de Uma Noite de Verão, ou na força trágica que tem em Macbeth. Uma cama, também carbonizada, é manipulada para sugerir diferentes ambientes, chegando a funcionar como um pequeno palco dentro do grande palco para acolher cenas emblemáticas da tragédia.

Chico Carvalho em Primeiro Hamlet. Foto João Caldas

O diretor diz ter ficado especialmente comovido com as queimadas no Cerrado, no Parque Nacional das Emas “que trouxe a terrível imagem de um tamanduá carbonizado. Essa foto girou o mundo, tornou-se um incêndio simbólico”.

Uma novidade nesse primeiro texto em relação à versão mais conhecida está no nome de alguns personagens. A rainha conhecida por Gertrudes aqui é Gertred, enquanto Polônio, principal amigo do rei, recebe o nome de Corambis. “Alguns espectadores podem se surpreender ao não encontrar um Hamlet melancólico, reflexivo, hesitante; uma Gertred ambivalente, dividida entre sentimentos de culpa e amor; um Cláudio propenso a breves crises de consciência – ao encontrar um Hamlet mais medieval do que renascentista”, observa O’Shea.

O tradutor lembra ainda que a rainha Gertred exibe mais confiança na versão de assassinato de seu marido pelo irmão dele, enquanto nas montagens seguintes ela assume uma posição ambivalente. E o famoso monólogo “Ser ou não ser” acontece antes, logo depois de Hamlet conversar com o espírito do pai. “O que é mais coerente, pois o príncipe está tomado por dúvidas justamente nesse momento”, comenta Chico Carvalho, intérprete do protagonista.

O elenco de Primeiro Hamlet, com direção de Gabriel Villela. Foto João Caldas

Villela conta que a escolha do elenco deu-se pela voz dos personagens: o desenho da voz de cada ator auxiliou na formação final desta equipe. “No Brasil, a voz foge de convenções inglesas, americanas; o nosso método é Dercy Gonçalves e Grande Otelo, é circo. Isso implica em outra lógica para essas escolhas e faz com que caiba o melodrama do circo na cena da peça dentro da peça, por exemplo”.

Para trabalhar as vozes, Villela contou com sua parceira de muitas décadas, Babaya Morais, além de Dan Maia, ambos responsáveis pela direção musical. A maior parte das músicas é cantada em latim ao vivo pelos atores. O ponto de partida é o cantochão gregoriano, que vai ganhando polifonia ao longo da tragédia.

Assim, o elenco é formado ainda por Elias Andreato como Corambis (chamado de Polônio nas outras versões), Claudio Fontana no papel do Rei Cláudio e, ao seu lado, como Rainha Gertred (Gertrudes, nas outras versões), está Luciana Carnieli. Ciça de Carvalho é Ofélia. Ivan Vellame faz o melhor amigo do protagonista, Horácio; André Hendges, o irmão de Ofélia, Laertes; Gabriel Sobreiro e Breno Manfredini são os colegas de Hamlet, aqui chamados de Rosencraft e Gilderstone; por fim, João Attuy interpreta tanto o Coveiro, quanto o invasor norueguês, Fortimbrás.

Serviço

Primeiro Hamlet

Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141.

Quinta a sábado, 21h. Domingos, 18h. Dias 7 e 8 de junho, sexta e sábado, haverá sessões extras às 15h. R$ 50.

Em todas as quatro sessões dos dias 7 e 8 de junho haverá tradução em libras.

Até 16 de junho. Estreia 11 de maio

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Ficha Técnica

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Serviço

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