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FESTIVAL 10 ANOS DE TEATRO CEGO

Festival 10 Anos de Teatro Cego

Em 2012 a Companhia de Teatro Cego estreou a sua primeira peça, ‘O Grande Viúvo’, no Tucarena, inaugurando um formato teatral inovador, onde o espetáculo acontecia completamente no escuro, proporcionando, através da arte e do entretenimento, uma experiência única ao público, convidando-o a abdicar da visão e a compreender a trama através de seus outros sentidos. De 2012 para cá outros três espetáculos foram montados: ‘Acorda, Amor!’, ‘Clarear’ e ‘Um Outro Olhar’. Por isso, a C-Três, juntamente com a Secretaria Municipal de Cultura, está realizando o Festival 10 Anos de Teatro Cego, apresentando todas as montagens da companhia durante o mês de novembro, uma a cada final de semana, na mesma ordem quem que foram concebidas, com entrada gratuita e ingressos retirados 1 hora antes de cada sessão.

A Companhia de Teatro Cego

A Companhia de Teatro Cego surgiu no Brasil em 2012. O formato foi originalmente criado em Córdoba, na Argentina, em 1992. Em 2010, o ator e diretor Paulo Palado e o produtor Luiz Mel estiveram em Buenos Aires para conhecer o formato e decidiram trazer a ideia para o Brasil. Porém, não existe nenhum vínculo – a não ser o de amizade – com a companhia argentina. A ideia é fazer espetáculos teatrais completamente no escuro, convidando o público a abdicar da visão e a usar os seus outros quatro sentidos, além da intuição, para assistir à peça. Para isso, sons, vozes, aromas e sensações táteis são utilizados para colocar o público dentro da trama. O formato de apresentação também não é o tradicional. A plateia é distribuída em cadeiras que intercalam cenários e objetos de cena e o público tem uma proximidade muito grande com os atores, que circulam entre as cadeiras. Por acontecer completamente no escuro, a peça conta com alguns atores com deficiência visual. Porém, a ideia é que nenhum espetáculo aconteça somente com esses atores, mas sim, que haja sempre uma integração com atores videntes. As montagens também contam com pessoas com deficiência visual nas suas produções.

Parceiros

Durante esses dez anos de atividades, a Companhia de Teatro Cego trabalhou em parceria com diversas instituições. Entre elas, o BOS – Banco de Olhos de Sorocaba, a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, a Laramara – Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual, a Fundação Dorina Nowill para Cegos e a ONG Cabelegria, que arrecada cabelo para confeccionar perucas que serão doadas para crianças e adultos que estejam passando pro tratamento quimioterápico.

O Processo de Criação

O processo de criação da Companhia de Teatro Cego parte sempre do texto. Dos quatro textos montados até agora, três são de Paulo Palado e um de Sara Bentes e já são escritos pensando no Teatro Cego, pois as falas dão indicação de muitos elementos e situações que o espectador não conseguiria identificar sem a visão. O espaço para sons e aromas muito característicos também é priorizado para que a produção possa atuar de forma consistente durante o espetáculo. Porém, tudo isso é feito de maneira que não haja exagero. Não se pode permitir que os meios justifiquem os fins. A ocupação do espaço também é uma preocupação que vem logo no início do processo. A trama tem que ser encenada sempre no mesmo espaço, pois os espectadores estão sentados em suas cadeiras junto com os cenários. As mudanças de cenas são feitas através de músicas e ou aromas. Uma mesma música é repetida sempre que a cena volta para um mesmo cenário. O mesmo pode acontecer com um aroma. O cenário, apesar da escuridão, é de extrema importância para a compreensão do espaço. Portas, armários, mesas, cadeiras, escadas, louça, talheres, camas. Os objetos cenográficos se mostram presentes através de seus sons ou por simples citação dos personagens. Uma característica muito importante do espaço cênico é a forma da sua apresentação. Ao contrário de uma peça convencional, onde o espectador vê primeiro o cenário, que depois vai sendo preenchido por movimento e vida, no Teatro Cego tudo começa em uma escuridão profunda e total. Após a entrada dos atores, com a movimentação e utilização dos espaços, é que o cenário vai se revelando. Os espetáculos são sempre compostos por atores com deficiência visual e atores videntes. A ideia é integrar. Mas como pensamos a integração? Imagine ter que criar um acesso a cadeirantes para uma andar acima do piso térreo. Os não cadeirantes podem subir facilmente pela escada. Então cria-se um elevador para as pessoas com deficiência física. Isso é acessibilidade. Porém, uma rampa serviria muito bem aos dois públicos. Isso é integração. O processo de criação dos personagens começa com a leitura branca do texto em uma mesa, como em qualquer outra montagem convencional. Enquanto alguns atores se utilizam do tradicional texto no papel, riscado com lápis e grifado com marca-texto, outros leem em braile. Outros ainda contam com aplicativos leitores de tela em um celular ligado ao ouvido por um fone e falam por cima do que ouvem. É como um ponto. Entre essas leituras, os atores e o diretor praticam exercícios de cognição, criando conexões entre os personagens através de códigos inconscientes. Isso ajuda a desconstruir a comunicação rasa que utilizamos na maior parte do tempo e desfaz alguns vícios, tanto de expressão quanto de compreensão. Os ensaios vão então para um espaço demarcado, determinando os locais de cenografia e público. Algumas marcas são colocadas para guiar os atores. O cenário será uma das referências. Em alguns locais, o piso tátil é usado. Os atores com deficiência se locomovem, a princípio, com bengalas (guias) ou com a ajuda da produção. Quando o espaço é completamente dominado, apaga-se as luzes e retira-se as bengalas dos atores com deficiência. Enquanto isso, a produção está pesquisando aromas e sons. Quando os cenários são montados, junta-se tudo nos ensaios finais.

“No princípio era o caos”

O processo de criação do Teatro Cego é todo baseado na desconstrução de personagens e espaços. E essa reconstrução é feita a cada espetáculo, diante do público.   

Programação do Festival 10 Anos de Teatro Cego

O GRANDE VIÚVO
Dias 04/11 – sexta – 21h, 05/11 – sábado – 21h, 06/11 – domingo – 19h

A peça é baseada no conto “O Grande Viúvo”, extraído do livro “A Vida como ela é”, de Nelson Rodrigues e conta a história de um viúvo que, após ter perdido sua amada esposa, informa à família que também quer morrer e ser enterrado junto à falecida. Entretanto, ele só irá se juntar à esposa, após terminar a construção de um mausoléu, onde o corpo dele e o dela repousarão lado a lado. Já a família, inconformada com a situação, tenta convencê-lo a todo custo a não cometer o suicídio, mas tem apenas o tempo da construção do mausoléu para fazê-lo. Por fim, os familiares encontram uma maneira inescrupulosa, baseada em calúnias sobre a falecida, para evitar a tragédia. Mas o resultado disso tudo acaba sendo completamente inesperado para todos. Sucesso de público e crítica desde sua estreia em 2012, o espetáculo “Teatro Cego – O Grande Viúvo” ganhou visibilidade no universo cultural, se apresentando na rede SESC, Teatro Tucarena, Itaú Cultural entre outros, além de se apresentar em eventos de inclusão social, como a “Virada Inclusiva”, no qual participa desde 2012 e a “Mostra de Arte Sensorial e Inclusiva de Brasília”, sempre com bilheteria esgotada nas apresentações e repercussão positiva nas mídias digitais e impressa.

ACORDA, AMOR!
Dias 11/11
 – sexta – 21h, 12/11 – sábado – 21h, 13/11 – domingo – 19h

O espetáculo une a música de Chico Buarque ao Teatro Cego para mais uma vez inovar como forma de expressão teatral. A peça tem como trilha sonora, executada ao vivo pela banda Social Samba Fino, uma seleção de músicas deste que é um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos. As músicas interpretadas durante o espetáculo vão costurando a trama que se passa completamente no escuro. Vozes, sons, cheiros e sensações táteis voltam a figurar como elementos imprescindíveis para a compreensão da trama, fazendo o espectador mergulhar no mundo dos deficientes visuais com a percepção de que a compreensão do mundo que nos cerca, vai muito além daquilo que os olhos podem ver. O espetáculo conta a história de quatro jovens que lutam contra a ditadura militar nos anos 70. Três rapazes e uma garota envolvidos com a guerrilha, lutam, na verdade, por muito mais que o fim da ditadura. Enquanto tentam driblar os militares, Paulo, Lucas e Cesar lutam pelo amor de Natasha. O amadurecimento das relações entre esses quatro jovens ao mesmo tempo em que aprendem a lidar com a situação do seu país é o que move toda a trama.

CLAREAR
Dias 18/11
 – sexta – 21h, 19/11 – sábado (2 sessões) 18h e 21h                                         e 20/11 –domingo – 19h

A acessibilidade é um tema que chegou para ficar. Nunca se falou tanto sobre a inclusão de pessoas com deficiência em empresas, escolas e outros setores da sociedade. Algumas leis foram criadas para garantir que, cada vez mais, essa inclusão se tornasse realidade. A visão de empresários, educadores e influenciadores se transformou e hoje esse sonho começa a se solidificar. Mas essa construção não para por aí. A inclusão vai muito além de simplesmente cumprir uma cota. Outro passo deve ser dado para continuar a caminhada: a Integração. A busca por igualdade de direitos e de deveres passa pelo entendimento de nossas diferenças. A verdadeira inclusão só acontece quando cada indivíduo do grupo se percebe único e, por isso mesmo, especial. Nossa diferença é o que nos faz buscar o outro. Pensando nisso a C-Três criou o espetáculo “Clarear – Somos todos diferentes”, também no formato Teatro Cego. Nesta montagem, além das experiências sensoriais, o tema também é totalmente voltado para a questão da integração. Cinco jovens dividem a mesma república. Uma deficiente visual, um deficiente auditivo, uma cadeirante, um argentino e uma torcedora fanática do Juventus da Moóca. Com muito bom humor, a trama mostra a superação de dificuldades de comunicação e convivência, através da sinergia da amizade, em um espetáculo de 40 minutos que conquista a plateia com um paradoxo entre a complexidade e a simplicidade do tema.

UM OUTRO OLHAR
Dias 25/11 
– sexta – 21h, 26/11 – sábado (2 sessões), 18h e 21he 27/11 – domingo – 19h

O Espetáculo ‘’Teatro Cego – Um Outro Olhar’’ conta a história de uma empregada doméstica e sua patroa que passam, ao mesmo tempo, por um tratamento de câncer. As duas encontram-se em momentos diferentes da doença, com a empregada praticamente curada e a patroa iniciando a quimioterapia. A relação dessas duas mulheres mostra as diferentes posturas e dificuldades que pessoas de classes sociais distantes têm diante desse desafio, ao mesmo tempo em que a compreensão das condições de cada uma delas faz nascer uma amizade que se tornará a principal ferramenta de suas lutas. Apesar do tema delicado, a trama se desenvolve com muita leveza, bom humor e sensibilidade, levando o espectador a uma reflexão que aprofunda a discussão sobre aspectos emocionais, sociais e comportamentais da doença. A trama fala sobre generosidade, empatia, amor, medo, superação, respeito e autoestima. Por acontecer completamente no escuro, a peça se utiliza ainda mais da percepção do espectador, fazendo com que o tema proposto possa ser tratado com ainda mais sensibilidade e aprofundamento. 

O caminhão ONG da Cabelegria acompanha a peça em todas as apresentações e, nele, é possível doar cabelo para confecção de perucas para mulheres que estejam fazendo tratamento quimioterápico. Perucas já prontas também podem ser retiradas no mesmo caminhão. O Caminhão estará no teatro nos dias 27, 28 e 29 de novembro.

O que é a Cabelegria?

Fundada em outubro de 2013, a Cabelegria é uma ONG que recebe doações de cabelo, transformando-o em perucas que são doadas, por meio de Bancos de Perucas (itinerantes e fixos), para pessoas que perderam seus cabelos devido ao tratamento quimioterápico ou a outras patologias. Todo o processo é gratuito.

Já foram distribuídas mais de 10 mil perucas para crianças e mulheres de todo o Brasil.

A Cabelegria acredita que a autoestima pode fazer toda a diferença durante um tratamento quimioterápico. Por isso, busca aumentar cada vez mais as doações de perucas para pacientes e expandir seu Banco de Perucas para os maiores centros de tratamento oncológico do Brasil.

Saiba mais em www.cabelegria.org

O BOS – Banco de Olhos de Sorocaba estará presente no Teatro para fazer carteirinhas para pessoas que queiram doar Córneas.

FESTIVAL 10 ANOS DE TEATRO CEGO

Teatro Artur Azevedo (349 Lugares)

Avenida Paes de Barros, 955 – Mooca

O GRANDE VIÚVO
Dias 04/11 – sexta – 21h, 05/11 – sábado – 21h, 06/11 – domingo – 19h

ACORDA, AMOR!
Dias 11/11
 – sexta – 21h, 12/11 – sábado – 21h, 13/11 – domingo – 19h

CLAREAR
Dias 18/11
 – sexta – 21h, 19/11 – sábado (2 sessões) 18h e 21h                                         e 20/11 –domingo – 19h

UM OUTRO OLHAR
Dias 25/11 
– sexta – 21h, 26/11 – sábado (2 sessões), 18h e 21he 27/11 – domingo – 19h

INGRESSOS GRATUITOS

Ficha Técnica do Teatro Cego

Produção Executiva – Luiz Mel e Lourdes Rocha (C-Três Projetos Culturais)

Direção – Paulo Palado

Gerente de Produção – Carlos Righi

Contrarregragem e efeitos – Zan Martins,  Rosana Antão e Bruno Righi

Sonoplastia – Felipe Herculano

Elenco – Ana Righi, Ana Paula Almeida, Bruno Righi, Edgar Jacqes, Ghell Silva, Giovanna Maira, Leonardo Santiago, Luma Sanches, Manoel Lima, Naiara de Castro, Neli Gamboa e Paulo Palado.

Músicos – Luiz Mel, Eric Budney, Abner Phelipe, Anderson Ramos, Rafa Pereira, Paulinho Domingos e Cláudio Martins.

Os textos das peças ‘O Grande Viúvo’, ‘Acorda, Amor!’ e ‘Um Outro Olhar’ são de autoria de Paulo Palado. O texto da peça ‘Clarear’ é de autoria de Sara Bentes.

Sinopse

Ficha Técnica

Serviço

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