O melhor do teatro está aqui

topo

“Animal Dentro” traz a amizade de duas mulheres ao longo do tempo permeada pela presença de um gato

Sinopse

Com direção de Luiz Fernando Marques Lubi e Erica Montanheiro, dramaturgia criada coletivamente questiona os limites da identidade, da memória e da realidade, convidando o público a se observar

Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 29 de abril de 2026)

Duas amigas compartilham uma amizade profunda e complexa. Elas cresceram e viveram juntas, mas na idade adulta são impedidas de continuar essa relação. O apartamento compartilhado e o gato que adotaram juntas servem como cenário para explorar a intimidade que as une, onde uma frequentemente é confundida com a outra, borrando as fronteiras da identidade individual. Esse é o mote do espetáculo Animal Dentro, idealizado por Juliana Lohmann e Carol Garcia, que também dividem a cena, com direção de Luiz Fernando Marques Lubi e Erica Montanheiro, com temporada no Teatro Arthur Azevedo

A narrativa se desdobra em fragmentos não lineares, marcados por idades que vão dos oito aos oitenta anos. Essa dinâmica se instala como um jogo entre as duas, revelando recortes mnemônicos de como suas vidas se entrelaçam em momentos de cumplicidade e conflito. No decorrer das cenas, percebe-se que há algo que está para além do que está sendo dito. Há algum acontecimento recalcado entre as memórias. Há algo interrompido, algo que se escapa do que está sendo contado, algo que não se quer contar. 

Juliana Lohmann e Carol Garcia estão em Animal Dentro. Foto Bre Quevedo

A presença do gato, animal misterioso e cheio de simbolismos, comumente presente na arte – como no conto O Gato Preto, de Edgar Allan Poe, que por meio de suspense e mistério, o autor expõe a trajetória de um homem em estado de quase loucura diante da presença do animal – é em Animal Dentro uma metáfora diante da perplexidade do efêmero contido na relação das duas.

Quando elas falam diretamente com o público, fazem referência à teoria do paradoxo do Gato de Schrödinger, experimento da física quântica proposto pelo austríaco Erwin Schrödingerem, em 1935, no qual um gato dentro de uma caixa teoricamente pode estar vivo e morto, ao mesmo tempo. A partir dessa experiência, as atrizes questionam os estados simultâneos de vida e morte, realidade e ilusão, tendo essa referência quântica permeando a peça. 

Já no campo da literatura, as referências se dão a partir das escritoras Lygia Fagundes Telles e Hilda Hilst, que trouxeram em suas escritas temas como memória falível, identidade fragmentada e realidade ilusória. Para o espetáculo, Lygia e Hilda não são só âncoras poéticas, mas referências como espelhamento de uma amizade de uma vida inteira. 

Mais do que uma narrativa de cumplicidade, Animal Dentro questiona os limites da identidade, da memória e da realidade, convidando o público a observar sua própria “caixa quântica” – viva e morta ao mesmo tempo. O quanto do outro tem em nós e o quanto de nós se perde na ausência do outro? 

Serviço

Animal Dentro

Teatro Arthur Azevedo  – Sala Multiuso. Av. Paes de Barros, 955

Quinta a sábado, 21h. Domingo, 18h. Grátis – retirada 1h antes de cada sessão na bilheteria

Até 10 de maio (estreou 25 de abril)

*

[acf_release]
[acf_link_para_comprar]

Ficha Técnica

[acf_ficha_tecnica]

Serviço

[acf_servico]