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Denise Fraga e Tony Ramos convidam o espectador a escutar o outro; veja vídeos

Sinopse

Em “O Que Só Sabemos Juntos”, eles fazem com que cada pessoa saia de sua bolha de isolamento e seja capaz de, genuinamente, se colocar no lugar do outro, sentir suas dores e compreender suas angústias, mas também suas alegrias, transformações e conquistas

Por Ubiratan Brasil

O público definitivamente abraçou o teatro – além das salas lotadas, peças estreiam já com várias sessões com ingressos esgotados, como Rita Lee – Uma Autobiografia Musical e, principalmente, O Que Só Sabemos Juntos, que estreia nesta sexta, 26, no teatro Tuca, com mais de 12 mil ingressos vendidos. A disponibilidade é para a partir de junho. Lembrando que o Tuca tem 672 lugares.

O sucesso comprova que o espectador aprovou a linha dramatúrgica adotada por Denise Fraga. Em seu espetáculo anterior, Eu de Você, a atriz conquistava a adesão da plateia graças a uma bem costurada dramaturgia que reunia histórias e sentimentos da própria Denise, de citações de escritores renomados e, principalmente, de vivências reais de pessoas anônimas, coletadas ao longo de seis meses. “Eu de Você convidava o espectador a olhar para o lado, para quem estava ao seu lado, uma convocação à empatia, a se colocar no lugar do outro”, conta ela.

Estreado em 2019 em Porto Alegre, o espetáculo (primeiro monólogo de Denise) cumpriu uma turnê bem sucedida em várias cidades brasileiras, sucesso que nem a interrupção provocada pela pandemia da covid em 2020 conseguiu interromper.

Denise Fraga e Tony Ramos em O Que Só Sabemos Juntos. Foto Cacá Bernardes

Eu de Você me fez descobrir a delícia do perigo de se descobrir uma peça na sala de ensaio, mas que dá a chance de entendermos juntos o que queremos dizer”, conta ela, que retoma o mesmo tipo de experiência com O Que Só Sabemos Juntos, agora ao lado do ator Tony Ramos.

Ele assistiu ao monólogo duas vezes e ficou encantado com a capacidade de comunicação de Denise com a plateia. A forma pouco tradicional de atuação o fascinou. “Sei que posso fazer qualquer tipo de espetáculo e me interessava alargar os horizontes”, conta o ator.

“É um prazer trazer o Tony para esse playground e para essa convocação coletiva”, conta Denise. “Agora estamos fazendo uma convocação à escuta, que é o primeiro ingrediente fundamental para estarmos juntos. Falamos também das nossas histórias, do que construímos e do que temos, além de outras histórias. É a reconstrução de um alfabeto coletivo que, muitas vezes, nós nos desconectamos dele, mas, no fim, a conclusão é: só sabemos juntos.”

Tony Ramos e Denise Fraga em cena de O Que Só Sabemos Juntos. Foto Cacá Bernardes

Novamente, a costura de histórias pessoais, com citações de grandes autores e a vivência de pessoas anônimas. A peça promove o encontro de dois atores, um homem e uma mulher, com uma multidão de pessoas na plateia.

A conversa começa com a lembrança das memórias daqueles artistas e suas referências teatrais, como Tio Vânia, do russo Anton Tchekhov, e A Vida de Galileu, do alemão Bertolt Brecht. Com a consultoria e participação do dramaturgo Vinicius Calderoni, as conversas vão aos poucos condensando dramas humanos.

Assim, ao longo da peça, juntam-se pinceladas do pensamento da autora, ativista e feminista bell hooks, além dos ensaios e crônicas da escritora polonesa Olga Tokarczuk, textos da jornalista e documentarista brasileira Dorrit Harazim, pitadas da prosa da francesa Annie Ernaux e da poesia de Fernando Pessoa, Wislawa Zymborska, Arnaldo Antunes, João Cabral de Melo Neto, entre outros.

“Eu gosto de contar as pessoas quando tem muita gente porque eu gosto sempre de imaginar que, sei lá, quando se trata de gente, cem não é cem, são cem unidades, cem uns, cem cada um, cem pessoas com vidas, histórias e experiências muito diferentes umas das outras”, diz a atriz em uma das cenas iniciais.

Denise Fraga e Tony Ramos em ação em O Que Só Sabemos Juntos. Foto Cacá Bernardes

“Recolhemos fragmentos das histórias das pessoas, momentos que elas não dividem com ninguém por julgarem desimportantes – algo como os lugares da nossa casa em que a gente prefere estar. A boca do fogão que a gente prefere acender. O gosto de sentar naquela cadeira justamente daquele lado da mesa”, observa Denise. “A falta de escuta e da percepção do outro viraram o grande problema das relações. Daí a força do teatro para, permanentemente, iluminar e socorrer a vida.”

A direção novamente traz a assinatura de Luiz Villaça, companheiro na vida e na arte de Denise Fraga, cujo refinado entendimento do processo contribui para seu sucesso. Ele também assina a criação, ao lado do produtor José Maria. “O espetáculo reflete sobre o acontece na sociedade há várias gerações, especialmente as que viveram sob o comando de um patriarcado”, observa o encenador, que percebeu o interesse de Tony logo no primeiro dia de ensaio. “Ele se realizava com as descobertas que fizemos ao longo dos dias.”

“É uma espécie de realimentação“, comenta o ator. “Gosto dessa brincadeira de que só sabemos juntos, respeitando o tempo interior do outro, seu silêncio. E de que o melhor é preferir a dúvida e o questionamento ao invés da certeza fácil e esvaziada.”

Tony Ramos e Denise Fraga no ensaio de O Que Só Sabemos Juntos. Foto Cacá Bernardes

O Que Só Sabemos Juntos marca também os 60 anos de carreira de Tony (período em que viveu mais de 140 personagens no cinema, teatro e, principalmente na TV) e os 40 de Denise, vividos principalmente no palco. E, para mostrar o despojamento da dupla, Tony até ensaia uns passos de dança, ao som de uma banda com cinco mulheres que se apresenta ao vivo, sob a direção de Fernanda Maia.

Denise Fraga e Tony Ramos lembram histórias pessoais em “O Que Só Sabemos Juntos”

Serviço

O Que Só Sabemos Juntos

Teatro Tuca. Rua Monte Alegre, 1024

Sextas, 21h. Sábados, 20h. Domingos, 17h. R$ 40 / R$ 150

Espetáculo apresentado pelo Ministério da Cultura e Bradesco Seguros

Apoio Institucional: Teatro Tuca – PUC SP

Até 30 de junho

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Ficha Técnica

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Serviço

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