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Canções de Djavan inspiram musical com elenco totalmente feminino

Sinopse

“Djavanear – Um Tanto Flor, Um Tanto Mar”, que estreia no Teatro Itália Bandeirantes, ressalta a dramaticidade das letras do artista alagoano

Por Dirceu Alves Jr.

Compositor referencial da MPB revelado na década de 1970, o alagoano Djavan construiu uma obra capaz de aliar beleza poética e apelo popular. Demorou, então, para que o artista servisse de inspiração para um musical entre os tantos que tomaram conta dos palcos brasileiros nas últimas duas décadas. Djavanear – Um Tanto Flor, Um Tanto Mar, porém, desde o começo dos trabalhos, em 2018, pretendeu fugir das fórmulas certeiras do mercado, como o recorte biográfico ou o enfileiramento de canções consagradas.

Sob a direção cênica de Regina Miranda e Eduardo Barata, também idealizador do projeto, o espetáculo, que estreia no Teatro Itália Bandeirantes, neste sábado, 11, extrai a densidade das letras de Djavan. A dramaturgia, criada pelo jornalista e crítico musical Mauro Ferreira em parceria com Regina, reúne 29 composições apresentadas por um elenco completamente feminino. Cantoras e atrizes, Karen Júlia, Leila Maria, Matilla, Paula Santoro e Tontom Périssé sobem ao palco acompanhadas das instrumentistas Bruna Saraiva, Georgia Câmara e Maria Baixaria, sob a direção musical de Alfredo Del-Penho, para falar sobre o amor e a paixão na obra do artista.

Cena de Djavanear – Um Tanto Flor, Um Tanto Mar. Foto Priscila Prade

“Nós analisamos profundamente cada letra e descobrimos um gênero neutro nos grandes sucessos dele”, afirma Regina. “A maioria das canções não possui uma narrativa masculina ou feminina, como até eu imaginava antes, por isso exploramos essa neutralidade para mostrar o que o canto e a atuação dessas quatro mulheres podem transmitir sobre isso.” 

A bailarina Regina Miranda, em cinco décadas de carreira, ampliou a sua visão e assinou coreografias para o cinema, como no filme A Ópera do Malandro (1986), e televisão, caso da novela Que Rei Sou Eu? (1989), além de dirigir espetáculos dramáticos. Aos 75 anos, entretanto, ela se orgulhar de se considerar uma estreante na direção de musicais e assume que se questionou bastante antes de topar o desafio. “Mas por que eu?”, perguntou a Barata ao receber o convite. 

O produtor respondeu de pronto: “Porque você tem uma linguagem própria e não vai fazer mais do mesmo”. Regina se convenceu e intimou Barata a dividir o comando da montagem com ela. “Como dois novatos no gênero, criamos a nossa própria maneira de fazer um musical, que não segue a estética norte-americana, e o resultado é múltiplo, podendo também ser definido como uma performance ou um concerto dramático.”     

Cena de Djavanear – Um Tanto Flor, Um Tanto Mar. Foto Priscila Prade

Para construir a dramaturgia, Mauro Ferreira mergulhou na discografia completa do compositor, desde o seminal A Voz, o Violão e a Música de Djavan (1976) até o recente D (2022), e peneirou quarenta músicas, chegando, junto de Regina, a 29, entre números inteiros, citações e interlúdios. “A essência é a sedução, o amor e a paixão e fiquei feliz de incluir canções pouco lembradas como A Ilha e Ares Sutis”, declara Ferreira. Entre os destaques do roteiro, o crítico chama atenção para uma surpreendente interpretação dramática de Matilla para o samba Flor de Lis. “É uma letra muito triste que as pessoas não prestam atenção e costumam não entender dessa forma”, avisa. 

Entre os solos de Djavanear – Um Tanto Flor, Um Tanto Mar, Leila Maria defende Álibi e Linha do Equador, enquanto Paula Santoro comparece com Faltando um Pedaço e Navio e o suingue de Tanta Saudade ganha a releitura de Karen Júlia. A jovialidade de Tontom, de 17 anos, filha da atriz Heloísa Périssé e estreante nos palcos, injeta frescor em Azul e Eu te Devoro. “Buscamos quais músicas se enquadrariam ao perfil de cada intérprete e, no caso de Tontom, que é uma adolescente, fugimos de temas mais densos”, conta Regina.

A codiretora ressalta que, nos ensaios, defendeu que cada uma abraçasse a sua própria voz e, assim, acredita que foi alcançada uma pluralidade de estilos. Além dos solos, existem duetos e números coletivos, como, por exemplo, o samba Serrado. “O teatro musical tem a tendência de uniformizar as vozes e todos cantam do mesmo jeito, justamente o que não queríamos aqui”, afirma.

Cena de Djavanear – Um Tanto Flor, Um Tanto Mar. Foto Priscila Prade

O cenário, criado por Natália Lana, é totalmente formado por garrafas pets recicladas que formam diferentes imagens sob os efeitos da iluminação assinada por Luiz Paulo Nenem. Como coreógrafa de essência, Regina não deixou de lado os movimentos das cinco protagonistas, embora saliente que existem poucos números de dança. “São cinco mulheres de corpos diferentes e idades que vão dos 17 aos 66 anos, então cada uma criou uma persona cênica de acordo com o seu estilo e, assim, não fechamos o sentido para nada”, diz Regina. “Pelo contrário, a música de Djavan é marcada pela multiplicidade e ampliamos as possibilidades de interpretação de cada letra.” 

Serviço

Djavanear – Um Tanto Flor, Um Tanto Mar

Teatro Itália Bandeirantes

Avenida Ipiranga 344, centro.

Sexta, 20h; sábado, 18h e 20h; domingo, 16h e 18h. R$ 100

Até o dia 26. A partir de sábado (11).

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Ficha Técnica

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Serviço

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