No monólogo “Prá Lá de Marrakech”, que chega ao Sesc Ipiranga, ela conta como está impossibilitada de voltar ao Irã
Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 3 de junho de 2026)
A atriz e dramaturga de origem iraniana Khazar Masoumi publicou fotos sem o véu obrigatório no trabalho, o que tornou impossível retornar ao seu país. Nascida em Teerã, ela deixou o Irã há 18 anos e isso a inspirou a escrever e interpretar o espetáculo Prá Lá de Marrakech, no Sesc Ipiranga.
Com direção de Luiz Fernando Marques (Lubi), o espetáculo mostra como Khazar transforma o palco em um território de travessia entre memória, mito e realidade. Inspirada na figura de Sherazade, personagem de As Mil e Uma Noites, a artista assume a missão de contar apenas uma história, uma narrativa que atravessa décadas de resistência do povo iraniano, da repressão política dos anos 1980 às violências contemporâneas que continuam marcando a vida de mulheres e dissidentes no país.

No centro da encenação estão dois tapetes que carregam mais do que ornamentação ou tradição. Eles tornam-se arquivos vivos de histórias, afetos, deslocamentos e sobrevivências. Como testemunhas silenciosas do tempo, os tapetes revelam marcas de festas, despedidas, violência e permanência, transformando-se em metáforas da memória coletiva de um povo.
Em artigo publicado em março no jornal Folha de S.Paulo, Khazar Masoumi relembrou décadas de repressão da teocracia persa, do véu obrigatório nos anos 1980 aos protestos recentes. “Nossa memória está cheia de mentiras e propagandas, de nossas conciliações e aceitações da reforma em troca de mais repressão e mais ruptura com o que sobrava da república, dos gritos de mulheres sendo arrastadas pelas ruas pelas mãos da polícia moral”, escreveu.
Serviço
Prá Lá de Marrakech
Sesc Ipiranga. Rua Bom Pastor, 822
Sextas, 21h30. Sábados e domingos, 18h30. R$ 50
Até 4 de julho (estreia 5 de junho)
