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“Poema Suspenso”, espetáculo da Cia Mungunzá, volta no espaço da Funarte

Sinopse

Com direção de Luiz Fernando Marques, montagem realizada a partir de histórias e experiências pessoais do elenco, que estreou no ano de 2015, aborda sentimento de imobilidade vivido pelas pessoas nos dias de hoje

Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 31 de agosto de 2026)

Após ação da Prefeitura de São Paulo de desocupação e remoção da estrutura do Teatro de Contêiner realizada em março deste ano para dar lugar a um projeto de habitação popular, a Cia. Mungunzá segue sem uma posição sobre um novo terreno para a instalação do Teatro. Enquanto isso, seus integrantes ocupam o Complexo Cultural Funarte, em São Paulo, com o espetáculo Poema Suspenso para uma Cidade em Queda, que estreou no ano de 2015 e já foi visto por quase dez mil pessoas. 

Mesmo sendo criado antes desta situação de paralisia no que diz respeito a seu espaço de produção, criação e acolhimento de muitos outros coletivos que já transitaram por esse inusitado espaço arquitetônico teatral, o espetáculo aborda coincidentemente o sentimento de imobilidade que atinge muitas pessoas nos dias de hoje. Baseada em histórias e experiências pessoais dos atores e atrizes, a montagem, com direção de Luiz Fernando Marques, apresenta uma dramaturgia onde as personagens vivem situações que nuca se encerram. 

Uma pessoa cai do topo de um prédio e não chega ao chão. Os anos passam e este corpo não consuma a queda. A partir daí, a vida das pessoas nos apartamentos desse edifício fica presa num vácuo pessoal, onde cada um vive uma experiência que não finaliza. Cada personagem fica preso em sua metáfora, ignorando o conjunto à sua volta. Trata-se de uma fábula contemporânea sobre a sensação de suspensão e paralisia geral do mundo moderno.

Cena da peça Poema Suspenso para uma Cidade em Queda. Foto Matheus José Maria

Segundo Verônica Gentilin, que finalizou a dramaturgia do espetáculo realizada por elenco e direção, a peça fala sobre um sentimento de imobilidade que assola as pessoas hoje em dia: “Estamos sempre prestes a mudar, a ter uma revolução, a ver as coisas acontecerem e esse momento nunca chega. Vivemos numa imobilidade, com uma sensação de que algo novo pode surgir a qualquer segundo, mas não damos um passo concreto em busca disso. As histórias que fazem parte de Poema Suspenso para uma Cidade em Queda têm essa imobilidade como seu mote e retratam um pouco dessa realidade”, afirma a também atriz do espetáculo.  

Suspenso em um andaime de construção de cinco metros simbolizando um prédio, o elenco formado por sete artistas se dispõe de forma que cada um se situa em um nicho onde não são vistos entre si nem sabem o que está acontecendo nos demais nichos. Somente o público acompanha o todo.

“Temos um prédio sem tijolos e o público pode enxergar tudo o que acontece ali dentro, se sentindo íntimo daquelas pessoas. Esse espetáculo é de uma poesia enorme. Ao mesmo tempo que as histórias provocam estranhamento na plateia, as pessoas se identificam com aquilo que estão vendo em cena. Percebemos que somos somente uma parte de uma engrenagem”, explica o diretor. 

Serviço

Poema Suspenso para uma Cidade em Queda

Complexo Cultural Funarte SP. Alameda Nothmann, 1058

Quarta a sexta-feira, 19h30. Sessão extra 8/9, 19h30. No dia 11/9, não haverá sessão. Grátis

Até 18 de setembro (reestreou em 26 de agosto)

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Ficha Técnica

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Serviço

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