Espetáculo inspirado no bestseller de Marcelo Rubens Paiva estreia em setembro no Teatro Sabesp Frei Caneca estrelado por Hugo Bonemer, Heloísa Perissé e Bruno Garcia nos papeis principais
Por Ubiratan Brasil (publicada em 13 de agosto de 2026)
Em 1982, o Brasil ainda vivia sob o regime militar quando foi lançado um livro que definiu uma geração. Marcelo Rubens Paiva tinha apenas 23 anos quando lançou Feliz Ano Velho, obra que unia ficção, recordações e análises pessoais e que se tornou o livro de cabeceira da maioria dos jovens. Era a história do rapaz inseguro por ser obrigado a viver uma nova e dura realidade: além do assassinato do pai (o deputado Rubens Paiva, desaparecido por obra de agentes do governo), um terrível acidente o deixou tetraplégico.
Depois de várias adaptações (cinema, teatro, ópera, futuramente série de streaming), Feliz Ano Velho vai ganhar uma versão musical, com estreia prevista para 19 de setembro, no Teatro Sabesp Frei Caneca, em São Paulo.
Com direção de Gustavo Barchilon e adaptação de Marilia Toledo, o musical conta a história do rapaz que sofreu um acidente em dezembro de 1979, quando mergulhou em um lago raso e bateu com a cabeça no fundo, o que causou um trauma raquimedular que tirou os movimentos de seus braços e pernas. Depois de muita fisioterapia, ele recuperou alguns movimentos parciais e autonomia em membros superiores, mas o diagnóstico clínico do trauma na medula é de tetraplegia.

“Apesar da trilha sonora composta por canções dos anos 1980, a história é atemporal, o que vai influenciar inclusive os figurinos e o visagismo”, diz Barchilon, ao mencionar sucessos de Legião Urbana, Titãs, Lulu Santos e Barão Vermelho.
“Quando me sugeriram a peça, pedi que retratasse aquele período, com Cazuza e Renato Russo, o que tiraria a responsabilidade de ser apenas sobre mim”, conta Rubens Paiva. “Não é apenas sobre um garoto cujo corpo não lhe pertence mais.”
O papel de Marcelo será vivido por Hugo Bonemer, enquanto Eunice Paiva será interpretada por Heloísa Perissé. O ator Bruno Garcia vai tanto viver o próprio Marcelo com outra idade como o deputado Rubens Paiva. O elenco será completado por Bárbara Sut, Bibi Tolentino, Giselle Lima, Ingrid Gaigher, João Côrtes, Lázaro Menezes, Lia Canineu, Luciano Mallmann, Mateus Ribeiro, Mattilla, Renan Mattos, Sabrina Korgut e Tuna Dwek.
“Marcelo não se coloca como vítima, não só reclama de sua situação. Isso se reflete no texto, que une humor e revolta”, comenta Marília Toledo, que utilizou como base a versão teatral de 1983 escrita por Alcides Nogueira, dirigida por Paulo Betti e estrelada por Denise Del Vecchio, Lilia Cabral, Adilson Barros, Christiane Rando e Marcos Frota.
“É uma história comovente, engraçada e que continua atual, como comprova a versão da Marília”, disse Nogueira, que conversou muito com mãe e filho para fazer a adaptação.
A cenografia de Natália Lana prevê um palco aberto, com saídas como portas e janelas, tudo no tom vermelho. “Essa é a cor do deficiente físico”, explica. Já a coreografia de Gabriel Malo terá como ponto de partida a redescoberta do corpo. “Quero trabalhar com sensações porque é um espetáculo que explora sensações físicas mesmo na cadeira.”
O musical contará ainda com três câmeras que vão captar cenas ao vivo, além da presença da banda no palco. “A montagem busca uma linguagem diferente daquela que estamos acostumados a ver nos musicais tradicionais. Com uma estética atemporal, música, texto, imagem e atuação se misturam para contar essa história de um jeito novo. Assim como Feliz Ano Velho trouxe uma nova linguagem para a literatura de sua época, quero que o espetáculo também encontre uma nova forma de se comunicar com o público de hoje”, diz Barchilon.
