Tradicional festival do interior paulista terá ainda, até 25 de julho, quatro espetáculos da capital paulista
Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 20 de julho de 2026)
Com 57 anos de história e 24 edições internacionais, o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (FIT Rio Preto) acontece no interior paulista até o dia 25 de julho com um total de 32 espetáculos teatrais. E, até o final do evento, quatro espetáculos da capital paulista estão na programação.
O Coletivo (se)cura humana, por exemplo, apresenta Corpo-Árvore, uma criação que investiga as relações entre arte, ativismo socioambiental e emergência climática. Em cena, a última árvore é encontrada destruída e um grupo de sobreviventes tenta fazê-la reviver por meio de uma árvore-máquina capaz de restaurar os chamados rios voadores.
Já o Grupo Sobrevento, em Para Mariela, transforma histórias de crianças imigrantes bolivianas que vivem no entorno de sua sede, na zona leste da capital, em uma reflexão sobre pertencimento, memória e os sonhos que acompanham a experiência da migração.

Outra atração é Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco, primeiro espetáculo do projeto Os Brasis de Darcy – Biografias de um País em Extinção, pesquisa que investiga diferentes biomas e territórios brasileiros a partir da criação cênica. Com concepção e direção de Hercules Morais e dramaturgia assinada em parceria com Angela Ribeiro, a montagem é formada por um grupo de artistas de diversas regiões do país e desenvolve um trabalho que articula teatro, pensamento crítico e escuta de comunidades e paisagens ameaçadas.
Finalmente, Pai contra Mãe ou Você está me Ouvindo? é uma concepção do Coletivo Negro, grupo paulistano que há mais de 18 anos desenvolve pesquisas sobre identidade afrodescendente e representação negra na cena contemporânea. Com direção e dramaturgia de Jé Oliveira, a trama parte do conto Pai contra Mãe, de Machado de Assis, para investigar como a herança da escravidão permanece presente nas desigualdades raciais e sociais do Brasil.
A montagem revisita o texto machadiano a partir de uma perspectiva contemporânea, unindo memória, violência e permanências históricas para refletir sobre os impactos do racismo na formação da sociedade brasileira.
