Dirigida por Daniela Thomas e Estêvão Ciavatta Pantoja, a atriz conduz a plateia em uma jornada de muitos séculos – da formação geológica do planeta ao surgimento da vida, chegando na rotina conectada dos dias de hoje
Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 9 de julho de 2026)
É possível traçar rastros ancestrais para justificar a nossa contemporaneidade?
A atriz Regina Casé dá vida a um solo onde brinca com essa possibilidade, misturando ciência, espiritualidade, meio ambiente e tecnologia, construindo uma narrativa que costura tempos, saberes e histórias como uma grande teia. Ela faz isso com comicidade e com uma das características marcantes de sua identidade, a comunicadora.
Neste novo trabalho, ela não deixa de lado essa faceta que ao longo de cinco décadas esteve presente em trabalhos como quando foi integrante do grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, na década de 1970, ou em aparições mais recentes nos anos 2000 na TV com o programa Esquenta!. É se comunicando, por vezes, diretamente com a plateia que o espetáculo se desenrola.

Com texto de Estevão Ciavatta Pantoja, e colaborações dos cientistas Antônio Nobre e Fábio Scarano, além de Daniela Thomas e da própria Regina, mais do que um solo, Viva! Vida!, que chega ao Teatro Sérgio Cardoso, depois de passar pelo Rio de Janeiro, se constrói como uma experiência cênica potente e expansiva, que aproxima diferentes formas de conhecimento – científicas, filosóficas e ancestrais – para reafirmar uma ideia central: todos os seres vivos da Terra são parentes, compartilhamos a mesma origem cósmica, somos descendentes da primeira forma de vida que surgiu nos mares primitivos da nossa infância planetária.
“Eu acho que esse solo nasceu da minha profunda ignorância e da enorme curiosidade nesses assuntos, ouvindo conversas de Estevão com Antônio Nobre e Fábio Scarano, entre outros. Eu perguntava tanto, me interessava tanto, e via que eles gostavam das minhas ideias e das maluquices que eu falava – e riam delas também. Estevão resolveu começar a gravar esses nossos encontros, e assim foi nascendo o roteiro. Ele escrevia misturando aquelas ideias lindas com minhas digressões, dispersões e o nosso dia a dia invadindo a química, a física e a biologia”, conta a atriz.
A cenografia, que também leva a assinatura de Daniela Thomas, tem papel estruturante no espetáculo. Com painéis de LED desenvolvidos pelo estúdio Radiográfico, o ambiente visual dialoga diretamente com a atriz, acompanhando e ampliando a narrativa. As imagens não apenas ilustram, mas funcionam como extensão da cena, potencializando a experiência sensorial do público.
Já a trilha sonora de Amaro de Freitas, cuja trajetória une a técnica do jazz à ancestralidade dos ritmos nordestinos afro culturais, adiciona uma camada sensorial que conecta ritmo e emoção ao solo. Já o figurino de Regina, fica sob a responsabilidade de Cláudia Kopke.
Serviço
Viva! Vida!
Teatro Sérgio Cardoso. Rua Rui Barbosa, 153
Quinta a sábado, 20h. Domingo, 17h. R$ 15 / R$180
Até 2 de agosto (estreia 9 de julho)
