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Comédia francesa mira nas contradições das relações afetivas contemporâneas

Sinopse

Padrões de convivências amorosas e sociais são postos em questão em adaptação de texto francês que se apoia em um desenrolar cômico e surpreendente; com direção de João Fonseca, montagem explicita os jogos de poder afetivo no mundo contemporâneo

Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 29 de junho de 2026)

Diante do tempo acelerado e em um planeta com muitas questões políticas e sociais a serem resolvidas, há sempre espaço para nos depararmos com as contradições e dificuldades das relações afetivas. Aliás são elas as propulsoras de muitos conflitos. O mundo contemporâneo tem olhado com mais atenção para os aspectos dos vínculos amorosos, antigas formas por vezes já não são vistas como as únicas e pensar os relacionamentos pode gerar um arsenal de possibilidades.

A comédia Uma Semana, Nada Mais, do escritor francês Clément Michel que já percorreu países como Argentina, Chile e Uruguai, tem no Brasil a direção de João Fonseca e busca desnudar as contradições das relações afetivas contemporâneas. O espetáculo estreia nova temporada no Teatro Nair Bello

Leandro Luna, Julianne Trevisol e Beto Schultz em Uma Semana, Nada Mais. Foto Caio Gallucci

Na trama escrita no ano de 2011, Pablo (Leandro Luna) pede ao seu melhor amigo Martín (Beto Schultz) que vá morar com ele e sua namorada Sofía (Julianne Trevisol). O objetivo é claro: desestabilizar a relação para provocar o fim do namoro. O plano se estende por uma semana – tempo suficiente para expor fragilidades, egoísmos e contradições das três personagens.

A convivência forçada serve de pano de fundo para discutir os limites dos relacionamentos afetivos contemporâneos, por meio do humor. A encenação aposta no riso como meio de provocar reflexão sobre o modo como construímos – e desmontamos – nossas relações interpessoais.

Para João Fonseca, que assina a direção, o interesse pela peça veio do modo como a trama se desdobra. “A forma surpreendente e divertida de como vai se desenrolando a história foi o que mais me atraiu”, comenta. Ele destaca ainda a importância do equilíbrio entre comicidade e desconforto. “Trabalhamos o ritmo cômico aproveitando ao máximo as situações propostas, para que o humor surja naturalmente, sem exageros.”

Responsável pela tradução e adaptação do texto, Priscilla Squeff destaca que a versão brasileira partiu da montagem argentina, o que aproximou o ritmo da comédia do nosso repertório cultural. “Tive que localizar algumas referências, atualizando situações para que ressoassem com o público brasileiro sem perder o espírito original da peça. O maior desafio é ajustar o tempo cômico: os contrapontos verbais precisavam funcionar no nosso ritmo.”

Nesse processo, o ponto de partida foi confiar nos personagens. “Eles são humanos, falhos, exagerados — e justamente por isso, engraçados. A ideia é preservar o humor, mas sem se descuidar da camada crítica: a dificuldade de comunicação nos relacionamentos, o medo do confronto, os jogos de poder afetivo. Acredito que o público vai rir de si mesmo, do amigo, do ex, daquele momento constrangedor que todos já viveram ou ouviram falar.”

Serviço

Uma Semana, Nada Mais

Teatro Nair Bello – Shopping Frei Caneca. R. Frei Caneca, 569 

Sextas e sábados, 20h. Domingos, 18h. R$ 100

Até 16 de agosto (reestreia 24 de julho)

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Ficha Técnica

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Serviço

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