O melhor do teatro está aqui

topo

“Orkhḗstra Phántasma” materializa o conjunto de sons e vozes que cruzam nossa cabeça

Sinopse

Espetáculo em cartaz no Sesc Vila Mariana e que marca os 40 anos da carreira do diretor Felipe Hirsch é sobre a ilusão de que somos livres dentro da nossa própria cabeça

Por Ubiratan Brasil (publicada em 25 de junho de 2026)

O diretor Felipe Hirsch completa 40 anos de uma carreira marcada pela constante preocupação com a condição humana. Desde quando fundou a Sutil Companhia de Teatro em 1993, ao lado do ator Guilherme Weber, até sua constante e mais recente parceria com o tradutor e escritor Caetano W. Galindo, o encenador sempre buscou textos que oferecessem um passeio seja pela alma humana, seja pela origem dos idiomas.

Para comemorar as quatro décadas de atividade teatral, Hirsch estreou Orkhḗstra Phántasma no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Trata-se de conjunto de sons, vozes, ruídos, obsessões, mitos e ideias que cruzam uma cabeça. Como diz o material de divulgação, uma transmissão de rádio que muda de estação constantemente e sem nosso controle, uma antena sensível a sons provindos de outros tempos, mundos diferentes, vozes vivas e mortas. Essa orquestra, inexistente mas presente, pode falar línguas que não entendemos, idiomas que talvez nem existam, pode nos colocar numa posição de fascínio, ou recusa.

A peça é sobre a ilusão de que somos livres dentro da nossa própria cabeça. “A casa onde morei até a minha adolescência está vazia. Todo mês eu entro ali e seu silêncio é impressionante”, conta Hirsch. “No entanto, na sala de jantar, posso ouvir (e ver) todos que ainda estão ali. Não é algo etéreo, tampouco sobrenatural. Todos os meus sen dos são inundados involuntariamente pela mais poderosa encarnação da memória e depois, o mesmo profundo silêncio atordoante.”

Milla Fernandez e Thalin em cena de Orkhḗstra Phántasma. Foto Mayra Azzi

A sensação serviu como inspiração e, em março, ele provocou Galindo, enquanto buscavam um tema para uma nova parceria: “e se fosse sobre vozes na cabeça? A cabeça é uma orquestra para os fantasmas”. Animado, Hirsch começou a colecionar fragmentos de memória de um trabalho que realizaria ao lado do diretor e dramaturgo Domingos Oliveira e os atores Fernanda Montenegro e Paulo José. “Tudo que se perdeu, ou foi ceifado, e de alguma forma está gravado nas paredes. Sobre isso, salvei na minha cabeça um belo trecho de Aulo Gélio, Noites Áticas, contando dos Livros de Sibila.”

O interesse pelos sons da memória se intensificou quando a atriz e diretora Georgette Fadel apresentou ao encenador um texto em que revelava como sua cabeça cobrava, na forma de uma narrativa de diário, uma conduta, um desempenho, coragem, persistência, determinação, uma segurança “que me pareceu sobre-humana e, no entanto, muito reconhecível. Perguntei se isso ‘passava por sua cabeça’. Sua resposta veio num carregamento de dezenas de diários escritos ao longo de quarenta anos. Parte do material está nesta peça”.

Orkhḗstra Phántasma, portanto, inexistente mas presente, pode falar línguas não compreensíveis, idiomas que talvez nem existam, pode colocar o espectador em uma posição de fascínio ou recusa. As frequências que sintoniza são ao mesmo tempo rádio (na medida em que oferece o inesperado), jukebox (quando se serve de um repertório prévio e seleciona), karaokê (por exigir uma participação) e turntable (ao manipular esses materiais de modo criativo).

No elenco, além de Fadel, estão Milla Fernandez, Pascoal Da Conceição, Renato Livera, Roberta Estrela D’alva, Thalin e Thiago Amaral.

Serviço

Orkhḗstra Phántasma

Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas 141

Quinta a sábado, 20h. Domingo, 18h. Sessões extras quarta (22/07), 15h e quarta (29/07), 20h R$ 90

Até 2 de agosto (estreou 20 de junho)

[acf_release]
[acf_link_para_comprar]

Ficha Técnica

[acf_ficha_tecnica]

Serviço

[acf_servico]