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“Nocaute” discute afetividade de uma masculinidade negra em ruínas

Sinopse

Peça da Cia. Trilha de Teatro se inspira em uma lenda do boxe, Muhammad Ali, para investigar território de incompletudes onde desejos, afetos e decisões permanecem em suspenso

Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 15 de junho de 2026)

Um jantar que nunca se completa reúne dois homens que se encaram como reflexos distorcidos um do outro. Nesse encontro entre Caio e Miguel, dois homens negros, desejo, medo e afeto se enfrentam em rounds silenciosos, onde o corpo vira campo de batalha e o silêncio, golpe. Entre provocações, memórias e desvios, os dois tentam entender se o que os separa é o medo da derrota ou o medo da vitória.

Esse é o ponto de partida de Nocaute, novo trabalho da Cia. Trilha de Teatro, que chega ao Sesc Pinheiros. Idealizada e estrelada por Felippe Salve e Ronaldo Fernandes, a peça dirigida por Helena Cardoso tem como forte referência uma lenda do boxe, Muhammad Ali (1942-2016), peso pesado nascido como Cassius Clay. Trata-se de um espetáculo que aborda masculinidades em colapso, sentimentos reprimidos e a coragem de permanecer em pé mesmo depois do último soco.

O projeto nasce do desejo de Salve e Fernandes de investigar a poética do “quase” – esse território de incompletudes onde desejos, afetos e decisões permanecem em suspenso. “Nossa vontade era compreender o que nos impede de avançar. O trabalho surge desse olhar para as nossas próprias fragilidades que se depararam, inevitavelmente, com a masculinidade de dois homens pretos, e para o vazio que, muitas vezes, atravessa as nossas vivências”, afirma Fernandes.

Fellipe Salve e Ronaldo Fernandes no espetáculo Nocaute. Foto Noelia Nájera

É nesse momento que a trajetória de Muhammad Ali surge como referência de força e deslocamento. “Ali nos ensinou que o afeto é um gesto político. Para nós, esta peça é sobre ter a coragem de ser vulnerável e reivindicar o amor que, historicamente, nos foi negado por um mundo que sempre tentou nos endurecer”, completa Salve.

Caio e Miguel encontram nessa figura masculina e na trajetória histórica do boxeador uma possibilidade de se reconhecerem plenamente – em seus desejos, em suas sexualidades e na forma como vivenciam a homoafetividade. “A referência a essa figura inspira a criação não apenas de uma história de luta e superação, mas também de uma ode à resiliência e a busca pela identidade. É também uma forma de explorar a complexidade da identidade negra e da auto aceitação desses personagens”, cita Fernandes, autor do texto.

Estreante na direção, Helena Cardoso reúne referências estéticas e um olhar sobre o corpo do ator, marcas presentes em sua trajetória artística. “Logo na primeira cena, eles apresentam máscaras que vão se desmontando, deixando a fragilidade interna vir à tona. Esses trabalhos têm como elemento central o corpo dos atores e um elemento de cenografia que os ativa”, afirma.

Serviço

Nocaute

Sesc Pinheiros. Rua Paes Leme, 195

Quintas a sábados, 20h30. Feriados, 18h. Não haverá sessão no dia 19/06. Dias 26/06, 03/07 e 10/07, sessões às 16h e às 20h30. R$ 50

Até 11 de julho (estreia em 11 de junho)

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Ficha Técnica

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Serviço

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