O melhor do teatro está aqui

shrek

“Gente de Classe” faz sátira sobre classe média em colapso

Sinopse

Em 2040, um condomínio de luxo vira trincheira moral, religiosa e política de um Brasil que insiste em não se reconhecer – montagem do Grupo Carmim, de Natal, aposta no humor ácido para confrontar gênero, classe e fé em um país à beira de novas rupturas

Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 26 de maio de 2026)

As questões políticas, ambientais e sociais do mundo não andam muito apaziguadoras e talvez seja por isso que as distopias têm tomado conta de muitas narrativas. Imaginar o futuro para problematizar o presente é algo presente em muitas construções literárias. Caso do mais recente livro do escritor britânico Ian McEwan, O que podemos saber, em que situa sua história em 2119, onde a personagem principal, um pesquisador de história da literatura, lança um olhar para os nossos tempos. 

Não só a literatura tem abraçado esse jogo. O Grupo Carmim, do Rio Grande do Norte, estreia no Sesc Avenida Paulista, o seu mais novo espetáculo, Gente de Classe, com direção de Quitéria Kelly, no qual nos lança para o ano de 2040, não tão distante do nosso tempo, e projeta um Brasil que parece futuro, mas fala diretamente do presente.

Cena do espetáculo Gente de Classe, do Grupo Carmin. Foto Márcia Novaes

Em um condomínio de luxo, o lar de uma família de classe média deixa de ser apenas o lar para se tornar um retrato das tensões sociais e contemporâneas. Em uma rotina aparentemente comum, uma mãe solo e seus dois filhos vivem cercados pelo conforto e desejo de empreendedorismo; mesmo em um mundo abalado por revoltas sociais e desigualdades crescentes. Protegido por uma empresa de segurança privada, o condomínio Nova Canaã parece imune ao caos do lado de fora, até que o muro que separa esses dois mundos começa a ruir. 

Inspirada nas leituras do sociólogo potiguar Jessé Souza, a dramaturgia constrói um recorte específico da classe média — urbana, escolarizada, moralmente ansiosa — que pode ser reconhecida em diferentes regiões do país. “Não é de uma ‘ficção científica’ clássica, que tenta antecipar o futuro, mas uma crítica do presente a partir da projeção desse futuro possível”, afirma Quitéria Kelly, diretora do espetáculo.

Outro momento do espetáculo Gente de Classe, do Grupo Carmin. Foto Ligia Jardim

No centro da narrativa está uma mãe solo, que cria dois filhos dentro do condomínio blindado Nova Canaã. Ela encarna a contradição entre autonomia e sobrecarga, discurso progressista e prática conservadora. Ao seu redor, personagens majoritariamente femininas ampliam o debate: Maria, a inteligência artificial doméstica, e uma ativista do movimento revolucionário disputam o espaço privado e o espaço público.

“O protagonismo feminino é uma larga tradição na modernidade. Por que não imaginar que a próxima revolução deste século XXI comece e seja liderada por mulheres?”, provoca a diretora. Criada antes da pandemia, a peça foi retomada em 2024, quando o grupo percebeu que as tensões que a motivaram permaneciam ativas. “A surpresa é que, a despeito de estarmos com um governo mais democrático, os temas e as questões levantadas continuavam vivos na sociedade brasileira”, afirma Quitéria Kelly. O conteúdo político, aqui, é assumidamente mais explícito.

Serviço

Gente de Classe

Sesc Avenida Paulista. Avenida Paulista, 119

Quinta a sábado, 20h. Domingo e feriado, 18h. Dias 10, 17 e 24/6 (quartas), 15h. Não haverá sessões nos dias 13/06 (sábado) e 19/06 (sexta). R$ 60

Até 28 de junho (estreia 29 de maio)

[acf_release]
[acf_link_para_comprar]

Ficha Técnica

[acf_ficha_tecnica]

Serviço

[acf_servico]