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“Murro em Ponta de Faca”, de Augusto Boal, ganha versão com direção de Kiko Marques

Sinopse

Escrito em 1974 durante o exílio do dramaturgo, drama sobre três casais exilados pela ditadura militar é exposto em montagem que ocupa o Teatro de Arena – palco de muitos trabalhos de Boal

Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 2 de abril de 2026)

O longo período em que o diretor e dramaturgo Augusto Boal (1931-2009) se exilou por conta de perseguições políticas durante o período da ditadura militar não desmobilizou suas produções. O próprio Teatro do Oprimido, seu grande legado para as artes cênicas – método que transforma o espectador passivo em agente e protagonista da ação dramática e social – se desenvolveu em grande parte em países da América Latina e da Europa, durante seu desterro.

Boal também dedicou o tempo do exílio para a construção de novas dramaturgias como o texto Murro em Ponta de Faca, que expõe o drama de três casais que sofrem a solidão do exílio, narrado com a precisão de quem teve a própria vida interrompida pelo autoritarismo.

Três casais brasileiros exilados – um burguês, um operário e um intelectual – são obrigados a conviver no mesmo espaço físico. Apesar das diferenças, eles se descobrem ligados por um mesmo sentimento: o de viver em um tempo suspenso e não pertencer a lugar nenhum. Esse é o enredo da peça que reestreia no Teatro de Arena, com direção de Kiko Marques, do Grupo Pedra Livre

Cena do espetáculo Murro em Ponta de Faca, de Augusto Boal. Foto Ray

A encenação dá ênfase ao drama humano vivido pelos seis personagens da peça.  “O texto ultrapassa a camada política e alcança questões que só o teatro e a arte conseguem abordar. A relação daquelas pessoas e a luta delas consigo próprias é que interessava”, afirma o diretor que adotou a principal orientação de Boal registrada na rubrica do texto: somente atores e malas no palco. 

A montagem de Kiko Marques também segue a inspiração trazida por Boal dos EUA nos anos 1950. O diretor enfatiza atuações naturalistas, a partir das técnicas do método Stanislavsky que Boal apresentou aos atores brasileiros depois de passar pelo Actor’s Studio, em Nova York. Mais tarde, Boal criaria seu próprio método – o Teatro do Oprimido – que democratizava o fazer teatral. 

Dirigida por Paulo José, a primeira encenação aconteceu no Teatro de Arte Israelita Brasileiro no ano de 1978, em São Paulo, pela Companhia de Teatro Othon Bastos, às vésperas da Lei da Anistia – que traria de volta os últimos perseguidos do regime militar. 

A montagem atual do Grupo Pedra Livre também sela uma lacuna – Boal dirigiu o Teatro de Arena, que foi palco de muitos dos seus trabalhos, mas nunca a peça Murro em Ponta de Faca. A reestreia celebra essa falta em um período em que o Brasil assistiu a uma tentativa recente de um novo golpe militar e a ameaças que seguem pairando sobre as liberdades democráticas. 

Serviço

Murro em Ponta de Faca

Teatro Arena. Rua Dr. Teodoro Baima, 94

Sextas, 19h30. Sábados e domingos, 19h. Sessão extra, dia 25/04, 15h. Não haverá sessão dia 19/04. R$ 60

Até 26 de abril (estreia 3 de abril)

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Ficha Técnica

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Serviço

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