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Um festival que mostra como o teatro do mundo retrata as crianças

Sinopse

Pela vigésima vez, a Cia. Paideia realiza seu festival internacional para crianças e jovens, um feito cada vez mais raro em um País de pouco apoio institucional às artes cênicas; para esta edição comemorativa, virão espetáculos da Alemanha, Argentina e Suíça, com atrações variadas em linguagens e temas

Por Dib Carneiro Neto (publicada em 25 de setembro de 2026)

Duas décadas inteiras recrutando para sua sede, no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, só gente de boas cabeças, vindas do mundo todo, pessoas que vivem de encantar públicos mirins e jovens no teatro, artistas que sabem praticar no palco a força da imaginação e entendem o quanto as artes cênicas podem causar transformações, para muito além do mero didatismo. Duas décadas inteiras. Que coisa linda. Que feito a ser aplaudido de pé, efusivamente. 

Reunindo artistas de quatro países (Brasil, Alemanha, Suíça e Argentina) e quatro Estados brasileiros (São Paulo, Minas Gerais, Pará, Rio Grande do Sul), além do Distrito Federal, a Cia. Paideia de Teatro realiza a 20ª edição do Festival Internacional Paideia de Teatro para a Infância e Juventude: Uma Janela para a Utopia, de 26 de setembro a 1º de outubro, com todos os ingressos gratuitos.

Cena do espetáculo Ursinho Pooh, do Festival Paideia. Foto Irene Beeli

Uma prova de que o Festival segue buscando avançar nas temáticas, quebrando barreiras e assuntos antes considerados tabus é a inclusão na programação deste ano de dois espetáculos que abordam a construção da identidade homossexual de adolescentes e jovens: Jhuca Tchutchuca em: Esse Sou Eu, da Trupe de Truões (Uberlânia-MG), e Tengo una Muñeca en el Ropero (Tenho uma Boneca no Guarda-Roupa), do Grupo de Teatro “Buenos Aires”, da Universidade Popular de Belgrano (Argentina). 

E esse tema tão necessário não estará apenas no palco, mas presente em uma mesa de debate, especialmente programada para discutir ideias em torno dos dois espetáculos. O título da mesa, que será coordenada por Cleiton Echeveste, é ‘A narrativa da identidade homossexual em cena’. Imperdível. 

“Em 28 anos de trabalho com teatro para – e com – crianças e jovens, foram 20 anos de festivais, com troca de experiências com artistas e educadores de várias partes do mundo”, comenta Aglaia Pusch, curadora e diretora do Festival. “Aprendemos e nos desenvolvemos, tanto quanto contribuímos para o desenvolvimento de outras tantas companhias que trabalham com jovens e crianças. Estamos no mundo participando de muitas redes e associações, não estamos sós e valeu muito todo o esforço para realizar esta 20ª edição, enfrentando tantos desafios aos quais a Cultura está sendo submetida, mas com a clareza de que todo o trabalho com e para Jovens e Crianças é prioritário e deve continuar existindo.”

No total, a programação traz 15 espetáculos e oito atividades formativas, entre oficinas, as mesas de reflexão, encontro e palestra, criando uma programação que atravessa diferentes linguagens, como teatro, teatro de formas animadas, palhaçaria, dança, música, movimento e teatro documental. Como se observa no material de divulgação, as obras abordam temas como identidade, pertencimento, memória, liberdade, sexualidade, relações familiares, infância, juventude, conflitos, deslocamentos, meio ambiente, trauma e resiliência, aproximando experiências brasileiras e internacionais.

Cena de Um dia, Um Rio, do Festival Paideia. Foto Pri Fiotti

Vale destacar que da Alemanha virão nada menos do que três espetáculos. The Drop (Queda livre), do D’haus Düsseldorfer Schauspielhaus, fala dos medos, sonhos e experiências de jovens que passaram pela Pandemia de Covid-19. Blindekuh mit dem Tod (A brincadeira da Cabra Cega com a morte), do mesmo grupo, recupera as memórias de crianças judias de Czernowitz antes e durante a Segunda Guerra Mundial. E o terceiro, Blooom, do Teatro 4Garoupas, grupo teuto-brasileiro, procura investigar as transformações, os encontros e as possibilidades de criação a partir do corpo. Três potèncias temáticas, capazes de atrair públicos de todas as idades.

Da premiada companhia-sede, a Paideia, o público poderá conhecer Adivinhona, o mais recente trabalho do grupo, que encerra o festival. A narrativa é inspirada nos contos de artimanha, ciladas e trapaças, tão comuns na cultura brasileira Com texto e direção de Ana Luíza Junqueira, a protagonista enfrenta o poder usando sua inteligência e criatividade. Entre no site do festival e veja datas, horários e locais de cada apresentação, oficina ou debate: https://paideiabrasil.com.br/festival2026/.

Serviço

Festival Internacional Paideia de Teatro para a Infância e Juventude: Uma Janela para a Utopia

Até 1º de outubro (estreia em 26 de setembro)

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Ficha Técnica

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Serviço

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