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João Falcão revitaliza seu clássico infantil mais romântico

Sinopse

Escrito em 1983, sobre o amor de um grão de areia por uma estrela, ‘O Pequenino Grão de Areia’ ganha uma versão bem mais musical, com novos diálogos, a partir deste sábado, de graça, no Teatro do Sesi-SP

Por Dib Carneiro Neto (publicada em 17 de abril de 2026)

As bissextas incursões do grande diretor de cinema e TV João Falcão são sempre muito bem-vindas, pelo que contêm de criatividade, inteligência, ousadia, inovação, poesia e musicalidade. A Ver Estrelas (1995), por exemplo, é uma pérola imbatível no panteão da dramaturgia para crianças no Brasil. Quem já viu alguma de suas inúmeras montagens sabe que é ouro puro.

Na lista dessas maravilhas ‘falcônicas’ de censura livre está também O Pequenino Grão de Areia, que ele escreveu em 1983, e agora chega em nova versão – musical – ao Teatro do Sesi, em São Paulo, grátis. Um ápice do romantismo fantasioso nos palcos infantis, com mais delicadeza e sutileza do que arroubos e exageros, a peça – quase na pegada de um Romeu e Julieta – fala do amor impossível (será?) de um grão de areia, extremamente sonhador, que olha para cima e se apaixona por uma inatingível estrela. Isso explicaria a existência da estrela do mar? 

Esse enredo foi tirado dos primeiros versos da canção Estrela do Mar, composta nos anos 1950 por Paulo Soledade e Marino Pinto, grande sucesso em vozes como Dalva de Oliveira e Maria Bethânia.  “A história do Sonhador tem no teatro um desfecho diferente da história da canção”, antecipa João Falcão ao Canal Teatro MF, recifense de 67 anos, exultante com o desafio de reavivar a dramaturgia e a direção de um espetáculo que escreveu há mais de 40 anos.

Cena da peça O Pequenino Grão de Areia, direção de João Falcão. Foto Ale Catan

“Acho que nada precisava ser mexido na intenção de atualizar o texto”, acrescenta. “Mas eu era muito jovem nesse tempo e hoje estou bem diferente do que eu era quando escrevi. Então fui mexendo no texto, sim, criando novos diálogos, novas canções, e acho que ficou mais próximo do que eu faria se hoje eu fosse escrever esse texto do zero”, continua.

A música sempre tem papel forte em seus espetáculos. Desta vez não será diferente. “Essa montagem é até bem mais musical do que a de 1983”, confirma ele. “Além das novas canções, temos um elenco em que todos tocam instrumentos. Convidei o músico Ricco Viana, um grande parceiro de outros trabalhos no teatro e no cinema, para trabalhar comigo na trilha sonora e o processo de criação musical está sendo muito divertido.”

Para o encenador, o que não pode faltar em uma peça para crianças é o jogo. Ele diz: “O entendimento do teatro como um jogo combina perfeitamente com o gosto da criança pela brincadeira. Quando brinca de ‘faz de conta’ a criança está fazendo teatro. O que não pode faltar no teatro para crianças é o faz de conta. Para a criança, tudo é possível. Vai ser muito especial ver minhas netas assistindo algo que criei há tantos anos, quando nem sonhava em tê-las”.

O elenco da peça infantil O Pequenino Grão de Areia. Foto Ale Catan

“É um privilégio contar com a direção de João Falcão no Teatro do Sesi, no Centro Cultural Fiesp, especialmente em uma obra que se destaca por sua delicadeza e sensibilidade. O espetáculo apresenta uma narrativa sobre determinação e amor, conduzida com sutileza. A expectativa é de uma montagem singular e encantadora, em consonância com o propósito do Sesi-SP de garantir o acesso à arte e à cultura de qualidade, de forma gratuita e democrática”, afirma a analista de atividades culturais do Sesi-SP, Anna Polistchuk.

Serviço

O Pequenino Grão de Areia

Centro Cultural Fiesp – Teatro Sesi SP. Av. Paulista, 1313

Quintas e sextas-feiras, 11h. Sábados e domingos, 15h. Grátis. Reservas em  https://www.sesisp.org.br/eventos

Até 6 de junho (estreia em 18 de abril)

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Ficha Técnica

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Serviço

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