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Com Shakespeare, “Sueño” traz a América Latina que busca reaprender a sonhar com a liberdade

Sinopse

Peça de Newton Moreno mostra como ecos do autoritarismo ainda criam novas tragédias

Por José Cetra Filho

Em sua curta temporada no final de 2021 no jardim do Teatro João Caetano, o espetáculo Sueño entusiasmou não só o privilegiado pequeno número de espectadores que teve a oportunidade de assisti-lo (eram apenas pouco mais de 20 lugares por sessão), mas também a crítica que o consagrou como o melhor espetáculo do ano. 

Apresentada ao ar livre, a montagem tinha como companheira uma frondosa árvore que lhe servia de cenário. Curiosamente, a tão bem sucedida apresentação ao ar livre só aconteceu por causa da pandemia, uma vez que a peça foi imaginada para ser apresentada em palcos convencionais, segundo me informou o autor/diretor Newton Moreno.

A sinopse da peça dá uma ideia dá complexidade da montagem do texto que envolve muitas camadas:

“Santiago, Chile. 1973. Um grupo de teatro está ensaiando ‘Sonho de Uma Noite de Verão’. Um casal de militantes Vine (José Roberto Jardim) e Laura (Michelle Boesche) foge de seu país e é separado pela ditadura de Pinochet quando ela está grávida. O marido não descansará até encontrar a sua família. No exílio ele sonha todas as noites com a peça que não pôde estrear e como ele pretende, através do texto de Shakespeare, encenar uma América Latina que precisa reaprender a sonhar com liberdade e independência. Quando a ditadura chilena é derrocada na década de 1990, Vine retorna ao Chile para tentar encenar a peça novamente. O reencontro com seu país mostrará que os ecos do autoritarismo ainda podem criar novas tragédias.” 

Leopoldo Pacheco em Sueño. Foto João Caldas Fº

Segundo Moreno, a ideia da peça surgiu quando ele percorreu vários países da América Latina e, em especial, com sua visita ao museu localizado nas dependências da extinta ESMA (Escuela de Mecanica de la Armada) em Buenos Aires, local onde se torturou e matou milhares de pessoas contrárias ao regime ditatorial vigente na época na Argentina. 

Quase dois anos se passaram e a Heróica Companhia Cênica não encontrou outra paisagem e local adequados para apresentar a peça ao ar livre e agora, para gaudio dos espectadores, ela volta adaptada para palco italiano para uma temporada mais longa no Itaú Cultural que tem capacidade de 224 espectadores por sessão.

Uma das grandes novidades da montagem é o novo espaço cênico adaptado pelo autor/diretor, pelo ator Leopoldo Pacheco, pelo cenotécnico Zé Valdir e pela equipe de produção a partir da cenografia original de Chris Aizner que incorporava a já famosa árvore do jardim do Teatro João Caetano.

A outra novidade é a substituição de Denise Weinberg, que está envolvida com filmagens na Amazônia, por Sandra Corveloni. Sandra nos atendeu por telefone e confessa estar muito entusiasmada em poder fazer parte de uma equipe que ela adjetiva como talentosa e muito generosa. Ela interpreta a rainha Elisabeth I da Inglaterra, a mãe da personagem Laura e Titânia, personagem da peça Sonho de Uma Noite de Verão de Shakespeare. Sandra tem consciência da responsabilidade que lhe cabe para o sucesso do espetáculo, mas seu talento e versatilidade são mais que suficientes para cumprir com essa tarefa. Segundo seus colegas de equipe, Newton Moreno e José Roberto Jardim, Sandra trouxe “novas cores” para o espetáculo.

Paulo de Pontes em Sueño. Foto João Caldas Fº

José Roberto Jardim está muito entusiasmado para voltar dois anos depois com seu personagem Vine, que ao que tudo indica é um alter ego do autor. Segundo Jardim, esses dois anos, decisivos para nosso país, mexeram com todo o elenco, mas retornar a esse estilhaço de esperança tem sido gratificante para todos.

Leopoldo Pacheco tem a difícil função de humanizar um militar torturador e se incumbe também de Oberon e de funcionário de uma multinacional. Simone Evaristo se encarrega de Puck e de uma feiticeira guerreira das florestas. Paulo de Pontes, egresso do grupo Os Fofos Encenam como Moreno e Jardim, tem presença marcante como Shakespeare, operário minerador, Píramo e velho ator.

A performance sonora é executada ao vivo por Gregory Slivar. Desenho de luz de Wagner Pinto; figurinos de Leopoldo Pacheco e Chris Aizner; visagismo de Leopoldo Pacheco.

A elucidativa matéria de Ricardo Cardoso contida no programa da primeira montagem seria muito útil para os futuros espectadores melhor desfrutarem das várias camadas oferecidas pelo texto de Newton Moreno, um manifesto poético, segundo o autor, com forte conteúdo de denúncia contra todo regime repressivo.

SERVIÇO:

Sueño

Itaú Cultural. Avenida Paulista, 149

Quinta a sábado, 20h. Domingo, 19h

Ingressos gratuitos a serem reservados na semana anterior às sessões pela plataforma INTI – acesso pelo site do Itaú Cultural www.itaucultural.org.br

Até 17 de setembro

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Ficha Técnica

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Serviço

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