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“Do Ventre à Cabeça” retrata vida e tradições ribeirinhas amazônicas

Sinopse

A partir de saberes e vivências transmitidos pela avó da autora Luiza Braga, também em cena em seu primeiro solo, montagem trata de ancestralidade, infância, travessias, cultura popular e a chamada Encantaria Amazônida, uma manifestação popular fundada em saberes indígenas e afro-diaspóricos

Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 27 de outubro de 2026)

Em 2021, a atriz e dramaturga Luiza Braga dirigiu o documentário Mariana: Histórias de Vida e Encantaria, produzido pelo Filhos de Iracema, que apresenta o universo do Tambor de Mina e a tradição da Encantaria Amazônida, focado na figura da Cabocla Mariana, uma das princesas turcas encantadas nas praias de Lençóis, no Maranhão. A pesquisa iniciada com este filme deu origem ao espetáculo Do Ventre à Cabeça, que estreou no Sesc Ipiranga. 

Agora em cena, no seu primeiro solo, Luiza reúne narrativas orais de uma mulher ribeirinha, de Cametá, cidade no interior do estado do Pará, e histórias míticas da cabocla encantada Mariana, a Padroeira da Encantaria e do Tambor de Mina. A artista traça um diálogo entre sua trajetória familiar, os saberes da Encantaria e as migrações que fazem parte de sua jornada. 

Para a construção da dramaturgia, Luiza contou mais uma vez com o Coletivo Filhos de Iracema, que atua em comunidades tradicionais de terreiro, especialmente a Casa T.E.U.C.Y., segundo terreiro mais antigo do Pará.  Juntos realizaram a pesquisa para a criação da peça com entrevistas, resgatando cantigas e compilando relatos de mães de santo e das entidades que trabalham na casa. 

Partindo da palavra delicadeza, a encenação de Victor Mendes busca bordar o palco com simplicidade e manualidade. A atriz manipula todos os elementos para transformá-los ou ressignificá-los na frente do público, trazendo uma ideia do feito à mão, dessa sabedoria que se aprende na lida diária do ofício.

Luiza Braga no solo Do Ventre à Cabeça. Foto Caio Oviedo

O cenário, assinado por Marisa Bentivegna, corrobora com essa escolha, oferecendo uma sensação de palco-rio para o público, com margens borradas, no qual a atriz navega por ilhas cênicas enquanto conta sua história que faz parte de uma cultura tão rica quanto mítica.

Em cena o tempo todo, a musicista Gisah Preta cria sonoridades e embala a cena com a sutileza proposta pela encenação. Outro elemento sonoro importante é a voz de Mãe Rita D’Oxum, Yalorixá no T.E.U.C.Y., terreiro situado em Ananindeua, no Pará, que completa oitenta anos em 2026. Sua voz presente na peça, simboliza todas as mulheres detentoras do saber e das tradições ribeirinhas amazônidas, e das encantarias, que ecoam em alguns momentos da peça, compondo essa rede da tradição em cena.

Serviço

Do Ventre à Cabeça

Sesc Ipiranga. Rua Bom Pastor, 822

Sextas, 21h. Sábados, domingos e feriado 2/11, 18h30. R$ 50

Até 15 de novembro (estreou 23 de outubro)

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Ficha Técnica

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Serviço

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