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“Quando Despertarmos de Entre os Mortos”, o testamento literário de Henrik Ibsen

Sinopse

Peça dirigida por Elias Andreato e estrelada por Maria Fernanda Candido e Celso Frateschi coloca em questão o que se sacrifica em nome da criação e a que custo

Por Ubiratan Brasil (publicada em 8 de outubro de 2026)

Considerado um dos maiores dramaturgos da história, o norueguês Henrik Ibsen (1828-1906) é considerado um dos criadores do teatro realista moderno com clássicos como Casa de Bonecas e Hedda Gabler. Observador atento da sociedade e crítico feroz do moralismo atávico do final do século XIX, antecipou muitas das críticas sociais e controvérsias modernas com um sentido poético singular.

Quando Despertarmos de Entre os Mortos (1899), sua última obra, coloca em questão o que se sacrifica em nome da criação e a que custo. O texto ganha montagem no Sesc Pinheiros a partir desta quinta-feira, 8, com direção de Elias Andreato e estrelado por Celso Frateschi e Maria Fernanda Candido, ao lado de Maria Manoella, Fernando Nitsch e Angelo Brandini.

Na trama, o escultor Rubek (Frateschi) vive um casamento monótono e infeliz com sua jovem esposa, Maja (Manoella). O artista tenta reconstruir a própria história ao reencontrar Irene (Maria Fernanda), mas o encontro não representa uma retomada do passado, e sim o confronto com aquilo que os dois deixaram de viver.

Maria Manoella, Celso Frateschi e Maria F. Candido em Quando Despertarmos de Entre os Mortos. Foto João Caldas

“A discussão central da peça é sobre o que é mais importante, a vida ou a arte?”, comenta Maria Fernanda Candido. “Irene não retorna para fazer um acerto de contas, mas para dizer o que estava engasgado e, ao fazer as suas reivindicações, Irene percebe que Rubek realmente não tem consciência do que causou na vida dela, obrigando-a à marginalidade.”

Escrita como uma espécie de testamento literário de Henrik Ibsen, Quando Despertarmos de Entre os Mortos sintetiza o clima de transição associado ao fin de siècle europeu. O período foi marcado pela convivência entre o avanço industrial e uma crescente angústia existencial.

“O autor tem uma habilidade no poder da palavra, cria personagens com sutilezas e várias camadas. É um clássico, todavia os personagens falam dos sonhos, sentimentos, frustrações, conversam diretamente com o hoje, com a nossa atualidade em todos os sentidos”, comenta o diretor Elias Andreato.

Segundo ele, há uma morte que não acontece no corpo. “Acontece devagar. Quando deixamos de desejar. Quando o medo começa a escolher por nós. Quando nos acostumamos àquilo que já não nos faz vivos”, comenta. “Há pessoas que continuam respirando, trabalhando, amando, cumprindo seus dias e, ainda assim, alguma coisa dentro delas já morreu. Talvez seja disso que Ibsen nos fale. Porque talvez o verdadeiro despertar aconteça quando já não houver tempo. Quando finalmente compreendermos que a vida estava acontecendo enquanto esperávamos pela vida. Que o amor estava ali. O corpo estava ali. A criação estava ali. A juventude estava ali. O outro estava ali. E nós não vimos.”

Celso Frateschi e Maria Manoella em Quando Despertarmos de Entre os Mortos. Foto João Caldas

Com uma carreira marcada por clássicos, Celso Frateschi atua pela primeira vez em uma obra do autor norueguês. “Sem dúvida, Henrik Ibsen é um dos maiores dramaturgos do teatro ocidental. A dramaturgia de Quando Despertarmos de Entre os Mortos, é clássica: traz dimensões políticas e sociais e carrega uma carga sentimental profunda que envolve os personagens e a capacidade do dramaturgo de fabular. São características que o tornam atual em todos os sentidos”, comenta.

Serviço

Quando Despertarmos de Entre os Mortos

Sesc Pinheiros – Teatro Paulo Autran. Rua Paes Leme, 195

Quinta a sábado, 20h. Domingos, 18h. No dia 12 de outubro, 18h. Nos dias 29 de outubro e 5 de novembro, 17h. R$ 90

Até 8 de novembro (estreia 8 de outubro)

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Ficha Técnica

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Serviço

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