Jornada interna do protagonista em busca de si mesmo guia o solo que, após dois anos, estreia em São Paulo; peça é inspirada no livro homônimo de Hermann Hesse
Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 12 de agosto de 2026)
O escritor, poeta e pintor alemão Hermann Hesse (1877-1962), ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, realizou no ano de 1911, alguns anos que antecederam a primeira guerra mundial, uma viagem à Índia. Desta experiência, ele escreveu e publicou em 1922 o romance filosófico Sidarta, no qual apresenta de forma ficcionalizada uma jornada espiritual vivida pela personagem título do livro.
Na época de seu lançamento, a obra não se tornou imediatamente um grande sucesso, ficando popular após os movimentos de 1968 na Europa, América do Norte e Ásia, tornando-se um romance da contracultura.
O ator e diretor Angel Ferreira se inspirou nesta obra para criar o solo homônimo ao livro que, depois de dois anos em cartaz, estreou em São Paulo no Teatro Estúdio. A peça, ambientada na Índia, assim como o livro, se passam durante os séculos VI e V a.C, período no qual o líder espiritual Buda, cujo nome original era Sidarta Gautama, viveu.
Preparado ao longo de cinco anos, o espetáculo narra a jornada do protagonista em busca de si mesmo, em uma apresentação que mescla narrador, personagens e ator a partir de uma montagem minimalista, cuja iluminação foi indicada ao Prêmio Shell no ano de 2025.

Na história da peça, acompanhamos Sidarta, inteligente filho de Brâmane, a deixar a casa dos pais. Seguido por seu melhor amigo, Govinda, ambos aderem aos samanas, vertente espiritual que busca a iluminação através da mortificação do corpo. Em seguida, desconfiado e desiludido com as doutrinas, Sidarta conhece o próprio Buda e dele também se afasta, determinado a encontrar seu próprio caminho ou a morte.
Estabelece relação com uma cortesã da cidade, torna-se comerciante, embrenha-se no vício e no materialismo, para novamente deixar tudo para trás e retornar à simplicidade, junto a um barqueiro que se revela um mestre e amigo. Ideias de aprisionamento e libertação são propostas na dramaturgia como um jogo para descortinar ilusões e aprofundar subjetividades.
Angel destaca a relação da peça com temas atuais e urgentes, principalmente os ambientais. “Quando eu penso que nós vivemos num mundo em colapso climático, no qual o negacionismo encontra força justamente no fato de que deixamos de conviver com as árvores, os bichos, as águas limpas, fazer uma peça que conta a história de uma pessoa que encontra a paz se dedicando a ouvir a voz do rio, me encanta! Isso pra mim é urgente de ser trabalhado nas artes. Uma nova compreensão da centralidade da natureza nas nossas vidas”, afirma.
Serviço
Sidarta
Teatro Estúdio. Rua Conselheiro Nébias, 891
Em agosto, sábados e domingos, 17h, e segundas, 20h
Em setembro, sextas, 20h, e sábados e domingos, 17h (não haverá sessão no dia 4). R$ 100
Até 27 de setembro (estreou 8 de agosto)
