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“Patente” discute branquitude a partir de “Otelo” de Shakespeare

Sinopse

Montagem com ingressos gratuitos parte de um prelúdio imaginário da tragédia shakespeariana para investigar os mecanismos de naturalização no Brasil

Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 16 de março de 2026)

A peça Otelo é uma tragédia das aparências, observa o ator e dramaturgo Leonardo Chaves sobre um dos mais fascinantes personagens criados por William Shakespeare. “Iago afirma no texto: ‘não sou o que sou’. Essa lógica nos interessa porque a branquitude também opera por falsas pistas. O jantar parece afeto – mas será? O colorismo é outra dessas armadilhas. A peça expõe as engrenagens e deixa o público diante da pergunta”, comenta ele, que divide o palco do Teatro Arthur Azevedo ao lado de Thiago Marques na montagem Patente.

Trata-se de uma peça que dialoga com o Otelo shakespeariano. Com dramaturgia de Chaves e Marques, além da direção de Anderson Negreiro, a montagem parte de um prelúdio imaginário da tragédia shakespeariana para investigar a branquitude e seus mecanismos de naturalização no Brasil.

No palco, Iago e Otelo dividem a mesa antes da tragédia original, mas eles também são Leonardo e Thiago: um ator branco e um ator negro que discutem, no presente, a criação de Patente. Um jantar – preparado ao vivo pelos atores – permeia as duas camadas e transforma a cena em um espaço de tensionamento. As relações estão em um jogo de pistas falsas e acobertação que só se revela no final. De mais real apenas a comida que é cozida de fato em cena.

Thiago Marques e Leonardo Chaves em Patente. Foto Marcelle Cerutti

Patente foi inicialmente concebido por Chaves que, durante o isolamento da pandemia, decidiu transformar inquietações sobre branquitude em material cênico. E o projeto ganhou novas camadas com a chegada de Marques e Negreiro. “A perspectiva muda quando entram corpos negros em cena. A ideia do colorismo, por exemplo, surge das provocações do Anderson. A escolha de Otelo também não é aleatória: ao trazê-la para o presente, percebemos como a branquitude se afirma como norma, como se o branco fosse o padrão invisível que organiza as relações”, afirma Chaves.

Além das apresentações, o projeto realiza três oficinas abertas ao público, dedicadas à reflexão crítica sobre branquitude e privilégios raciais. A temporada segue até 26 de abril, com sessões nos teatros Alfredo Mesquita e Paulo Eiró. Embora gratuito, o espetáculo conta com contribuição voluntária destinada à continuidade do projeto.

Serviço

Patente

Teatro Arthur Azevedo. Av. Paes de Barros, 955
Quintas a sábados, 20h. Domingos, 19h
Dias 19, 20, 21, 22, 26, 27, 28 e 29 de março

Teatro Alfredo Mesquita. Av. Santos Dumont, 1770
Quintas a sábados, 20h. Domingos, 19h
Dias 02, 03, 04, 05, 09, 10, 11 e 12 de abril

Teatro Paulo Eiró. Avenida Adolfo Pinheiro, 765
Quintas a sábados, 20h. Domingos, 19h
Dias 16, 17, 18, 19, 23, 24, 25 e 26 de abril

Ingressos gratuitos

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Ficha Técnica

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Serviço

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