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Povo indígena Rarámuri inspira nova montagem do Coletivo Labirinto

Sinopse

Conhecido por percorrer grandes caminhos a pé, povo originário teve a originalidade de sua cultura como ponto de partida para inspiração da dramaturgia do espetáculo ‘Pés-Coração

Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 10 de março de 2026)

Ao norte do México, na fronteira com os Estados Unidos, vivem os Rarámuris, indígenas conhecidos por caminharem longas distâncias a pé. Vencedores de maratonas internacionais, eles não são atletas no sentido tradicional, mas camponeses que costumam correr por mais de vinte horas consecutivas em uma rotina diária no terreno acidentado da Sierra Tarahumara.

O Coletivo Labirinto, que há 13 anos mantém contato com questões e dramaturgias contemporâneas da América Latina, tomou conhecimento deste povo originário por meio de uma de suas integrantes, quando montavam o trabalho anterior. O que, em um primeiro momento foi uma curiosidade, virou uma provocação. Voltados a criar espetáculos com temáticas mais urbanas, o Coletivo decidiu deslocar o foco de seu olhar para o novo trabalho. Isso resultou no espetáculo Pés-Coração, com direção de Luiz Fernando Marques, o Lubi, e dramaturgia deAbel Xavier, com estreia no Sesc Pompéia

Tendo como metáfora a corrida, eles se debruçaram em questões que nortearam o processo de criação da dramaturgia que se deu de forma bastante colaborativa: por que um povo, uma coletividade corre? Para quem a gente corre? Com quem corremos? De quem corremos? Será que a corrida pode representar algum tipo de alegoria para a condição latino-americana?

Elenco do Coletivo Labirinto, que apresenta Pés-Coração no Sesc Pompeia. Foto Tomás Franco

“Desde o início, Lubi propôs que nos embriagássemos das referências, das vontades e ideias para que fossemos construindo passo a passo durante os ensaios quais histórias e personagens poderiam dialogar com esse tema da corrida e do corre na América Latina. E, a partir dessas improvisações, fui desenvolvendo e lapidando a dramaturgia”, explica Abel Xavier

Histórias e personagens não escaparam da ideia de formação colonizadora dos povos latino-americanos. “Quando começamos a estudar mais fortemente o povo Rarámuri, descobrimos alguns pesquisadores que afirmam que essa corrida constante também pode ter a ver com o processo colonizatório que os espanhóis impuseram ao México. Nós, latino-americanos, estamos sempre no corre, estamos sempre nesse movimento constante. Então, acho que essas são questões que ficam fortes da peça. E acho que discutir isso no palco, no nosso contexto hoje, é discutir processos históricos também. Por que os nossos povos são identificados com essa ideia da corrida? O que isso representa culturalmente, socialmente, politicamente?”, indaga Wallyson Mota, um dos criadores. 

O artista-criador ainda diz que o grupo passou a discutir a própria noção de tempo. “Quando a gente corre, de alguma forma, tem uma ideia de que está acelerando o tempo. Esse tempo está passando mais rápido. Então, tratar de corrida no âmbito latino-americano é também tratar do tempo, deste tempo. Nós compartilhamos este momento histórico, esta fatia de tempo, conjuntamente com o público. Acho que tem algo por aí também”, acrescenta.

Serviço

Pés-Coração

Sesc Pompeia. Rua Clélia, 93

Quinta a sábado, 20h. Domingo, 18h. Sextas (dias 13, 20 e 27/03), também às 16h. Sessão extra na quarta, dia 01/04, 20h. R$ 60

Até 5 de abril (estreia 12 de março)

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Ficha Técnica

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Serviço

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