“A Última Sessão de Freud”, texto de Mark St. Germain, explora os pensamentos adversos entre duas personagens reais, em um embate entre o ateísmo e a crença religiosa; peça já foi vista por mais de 170 mil pessoas em seu quarto ano de temporadas
Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 5 de março de 2026)
O dramaturgo estadunidense Mark St. Germain possibilitou um encontro fictício entre Sigmund Freud e o escritor, poeta e crítico literário C.S. Lewis. Juntos, os dois estão no gabinete do pai da psicanálise, na Inglaterra, exatamente no dia em que a os ingleses ingressaram na Segunda Guerra Mundial. Para além da enriquecedora conversa que se estabelece entre a dupla, está uma situação limite, o fato de saberem que a qualquer momento Hitler poderia bombardear Londres.
Este é o enredo do espetáculo A Última Sessão de Freud, que segue em cartaz há quatro temporadas por várias cidades e volta para uma outra em São Paulo, no Teatro Sabesp Frei Caneca. Dirigidos por Elias Andreato, Odilon Wagner dá vida ao psicanalista austríaco, enquanto Marcello Airoldi interpreta o escrito irlandês.
Durante o diálogo estabelecido pelos dois – Freud, um crítico implacável da crença religiosa, e C.S. Lewis, renomado professor de Oxford, crítico literário, ex-ateu e influente defensor da fé baseada na razão –, surge, de forma apaixonada, o dilema entre ateísmo e crença em Deus.

O texto de Mark St. Germain é baseado no livro Deus em Questão, escrito pelo Dr. Armand M.Nicholi Jr. – professor clínico de psiquiatria da Harvard Medical School. Freud quer entender por que um ex-ateu, um brilhante intelectual como C.S. Lewis, pode, segundo suas palavras, “abandonar a verdade por uma mentira insidiosa”, tornando-se um cristão convicto.
Eles conversam sobre a existência de Deus, mas o embate verbal se expande por assuntos como o sentido da vida, natureza humana, sexo, morte e as relações humanas, resultando em um espetáculo que se conecta profundamente com o espectador através de ferramentas como o humor, a sagacidade e o resgate da escuta como ponto de partida para uma boa conversa.
“O sarcasmo e ironia rondam toda essa discussão. As ideias contundentes ali propostas nos confundem, por mais ateus ou crentes que sejamos. Essa peça é um elogio ao diálogo, tão necessário em nossos tempos. Saio do teatro todos os dias mais convicto que podemos e devemos conviver pacificamente com aqueles que pensam diferente de nós”, comenta Odilon Wagner.

O diretor Elias Andreato optou por uma encenação que valoriza a palavra, construindo as cenas de modo que o texto seja o protagonista e as ideias estejam à frente de qualquer linguagem.
“A ideia do autor Mark St. Germain de provocar esse encontro entre Freud e Lewis cria um jogo teatral de ideias, crenças e visões de mundo profundamente distintas. O diálogo entre os dois personagens é, por vezes, irônico, por vezes violento, mas surpreendentemente sociável, e é justamente aí que reside sua força”, conclui o diretor.
Serviço
A Última Sessão de Freud
Teatro Sabesp Frei Caneca – Shopping Frei Caneca. Rua Frei Caneca, 569
Sextas, 20h. Sábados, 17h e 20h. Domingos, 17h. R$ 25 / R$ 180
Até 26 de abril (reestreia em 6 de março)
