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Vencedor do Prêmio Shell, “Agropeça”, espetáculo do Teatro da Vertigem, retorna a São Paulo

Sinopse

Com referência aos personagens de “O Sítio do Picapau Amarelo”, dramaturgia e encenação tensionam memória, espaço urbano e identidade brasileira, convidando o público a refletir sobre os rumos políticos e simbólicos do país

Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 23 de fevereiro de 2026)

Conhecido especialmente por realizar espetáculos em espaços inusitados onde a sua arquitetura também é dramaturgia, o Teatro da Vertigem já ocupou igrejas, hospitais, presídios desativados e até o Rio Tietê com espetáculos nos quais a encenação se pautava justamente no uso desses ambientes e na força natural que eles continham.

O mais recente espetáculo, Agropeça, ganhador do Prêmio Shell de Direção e Cenografia, desta vez não se utiliza deste expediente que acompanhou as suas montagens ao longo dos seus trinta anos de existência, mas isso não minimiza o trabalho. Pelo contrário, ocupando um galpão, a sua cenografia toma todo o ambiente e o converte em uma arena, reforçando a ideia de disputa política, simbólica e social. A experiência imersiva, marca do grupo, permanece como eixo estruturante da encenação.

Com concepção e direção de Antonio Araújo, texto final de Marcelino Freire e co-direção de Eliana Monteiro, o espetáculo, que estreou originalmente em 2023, faz novas apresentações no Espaço Cultural Elza Soares, conhecido como Galpão do MST

Cena de Agropeça, do Teatro da Vertigem. Foto Ligia Jardim

Agropeça lança um olhar crítico sobre o universo rural e a influência do agronegócio na sociedade brasileira contemporânea, tomando o rodeio como linguagem cênica. Para isso, aciona personagens centrais do imaginário brasileiro – Emília, Narizinho, Pedrinho, Tia Nastácia, Dona Benta, Visconde de Sabugosa e o Marquês de Rabicó -, criações de Monteiro Lobato, que surgem como eixo simbólico e narrativo da obra, em uma releitura livre e provocadora de O Sítio do Picapau Amarelo.

Se na obra de Lobato as personagens desenvolvem um clima amistoso, aqui as personagens se enfrentam e ganham voz para abordar questões sociais contemporâneas com temas como como a influência do agronegócio na sociedade brasileira, diversidade de gênero, gordofobia, raça, religião, discursos políticos e trabalho análogo à escravidão. 

Um exemplo disso é a dimensão que a personagem Tia Anastácia toma no espetáculo, quando a personagem de Dona Benta tenta convencê-la a assinar documentos para que a patroa não seja condenada a trabalhos referentes à escravidão ou quando ela questiona o fato de as pessoas sempre pensarem em uma xícara de café quando notam sua presença. 

Outra cena de Agropeça, do Teatro da Vertigem. Foto Ligia Jardim

Dividido em três blocos narrados por Pedrinho, Tia Nastácia e Emília, o espetáculo constrói uma amálgama entre episódios recentes da realidade política brasileira, o imaginário rural e a herança cultural do Sítio. O rodeio – pesquisado extensivamente durante o processo criativo – surge como metáfora de um país que insiste em atualizar estruturas de exploração herdadas do passado.

Serviço

Agropeça

Espaço Cultural Elza Soares – Galpão do MST. Alameda Eduardo Prado, 474

Sextas e sábados, 20h. Domingos, 18h. R$ 40

Até 29 de março (reestreia 27 de fevereiro)

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Ficha Técnica

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Serviço

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