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Uma festa de adereços para celebrar os rios está de volta

Sinopse

Cia. da Tribo torna a encenar uma pérola de seu repertório de peças premiadas, “Água Doce”, ao mesmo tempo uma contundente denúncia e uma diversão deslumbrantemente bela, desta vez em unidades de CEUs paulistanos

Por Dib Carneiro Neto (publicada em 20 de fevereiro de 2026)

Com 30 anos de estrada, a paulistana Cia. da Tribo resolveu agora, pós folia de carnaval, circular por parques e CÉUS da Região Metropolitana de São Paulo, reapresentando Água Doce, um espetáculo exemplar quando se trata de sensibilizar as famílias para os desastres ambientais e ecológicos.

Criada em 2018, a peça foi melhor espetáculo de rua pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e também levou o extinto SP de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem na categoria Sustentabilidade. A companhia circulou por todo o Brasil, realizando aproximadamente 180 apresentações ao longo desses oito anos. Agora vai recomeçar com muito gás e vontade de encantar. 

Água Doce conta a história do mito da Iara e de outros seres folclóricos presentes nas comunidades ribeirinhas. O espetáculo trata da relação do homem com a água doce, a partir de quatro personagens – Iara, Abaré, Cacira e Xirú – que se aventuram para proteger os rios. Por que voltar a encená-lo é tão importante? Wanderley Piras, co-autor e  co-diretor da peça, responde.

Por que voltar com Água Doce?

Começo respondendo essa pergunta com destaques de notícias recentes: O estado de São Paulo enfrenta a maior seca dos últimos 10 anos em 2026 (G1  16/01/2026)

A navegadora e escritora brasileira Tamara Klink tornou-se uma voz fundamental sobre o degelo dos polos após concluir, em setembro de 2025, a travessia solo da Passagem Noroeste no Ártico. Tristeza pelo Recorde: Tamara expressou que a realização desse marco é “triste”, pois a facilidade de navegação em áreas antes congeladas é um sinal claro de que estamos atingindo um “Ponto de Não Retorno”. (Estudio CBN 28/09/2025)

Até fevereiro de 2026, a cidade de São Paulo e sua região metropolitana já enfrentaram episódios graves de enchentes e alagamentos, com destaque para um temporal severo ocorrido em 16 de fevereiro de 2026. O início do ano tem sido marcado por um aumento de 47% nas ocorrências de alagamentos em comparação a anos anteriores, somando cerca de 170 pontos críticos identificados pela prefeitura. (G1 28/01/2026)

Cena do infantil Água Doce, da Cia da Tribo. Foto Wendy Vilalobos

A Cia da Tribo comemora em 2026, 30 anos e nossas conexões sempre se mantem intensas e aguçadas. Estão acontecendo muitas mudanças de comportamento e de atitude que são necessárias e fundamentais para nosso desenvolvimento como humanidade, mas ainda é preciso de mais e mais para não chegarmos ao Ponto de Não Retorno (termo que descreve o ponto de inflexão a partir do qual certas mudanças causadas pelo aquecimento global e pela mudança climática se tornam irreversíveis).

Então fazer Água Doce circular pelos quatro cantos de São Paulo ainda é fundamental pois “brincando com toda a potência lúdica do espetáculo com certeza vai informar e alertar sobre a situação do meio ambiente em especial as “águas” de nosso planeta. Por ser um espetáculo extremamente modular, criamos o projeto “Água Doce Desagua na Cidade de São Paulo” que permite chegar a  territórios carentes de equipamentos de arte e portanto esse  é nosso lugar, estar do lado de uma arvore ou de um pequeno córrego poluído ou não esse é nosso palco e as pessoas que lá transitam esse é nosso público. Este projeto traz em sua essência a união da cultura, da educação e do verde e meio ambiente, pois sendo realizado às sextas-feiras no CEUS e aos domingos num parque Municipal que fica muito próximo da instituição vai estimular e instigar a que os jovens que assistiram na escola levem seus pais, parentes e amigos a visitar o parque e ter uma experiencia diferente com ÁGUA DOCE sendo realizado neste outro espaço. Acreditamos que o leito deste rio cênico, não pode ser tamponado nem retificado como foram feitos com os rios da cidade. Água Doce segue e continua a fluir

No ano em que a peça estreou, 2018, escrevi empolgadamente sobre o que vi. Recuperemos alguns trechos:

“A meta que permeia todo o espetáculo é abordar a relação do homem com os rios e córregos das cidades. Mostrar, sem panfletarismos nem didatismos, o quanto nossos rios são maltratados, malcuidados, poluídos por nós mesmos. Para dar conta disso, sem ficar chato e professoral, inspiraram-se, depois de boa pesquisa, na cultura popular, nas lendas indígenas e nos mitos ribeirinhos e nordestinos.

A dramaturgia se apoiou, por exemplo, em personagens bem brasileiros como Iara, a Mãe do Rio; Cabeça de Cuia; Jaguarão; Pirarucu e Cobra Grande. É uma escrita feita principalmente de recursos narrativos e épicos. Contar olhando nos olhos – e, assim, garantir que o público esteja dentro do espetáculo, compartilhando uma experiência única, efêmera e, por isso mesmo, potente.

A imaginação da plateia é convocada o tempo todo pelas palavras, ao mesmo tempo em que esse jogo fantasioso feito de mitos e lendas se harmoniza muito bem com o anti-ilusionismo de se fazer teatro sem coxia, mostrando aos presentes os “truques” da encenação, as trocas de roupas, as substituições de elementos cenográficos, o corre-corre dos ‘técnicos’.

A experiente Cia. da Tribo sabe que um projeto desses não se faz sem uma base sólida de coerência em todos os quesitos. Como falar da morte dos rios de outra forma que não a proposta cênica de adotar a sustentabilidade? Assim, priorizaram os materiais reciclados. Chamaram para os adereços o incrível artista visual Adriano Castelo Branco, educador e criador de esculturas chamadas de ‘lúdico-sonoras’ ou ‘criaturas instrumentosas’. Você não vai acreditar no que vai ver em cena. É, sem sombra de dúvida, o ponto alto de Água Doce. Dá vontade de trazer tudo para casa depois da peça. Que riqueza de detalhes, que fartura de cores, que escolhas de materiais (tachinhas de lata, garrafas pet, talheres)! Até os guarda-chuvas, tão usados nas montagens, aqui aparecem com estampa e funcionalidade surpreendentes.

Outra escolha coerente com a temática da peça foi a trilha sonora, a ‘música da água’. Rogério Almeida, diretor musical, buscou referências na música dos ribeirinhos e cantigas indígenas, além da música ibérica e de matriz africana. Repare como ele captou o som de chuvas, gotas e corredeiras para compor o som metálico e urbano que permeia o espetáculo. Vira uma contundente denúncia, uma linda defesa de nossos rios, uma aula fantasiosa de cidadania e solidariedade, uma verdadeira festa sustentável e criativa.” 

Serviço

Água Doce

20 de fevereiro, às 10 e 14h.
CEU Quinta do Sol. Rua Otto Cordes – Parque Cisper

22 de fevereiro, às 16h.
Parque Tiquatira. Av. Governador Carvalho Pinto, s/n – Vila São Geraldo

27 de fevereiro, às 10 e 14h.
CEU Inácio Monteiro. R. Barão Barroso do Amazonas, s/n – Conj. Hab. Inácio Monteiro

1 de março, às 16h.
Parque Vila do Rodeio. R. Igarapé da Bela Aurora, 342 – Conj. Hab. Inácio Monteiro

8 de março, às 16h. 
Parque do Trote. Av. Nadir Dias Figueiredo, s/n° e Rua Quirino, 905 – Vila Guilherme

13 de março, às 16h. 
Parque do Pinheirinho D’Água. Estr. das Taipas, s/n – Jaraguá

12 de abril, às 16h. 
Parque Santo Dias. Tv. Jasmin da Beirada, 72 – Conj. Hab. Instituto Adventista

19 de abril, às 16h.
Parque Chácara do Jockey.  Av. Prof. Francisco Morato, 5300 – Vila Sonia

26 de abril, às 16h.
Parque Morumbi Sul. R. Nossa Sra. do Bom Conselho – Chácara Nossa Sra. do Bom Conselho

3 de maio, às 16h.
Parque Raposo Tavares. R. Telmo Coelho Filho, 200 – Jardim Olympia

31 de maio, às 16h.
Parque Colina de São Francisco, Av. Dr. Cândido Motta Filho, 751 – Cidade São Francisco

28 de junho, às 16h.
Parque Senhor do Vale. R. Blas Parera, 487 – Jaraguá

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Ficha Técnica

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Serviço

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