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Renato Borghi homenageia Dalva de Oliveira em musical emotivo e pessoal

Sinopse

“Minha Estrela Dalva”, no Teatro do Sesi, traça a linda relação dele com a estrela da era de ouro do rádio, vivida com garra e brilhantismo por Soraya Ravenle

Por Ubiratan Brasil (publicada em 30 de março de 2026)

Quando garoto, o ator, diretor e dramaturgo Renato Borghi fez uma importante descoberta. “Aos seis anos de idade, ganhei de minha mãe um disco da trilha sonora de A Branca de Neve, no qual a voz da princesa era interpretada por Dalva de Oliveira (1917-1972). Ali, na vitrola da infância, nasceria uma paixão avassaladora e que atravessaria décadas, palcos e revoluções – culminando no encontro real e improvável entre fã e diva poucos anos antes dela nos deixar”, diz ele, que escreveu o espetáculo Minha Estrela Dalva para reviver essa lembrança.

Em cartaz no Teatro do Sesi, em São Paulo, o musical é um passeio muito pessoal de Borghi, que revisita suas memórias para homenagear uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos. Em cena no seu próprio papel, ele realiza na ficção um desejo que não foi possível na vida real: ouvir Dalva interpretando músicas de Kurt Weill e Bertolt Brecht como Surabaya Johnny e Jane dos Piratas, clássicos do teatro épico alemão.

Renato Borghi, Soraya Ravenle e Elcio Nogueira Seixas em Minha Estrela Dalva. Foto João Caldas

Neste “delírio documentado”, passado e presente se fundem sob a direção artística de Elias Andreato e Elcio Nogueira Seixas, que também sobe ao palco para dar vida ao Renato jovem. E Dalva, no auge de sua glória e vulnerabilidade, é vivida com garra e força por Soraya Ravenle, atriz com memorável carreira no teatro musical (esse é seu 32º espetáculo).

Seu início foi justamente em A Estrela Dalva (1987), com texto e atuação do próprio Borghi e estrelado por Marília Pêra no papel principal. “Eu era uma das artistas do coro e já foi um grande aprendizado”, conta Ravenle que, agora, precisou fazer uma ampla pesquisa para viver Dalva. “Há pouca imagens em movimento dela, alguns fragmentos e pequenas participações em filmes. A partir disso e ouvindo seu repertório, pude construir a personagem.”

Seu trabalho é minucioso, desde a forma com que diz as palavras até nos gestos. “Eu me aproximo, investigo, estudo, decifro os códigos dessa Vicentina de Paula Oliveira, o verdadeiro nome dela. De que lugar ela canta? Que caminhos sua voz faz? Que histórias essa voz conta para nós ainda hoje? Não me interessa a cópia da casca, me interessa chegar perto da sua alma e colocar a minha bem coladinha com a dela”, comenta a atriz, que encontrou muitas informações no livro Minhas duas estrelas, escrito por Pery Ribeiro, filho de Dalva e do compositor e cantor Herivelto Martins, relação turbulenta que é descrita por ele.

“Ali fica evidente como Dalva enfrentou problemas de solidão e principalmente de machismo pelos homens que a cercaram”, conta Ravenle. Mas a principal inspiração vem de seu companheiro de cena – como fã, Borghi acompanhou os altos e baixos da trajetória de Dalva, cuja voz imortalizou e tornou clássicas canções como Bandeira Branca, Estrela do Mar, Tudo Acabado, Ave Maria e Que Será, entre muitos outros. Músicas que comprovam que o sofrimento pode ser belo.

Renato Borghi e Soraya Ravenle em cena de Minha Estrela Dalva. Foto Ubiratan Brasil

“Quando a televisão começou a ganhar importância, Dalva foi desprezada porque sua figura não era considerada boa para o vídeo, especialmente por causa da cicatriz que ficou de lembrança de um acidente de carro”, conta Borghi, confessando que ainda ouve as canções dela todos os dias. “É um ato de amor, sempre quis trazer Dalva de volta aos palcos.”

Também em cena, o ator Ivan Vellame interpreta os homens que passaram pela vida de Dalva, especialmente Herivelto que, apesar de músico brilhante, era um homem típico da época, marcado pelo machismo e egoísmo. “Minha maior felicidade virá com o público, especialmente o feminino, vaiando Herivelto em cena”, conta Vellame.

Destaque ainda para os figurinos de Fabio Namatame, que recupera a beleza e o luxo dos modelos utilizados pela Rainha do Rádio.

Serviço

Minha Estrela Dalva

Teatro do Sesi-SP – Centro Cultural Fiesp. Avenida Paulista, 1313

Quinta a sábado, 20h. Domingo, 19h. Ingressos gratuitos. Reservas www.sesisp.org.br/eventos

Até 12 de julho (estreou em 28 de março)

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Ficha Técnica

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Serviço

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