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“Priscilla, a Rainha do Deserto – O Musical” é uma viagem transformadora em busca do pertencimento

Sinopse

No trajeto dentro de um ônibus, duas drag queens e uma transexual enfrentam (e vencem) o preconceito embaladas por uma trilha sonora da pesada

Por Ubiratan Brasil

Em 1994, um descompromissado filme australiano fez um repentino sucesso mundial, especialmente no Brasil, onde conquistou a maior audiência planetária: Priscilla, a Rainha do Deserto. A ideia partiu do diretor Stephan Elliott que, inicialmente, planejava um musical tradicional. Não encontrou produtores interessados no projeto. Fã de Carmen Miranda, ele mudou de planos e passou a pensar em drag queens. Imaginou duas drags e uma transexual percorrendo o deserto australiano. Uma imagem não lhe saía da cabeça: uma das drags, de pé sobre um ônibus cor-de-rosa, desfralda o manto de lamê, como se fosse uma bandeira. Recriada na tela grande, tornou-se um símbolo. O filme faturou inclusive o Oscar de figurino.

A história logo passou da telas para o palco, em 2006. E, depois de ser montado em diversos países, Priscilla, a Rainha do Deserto – O Musical estreou no Teatro Bradesco, em São Paulo. No elenco, Reynaldo Gianecchini interpreta Anthony “Tick” Belrose, performer e drag queen, que possui o nome artístico Mitzi Mitosis. É dela a ideia de atravessar o deserto para fazer um show. Diego Martins vive Adam Whiteley, também conhecido como Felicia, drag jovem, impetuosa, responsável por grandes momentos de humor. Já as atrizes Verónica Valenttino e Wallie Ruy se revezam no papel de Bernadette Bassenger, mulher transexual que embarca na jornada para curar a dor da perda de um amor.

O elenco principal de Priscilla, a Rainha do Deserto – O Musical. Foto Ubiratan Brasil

“É uma viagem transformadora para as três, pois serve de metáfora para o percurso de todos aqueles que estão em busca de pertencimento”, comenta Gianecchini, cujo personagem vive um dilema: a viagem serve para que ele veja o filho de 6 anos que há tanto tempo tem medo de conhecer. “É um trabalho de atuação mais interior, envolvimento sentimentos”, comenta o ator.

“Drags são outsiders. Quando se encontram, deixam de lado a solidão, formam uma família”, completa Martins, que também atua como drag queen e cuja Felicia perde a ingenuidade ao longo da jornada e descobre que o mundo não pode ser como ela quer. “É um grande trajeto em que elas enfrentam principalmente o preconceito.”

Bernadette oferece o contraste entre as amigas. Representante da, digamos, velha guarda, ela já foi a estrela de “Les Girls” e cultiva hábitos antigos ao não admitir modernidades como drags cantando ao invés de dublar. “Ela é exemplo do que chamamos de transcestrais, artistas que carregam a memória da nossa história, base do que somos hoje”, comenta a atriz trans Verónica Valenttino. “Somos atrizes cantantes e ela é glamurosa, trazendo o charme da velha Hollywood com humor ácido e inteligência, além de sensibilidade”, completa Wallie Ruy.

O elenco principal de Priscilla, a Rainha do Deserto – O Musical. Foto Ubiratan Brasil

“O filme tem muitas qualidades, mas envelheceu por apresentar uma realidade das drags que não é mais verdadeira. E ainda é melancólico demais”, observa Mariano Detry, diretor do musical. Entre as várias versões disponíveis para os palcos, ele preferiu a australiana. “É mais atemporal e está mais antenada com a visão atual sobre a diversidade”, comenta o encenador que, além de manter a trilha sonora original, que inclui hits da música disco como It’s Raining Men, Go West e Shake Your Groove, entre outras, trocou Madonna, que inspirou a montagem brasileira de 2012, por nomes como Kylie Minogue.

Também os figurinos criados por Fabio Namatame passaram por uma repaginada. “Mantive alguns modelos do filme, que se tornaram icônicos. Mas atualizei o visual, unindo o luxuoso ao colorido”, explica ele, sobre o espetáculo que é uma realização da  IMM e EGG Entretenimento, da empresária Stephanie Mayorkis.

A montagem tem um importância muito particular para Gianecchini. “Sempre percebi um paralelo entre minha vida pessoal e a dos personagens que acabo atraindo. Mas esse realmente foi mais forte”, conta o ator de 51 anos. Ele foi alvo de críticas tão logo foi anunciado como intérprete do personagem – novamente sua sexualidade foi colocada em xeque, sendo que, desde que estrelou a peça A Herança (2023) em que viveu um homossexual conservador (apoiador do Partido Republicano americano), ele direciona sua carreira segundo a liberdade de ser o que revela sua autenticidade.

Reynaldo Gianecchini em Priscilla, a Rainha do Deserto – O Musical. Foto Pedro Dimitrow

“Sempre achei que tenho uma sexualidade fluida, isso é que mais me define, realmente. Ou seja, minha orientação pode variar mil vezes: depende da época, dos encontros da vida. Para mim, tudo é possível. Mas era difícil encarar isso no passado. Eu tinha medo. E ainda estava preso no rótulo do galã. Ao mesmo tempo, eu estava muito feliz em um casamento com uma mulher (a jornalista Marília Gabriela). Vivi plenamente aquilo. E, depois que terminou, pude olhar melhor para minha sexualidade fluida. Agora, já mais maduro, tenho tranquilidade para falar sobre isso, mas não tenho mais o que dizer. Já disse o que precisava. Talvez queiram detalhes, mas não vou revelar nada da minha sexualidade, são detalhes íntimos que não cabem a ninguém saber”, comenta o ator.

Serviço

Priscilla, a Rainha do Deserto – O Musical

Teatro Bradesco. Shopping Bourbon. Rua Palestra Itália, 500, 3º Piso

Quintas e sextas-feiras, 20h. Sábados, 16h e 20h. Domingos, 16h. R$ 42,36 / R$ 400

Até 1 de setembro

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Ficha Técnica

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Serviço

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